Paul Pun, secretário-geral da Caritas, considera que as políticas do Governo para a população idosa “não serão capazes de acompanhar o ritmo do envelhecimento” de Macau no futuro. Para Pun, o Executivo deve resolver o problema da longa fila de espera para os lares de idosos, bem como a falta de vagas para serviços de cuidados domiciliários.
A Caritas defende a revisão e melhoria das políticas para idosos, nomeadamente as medidas de assistência social, bem como a qualidade e a quantidade de vagas dos serviços de cuidados a seniores.
Paul Pun, secretário-geral da Caritas, destacou que Macau está a enfrentar um problema do envelhecimento contínuo e diminuição da natalidade, alertando sobre a futura estrutura social que evoluirá gradualmente para uma sociedade envelhecida.
“Embora o Governo já tenha investido recursos para melhorar o trabalho de assistência aos idosos e aumentar o número de lugares para vários serviços em resposta à procura de serviços para idosos na comunidade, não será capaz de acompanhar o ritmo de envelhecimento a longo prazo”, afirmou Pun, em declarações ao Jornal Ou Mun.
Enfatizando a previsível insuficiência da prestação de serviços para a população idosa, Paul Pun disse ser necessário o Governo ponderar as medidas de apoio a seniores numa perspectiva a longo prazo.
Recorde-se que o presente Governo está prestes a apresentar o seu primeiro relatório das Linhas de Acção Governativa, que está agendado para a próxima segunda-feira. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, referiu diversas vezes que a equipa governativa atribui grande importância a questões relativas às crianças e aos idosos, e vai desenvolver medidas dedicadas a estes dois grupos da população. As estatísticas do Governo mostram que a população envelhecida em Macau continua a aumentar e, no final do ano passado, existiam 100.200 idosos com 65 anos ou mais, o que representa mais de 14% da população total.
Paul Pun, nesse âmbito, apontou que se deve optimizar políticas de assistência social, cuidados de saúde e transportes. “De acordo com a experiência dos serviços sociais, o longo tempo de espera para os lares de idosos e a carência de vagas para os cuidados no domicílio são problemas comuns em Macau”, indicou.
Segundo explicou, com base na actual lista de espera de 1.000 pessoas para os lares públicos, cerca de dois terços das pessoas, ou seja, 600 pessoas, necessitam de serviços de cuidados domiciliários integrados. “Os prestadores de cuidados só podem encontrar trabalhadores para ajudar ou prestar os cuidados por si próprios. Assim, espera-se que o Governo possa aumentar os recursos para os serviços de cuidados no domicílio no futuro, de modo a aliviar a pressão sobre os prestadores de cuidados”, sugeriu.
Além disso, Paul Pun propõe a introdução de incentivos para encorajar os idosos a ter uma vida saudável, para que o público possa preparar-se atempadamente para o seu próprio envelhecimento e para o envelhecimento da sociedade, reduzindo assim o investimento de recursos públicos e da sociedade.
Solicitou também abrir mais instalações desportivas para idosos. Paul Pun espera que haja incentivos para a população idosa fazer mais exercício, de forma a abrandar o declínio das suas funções físicas e manter a sua saúde física e mental.
DEPUTADO PEDE AUMENTO DO VALOR DA PENSÃO PARA IDOSOS
O deputado Nick Lei renovou o pedido ao Governo de que reveja o mecanismo de ajuste da Pensão para Idosos, ligando-o directamente no futuro ao valor do Risco Social, com o objectivo de reforçar a protecção da reforma dos idosos. O deputado realçou os desafios crescentes no futuro sobre o trabalho relacionado com os cuidados aos idosos e considerou que o Governo deve garantir a “protecção básica” da vida da população idosa perante a inflação. “O rendimento de muitos idosos provém do Governo e alguns deles não têm qualquer outro rendimento ou poupança, por isso a protecção social proporcionada pelo Governo desempenha um papel indispensável na vida dos idosos”, frisou Nick Lei, sugerindo ainda a criação de um fundo de assistência como “rede de segurança” para as necessidades mais básicas dos idosos.











