Associação antevê pouco crescimento do PIB no primeiro trimestre

0
46
FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

A Associação Económica de Macau afirmou que o desempenho macroeconómico no primeiro trimestre “poderá ser ligeiramente mais fraco do que o esperado”, pelo que o Produto Interno Bruto (PIB) poderá manter-se inalterado ou registar apenas uma subida até 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com as previsões económicas divulgadas ontem, a Associação disse que o modelo de cálculo projecta um valor do PIB até Março entre 98,5 mil milhões de patacas e 104,5 mil milhões de patacas, o que corresponde a uma taxa de crescimento real homóloga de -2% a 3%. “Devido à incerteza e instabilidade, a previsão do PIB para este ano inteiro poderá ser apenas semelhante à do ano transacto”, indicou.

A análise mensal destacou a situação “desequilibrada e descoordenada” nos indicadores económicos locais nos últimos meses, sendo que o fluxo de capitais marcou um recorde, enquanto os preços das acções das concessionárias e os índices de confiança do consumidor e da restauração permanecem a um nível “fraco”.

A equipa de investigação baixou ainda a previsão do Índice de Prosperidade de Macau para o segundo trimestre, passando de uma classificação de 6,4 para 6 pontos, de uma escala de 0 a dez. Apesar de uma revisão em baixa, as perspectivas económicas permanecem num nível “estável”.

O pessimismo da Associação veio principalmente das políticas tarifárias impostas recentemente pelos Estados Unidos e pela China, que acrescentam factores de instabilidade económica mundial.

“A ‘guerra comercial’ irá agravar a incerteza da economia de Macau. Embora as perspectivas económicas globais no primeiro trimestre deste ano se tenham mantido estáveis e favoráveis, a nova situação inesperada é bastante especial e pode exercer uma certa pressão sobre o funcionamento estável da economia da China”, observou.

A Associação liderada pelo economista e antigo deputado Joey Lao alerta que Macau não está “imune” a riscos, sendo necessário “estudar cuidadosamente a situação futura e fazer preparativos para lidar com vários desafios”.

Por outro lado, o grupo aproveitou a ocasião para deixar críticas à “política irresponsável” de tarifas dos Estados Unidos, indicando que a decisão não só “violou gravemente” as regras do comércio internacional e gerou turbulência no mercado financeiro, como também pode ter impacto de longo alcance no crescimento da economia mundial, “conduzindo a uma recessão económica”, realçou a Associação.