Um encontro de intercâmbio organizado pelos Serviços de Saúde chamou a atenção para os desafios cada vez maiores que os jovens de Macau enfrentam. As autoridades sublinham que os factores responsáveis pelos problemas de saúde mental na juventude são múltiplos e que toda a comunidade – incluindo família, escolas e instituições médicas – deve unir-se nos trabalhos de prevenção e alerta.
O departamento de psiquiatria infantil e adolescente do Centro Hospitalar Conde de São Januário recebeu mais de 5 mil pacientes ao longo do ano passado. A informação foi revelada esta segunda-feira pelos Serviços de Saúde, num comunicado publicado na sequência do encontro de intercâmbio “Ultrapassar Fronteiras: Modelos de Serviços Psicológicos para Jovens”, onde participaram representantes de vários departamentos governamentais, instituições médicas e serviços sociais.
Discursando no evento, Tai Wa Hou, médico na direcção do São Januário, reconheceu que os jovens enfrentam pressões e desafios cada vez maiores ao nível da saúde mental, como consequência de um mundo em permanente evolução social e tecnológica. Sublinhou, a este propósito, que o serviço de psiquiatria do centro hospitalar dispõe de um ambulatório de subespecialidade de psiquiatria centrado na infância e na adolescência, dispondo ainda de psicoterapeutas profissionais em nove centros de saúde e de uma equipa de serviços psiquiátricos comunitários para acompanhar os pacientes de maior risco.
No entanto, e como as causas dos transtornos psicológicos e psiquiátricos são múltiplas e variadas, Tai Wa Hou argumentou que os trabalhos de apoio e prevenção não se devem cingir aos profissionais de saúde, sendo uma responsabilidade conjunta das várias camadas da sociedade. Toda a comunidade, incluindo a família e a escola, deve mobilizar-se no sentido de proteger a saúde mental dos jovens, nomeadamente através do encaminhamento e da partilha de informações relevantes aos serviços médicos competentes.
Numa intervenção seguinte, Jiang Wen, responsável do Centro Nacional de Prevenção e Controlo da Saúde Mental, frisou que o país “dá grande importância” aos problemas psicólogos e psiquiátricos da juventude, que atribui a factores familiares, sociais e ambientais. Ecoou, também, a necessidade de construir um modelo de cooperação na prevenção e intervenção destas questões, envolvendo escolas, comunidades, famílias, meios de comunicações e instituições médicas.
No comunicado dos Serviços de Saúde, enumeram-se algumas das directivas e metas estabelecidas pelo Governo para a promoção de um estilo de vida saudável, tanto na vertente física como na psicológica, como o programa “Comunidade Saudável” ou as iniciativas “Empresas Saudáveis” e “Escolas Saudáveis”. As autoridades de saúde têm ainda colaborado com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEDJ) e o Instituto de Acção Social (IAS) na aplicação de mecanismos de prevenção e acção conjuntos. Destaca-se, em 2021, a criação do “Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Saúde Física e Mental dos Jovens”, em que o Governo da RAEM e os Serviços de Saúde, a DSEDJ e o IAS desenvolveram conjuntamente 85 acções de prevenção, controlo, práticas e divulgação no sentido de assegurar a saúde física e mental dos alunos de Macau.
Concluindo o comunicado, os Serviços de Saúde garantem que irão “continuar a apoiar instituições sem fins lucrativos na prestação de serviços de consulta psicológica e a fornecer supervisão clínica e formação de conhecimentos a psicoterapeutas locais, para que os serviços possam penetrar de forma mais profissional na comunidade, aumentando a acessibilidade dos serviços” e promovendo a construção de um “Macau Feliz”.
C.B.











