Reabre em Abril porto cambojano cuja expansão foi financiada pela China

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O porto naval no Camboja cuja expansão foi financiada pela China e que suscitou preocupações sobre o crescente alcance militar de Pequim na região vai retomar operações no próximo mês, anunciaram ontem as autoridades cambojanas.

 

O porto vai receber um navio japonês como a primeira embarcação estrangeira a fazer uma visita ao local, segundo o major-general Thong Solimo, porta-voz das Forças Armadas do Camboja.

A Base Naval de Ream — com um novo cais para acomodar navios muito maiores, uma doca seca para reparações e outras infraestruturas — será inaugurada a 2 de abril pelo primeiro-ministro Hun Manet, segundo Thong Solimo. “Dar prioridade aos navios de guerra japoneses é uma homenagem ao elevado nível de abertura na cooperação, relações e confiança mútua”, afirmou.

China e Camboja deram início ao projecto do porto em 2022, o que levou os Estados Unidos a expressarem preocupações de que este pudesse tornar-se num posto estratégico para a marinha chinesa no Golfo da Tailândia.

O golfo é adjacente ao Mar do Sul da China, uma via navegável essencial que a China reclama quase na sua totalidade. Os Estados Unidos recusam-se a reconhecer a ampla reivindicação da China e realizam manobras militares regularmente para reforçar o estatuto do mar como águas internacionais.

As preocupações iniciais aumentaram no ano passado, depois de navios de guerra chineses terem atracado no cais recém-construído durante meses, e de dois contratorpedeiros japoneses, que fizeram uma visita ao Camboja, terem sido desviados para uma instalação diferente nas proximidades.

Com o anúncio da visita planeada do Japão, o Camboja provavelmente está a tentar projetar a ideia de que está aberto a países além da China, disse Euan Graham, analista de Defesa do Australian Strategic Policy Institute. “Parece ser uma demonstração consciente do Camboja de que Ream não é exclusivamente para a China”, afirmou, citado pela Associated Press.

A Força de Autodefesa Marítima do Japão confirmou o convite do Camboja para navios japoneses, mas recusou-se a dar pormenores, citando regulamentos de segurança operacional.

A China é o maior investidor do Camboja e o seu parceiro político mais próximo. Nos últimos anos, expandiu rapidamente a sua marinha e tornou-se cada vez mais assertiva na defesa das suas vastas reivindicações marítimas.

As preocupações sobre a atividade da China na base de Ream surgiram em 2019, quando o Wall Street Journal relatou que um rascunho preliminar de um acordo, visto por responsáveis norte-americanos, permitiria à China usar a base por 30 anos, onde poderia colocar pessoal militar, armazenar armas e atracar navios de guerra.

O Governo do Camboja negou tal acordo ou qualquer intenção de conceder à China privilégios especiais na base, embora Pequim tenha financiado a sua expansão e atracado os seus navios de guerra lá durante meses consecutivos.

Em setembro, o Ministério da Defesa do Camboja afirmou que a China daria à marinha cambojana dois navios de guerra do tipo que estavam atracados na base enquanto o projeto de expansão ainda estava em andamento.

O porta-voz do Ministério da Defesa, general Chhum Socheat, disse ontem que o Camboja pretende que a instalação esteja aberta aos EUA e outros países. “Todos os navios de guerra de países amigos podem atracar no novo cais, mas devem primeiro cumprir as nossas condições”, disse, sem especificar quais seriam essas condições. Lusa