EDITORIAL #93

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Juntar autores de diferentes linguagens, convocar quem queira conversar com eles e elas, mostrar livros, filmes, imagens, música, deixar pistas para novas ideias, inquietações, descobertas. De tudo isto se faz um festival literário, para além do convívio e das histórias que se vão contando e vivendo – e que talvez dêem origem a novos livros, filmes, espectáculos. Está a chegar ao fim a 14ª edição do Festival Literário de Macau – Rota das Letras, mas ainda há um fim de semana cheio de programação para acompanhar, concentrada no espaço do antigo matadouro, ali na Barra, mas espalhada por outros sítios da cidade. Foi nesse âmbito que André Letria, ilustrador com mais de três décadas de carreira, visitou Macau, e conversou com o Parágrafo sobre o seu trabalho, os muitos modos de criar imagens e com elas contar histórias, os modos possíveis (e os ainda desconhecidos) de fazer livros. Aproveitámos também a presença de Jason Wordie, o historiador local que vive em Hong Kong há mais de trinta anos e que é visita regular de Macau, para acompanhar um dos seus passeios pela cidade, à boleia da reedição desse livro essencial intitulado  Macao – People and Places, Past and Present, agora com chancela da Praiagrande Edições. Quem quiser juntar-se a Wordie nesta caminhada pelas ruas em torno da Barra e de São Lourenço, ainda pode fazê-lo no próximo domingo de manhã. Levar o livro é má ideia, porque o peso é considerável, mas vale a pena acompanhar o autor e passar, depois, para as páginas onde fala detalhadamente dessa zona da cidade e de outras, num registo que ilumina uma série de histórias, episódios menos conhecidos e pormenores do território em que nem sempre reparamos na corrida de todos os dias.

Como sempre, sobra-nos espaço para outras leituras, algumas pensadas para leitores mais novos (da qual não se excluem os restantes), novos livros para descobrir e as habituais crónicas que, em diferentes tons, marcam a identidade destas páginas. Voltamos em Maio com mais livros e com alguns dos muitos mundos, nem sempre em páginas impressas, que estes nos vão abrindo.