No âmbito do 14.º Festival Literário de Macau, António Costa Silva conduziu um painel no Auditório do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, centrado nas encruzilhadas da humanidade e nas prioridades para o século XXI. Ao longo do painel, o ex-Ministro da Economia e do Mar expressou os seus pontos de vista sobre as complexidades da governação contemporânea.
“Entrámos na idade da ‘desrazão’,” afirmou Costa Silva, ao destacar uma tendência “preocupante” na tomada de decisões a nível global, uma vez que o discurso racional parece estar, a seu ver, a desaparecer. Discutindo também os desafios da liderança neste ambiente, Costa Silva salientou que “A conetividade é o paradigma deste século”, indicando ademais a importância da conectividade na abordagem das questões modernas e alertando igualmente para os perigos colocados pelos conflitos armados. “Vivemos uma erosão completa da ordem internacional democrática e liberal e a sua substituição pela anarquia, que é o que resulta quando as grandes potências resolvem violar todos os princípios, invadir países, não respeitar os diretos territoriais de cada país e de cada nação”, referiu.
António Costa Silva abordou ainda questões ambientais e expressou alarme sobre as alterações climáticas. “Nós cometemos um erro fatal, o nosso divórcio da natureza. Foi pensarmos que sozinhos, na nossa arrogância, conseguimos fazer tudo”, comentou. Olhando para o futuro, o ex-ministro expressou preocupação com as possíveis próximas crises da humanidade. “Estou convencido de que uma das próximas grandes crises que vamos enfrentar é uma crise alimentar”, afirmou, sublinhando o potencial de insegurança alimentar generalizada à medida que as perturbações globais continuam.
António Costa Silva resumiu a urgência da cooperação internacional na resolução destes problemas prementes: “A encruzilhada em que estamos é uma espécie supostamente racional que tem toda uma história que desenvolveu, que criou uma ordem internacional que a mal ou a bem ia funcionando e ia minimizando riscos e conflitos, e de repente, esquece-se de tudo isso que aprendeu, envolve-se num protecionismo cego em guerras, numa fragmentação geopolítica que tenta formar blocos antagónicos, num uso logístico de tecnologias para as grandes potências se gladiarem umas com as outras. É sempre mais guerra, mais destruição, mais sofrimento”. Para ele, a necessidade de um compromisso renovado com a colaboração entre nações para enfrentar desafios compartilhados é inadiável e imediata.












