Os supermercados locais estão a enfrentar “desafios sem precedentes” após a pandemia e registaram uma quebra no negócio de 30%, adiantou Wong Man Wai, presidente da Associação de Supermercado e Alimentos Básicos. Segundo o representante do sector, os supermercados estão a ser afectados pela mudança dos hábitos de consumo dos residentes e a concorrência do mercado do Continente, prevendo-se que mais supermercados fechem as portas durante o ano.
A Associação de Supermercado e Alimentos Básicos de Macau alertou para as dificuldades de negócio dos supermercados locais devido à redução de receitas e ao aumento dos custos operacionais. Wong Man Wai, presidente da associação, apontou que alguns espaços de determinadas cadeias de supermercados fecharam recentemente as portas e disse acreditar que mais vão encerrar ainda este ano.
Wong Man Wai afirmou que os supermercados estão a “passar um período difícil de ajustamento” com uma quebra de negócio de 30%, sendo que a situação é mais crítica nas zonas não turísticas. “Durante a pandemia, os supermercados desempenharam um papel importante como pilar da salvaguarda das necessidades básicas da população, mas, após a epidemia, tornaram-se a indústria menos beneficiada”, lamentou o responsável, em declarações ao Jornal Ou Mun.
Reconheceu ainda que a exclusão de alguns grandes supermercados locais da lista de comerciantes elegíveis para participar no programa do Grande Prémio para o Consumo teve “um grande impacto” no sector dos supermercados bem como dos fornecedores. “Os grandes supermercados foram forçados a abandonar o mercado devido aos elevados custos de funcionamento”, realçou Wong, acrescentando que os espaços na Zona Norte tiveram “ainda mais dificuldade” devido à falta de apoio das políticas de consumo.
O também dirigente da cadeia local de supermercados Tai Fung salientou que alguns fornecedores de pequenas e médias empresas entraram numa “crise de sobrevivência” por causa da “queda acentuada” das encomendas dos supermercados.
Recorde-se que a passada ronda do programa Grande Prémio para o Consumo nas zonas comunitárias ofereceu descontos em mais de 20.000 estabelecimentos comerciais físicos. No entanto, o plano excluiu a aplicação de desconto em grandes cadeias de supermercados, serviços de água, de electricidade, de combustíveis, serviços médicos, parques de estacionamento, entre outros.
Wong Man Wai, além disso, destacou que a redução de despesas dos consumidores é agora também um problema para a indústria, estando estes mais focados nos preços. “No passado, costumavam escolher produtos de alimentos estrangeiros, mas agora pensam que os produtos do Continente são mais diversificados”, disse. “O elevado custo dos produtos importados do estrangeiro torna difícil a venda, pelo que muitos supermercados não se atrevem a comprar grandes quantidades. A proporção de produtos do interior da China aumenta, fazendo com que os supermercados locais enfrentem desafios competitivos do mercado do Continente”, observou.
O representante admitiu que a transformação de modelo de negócio para a venda online também é “inútil” e “ineficaz”, uma vez que os custos de mão de obra e de logística continuam a ser elevados e o comércio eletrónico na China Continental ocupa um espaço cada vez maior no mercado.
Os dados mais actualizados dos Serviços de Estatística e Censos mostram que o volume de negócios dos estabelecimentos do comércio a retalho registou uma diminuição anual de 15% no primeiro trimestre deste ano, cifrando-se em 17,58 mil milhões de patacas. Segundo o inquérito, 52,3% dos retalhistas preveem que a exploração dos estabelecimentos vai ser ainda pior no segundo trimestre.
Neste caso, Wong Man Wai chamou a atenção para a possível abertura em breve de mais um novo supermercado no outro lado da fronteira, nas imediações do posto fronteiriço de Gongbei, o que pode dificultar ainda mais o negócio dos supermercados locais.











