O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, apelou para que os países membros do g7+ promovam o diálogo nacional e a reconciliação como o caminho para resolver conflitos, depois de o sistema global ter falhado.
“É tempo de aceitar uma verdade dolorosa: o sistema global liderado por nações poderosas falhou-nos repetidamente. Mas, enquanto líderes, devemos também reconhecer a nossa responsabilidade e agir em conformidade”, afirmou Xanana Gusmão.
O líder timorense falava na sexta reunião ministerial do g7+, no âmbito de uma intervenção sobre como “Salvaguardar a paz em tempos turbulentos: A grande visão do g7+”.
No âmbito daquela intervenção, Xanana Gusmão fez quatro propostas aos países do g7+, a começar por um apelo para o diálogo nacional e reconciliação nacional.
Segundo Xanana Gusmão, os membros do g7+ têm a autoridade moral e a experiência para defender a reconciliação não como uma agenda imposta por terceiros, mas como um “processo essencial liderado por aqueles que viveram a guerra e compreendem as suas consequências”. “Temos o poder de fazer isso porque as nossas ações são movidas pela solidariedade, não por interesses políticos ou económicos próprios. Não estamos aqui para ditar soluções, mas para estar ao lado uns dos outros como parceiros na paz”, disse, pedindo ao secretário-geral da ONU, António Guterres, a nomeação de um enviado especial para o g7+.
A segunda proposta feita pelo líder timorense passa pela criação de um “quadro de aprendizagem entre pares”, que poderá ser um modelo para políticas, fortalecimento de instituições e para orientar o trabalho de defesa do g7+ no palco global. “Apesar de sermos rotulados como frágeis, os nossos países possuem uma sabedoria e experiência imensas que podem inspirar reformas significativas na construção do Estado. As nossas lutas tornaram-nos especialistas em superar adversidades, e as lições que aprendemos são inestimáveis”, afirmou.
A terceira proposta, dirigida à comunidade internacional, exige que os países do g7+ sejam vistos como “parceiros iguais”. “Devem ir além de ver os estados frágeis como beneficiários perpétuos de ajuda e, em vez disso, investir na nossa resiliência. Um g7+ mais estável significa menos crises, menos guerras e, em última análise, uma necessidade reduzida de ajuda internacional”, salientou Xanana Gusmão.
O primeiro-ministro timorense afirmou também que os estados frágeis têm conhecimento e podem contribuir para os esforços globais de construção da paz.
Na última proposta, dirigida aos estados-membros da organização, Xanana Gusmão pediu mobilização de capital político e investimento no fortalecimento do g7+. “Temos o potencial de salvaguardar a paz nos nossos países, resistir à interferência externa e impedir que as nossas nações se tornem novamente campos de batalha de rivalidades hegemónicas”, afirmou o governante. Mas, segundo o primeiro-ministro timorense, é preciso fortalecer a “unidade para reestruturar a conversa global sobre a construção da paz”.
Para Xanana Gusmão, o g7+ pode permanecer como observador passivo ou unir-se para proteger os seus estados-membros das “cicatrizes da guerra e da pobreza”.
Ramos-Horta para mediação de conflitos
O g7+ propôs o nome do Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, como enviado especial para a mediação de situações de conflitos nos estados-membros daquele bloco, anunciou o secretário-geral da organização, Hélder Costa. “Os ministros, dada a situação de fragilidade e crise que enfrentam vários países do g7+, decidiram propor o nome de José Ramos-Horta, Presidente da República de Timor-Leste, como enviado especial para fazer mediação nas situações de conflito”, disse o secretário-geral do g7+, Hélder Costa.
Outras das conclusões da reunião, segundo o secretário-geral do g7+, foi a eleição de uma nova liderança, que foi atribuída às Ilhas Salomão a partir de janeiro de 2026. “A Serra Leoa vai continuar a presidência até dezembro de 2025, que a partir de janeiro de 2026 será assumida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros das Ilhas Salomão”, afirmou Hélder Costa.
O g7+ foi estabelecido em 10 de Abril de 2010, em Díli, e surgiu com a preocupação de que a cooperação tradicional para o desenvolvimento não melhorava a situação das nações frágeis. Afeganistão, Burundi, República Centro-Africana, Chade, Comores, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Haiti, Libéria, Papua-Nova Guiné, São Tomé e Príncipe, Serra Leoa, Ilhas Salomão, Somália, Sudão do Sul, Timor-Leste, Togo e Iémen são os Estados-membros do g7+. Lusa











