Jockey Club quis enviar 100 gatos para o Continente, mas foi “obrigado” a recuar na decisão

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O Macau Jockey Club recuou na decisão de enviar para o interior da China cerca de 100 gatos que estavam no seu espaço, após inúmeras críticas na sociedade. O Jockey Club alegou que os gatos teriam alojamento e cuidados permanentes em Zhuhai, mas não conseguiu fornecer detalhes sobre o destino. A empresa acabou por organizar ontem uma sessão de adopção de 22 gatos, em colaboração com a ANIMA, sendo que outros 60 gatos vão ser recebidos por grupos protectores locais de animais.

 

Cerca de uma centena de gatos que viviam no espaço do Macau Jockey Club estavam prontos para ser enviados para o interior da China mas a decisão foi, afinal, travada devido a uma chuva de críticas por parte dos residentes. Após censura da comunidade e intervenção de associações e activistas de protecção de animais, a empresa anunciou na sexta-feira que chegou a um acordo com a ANIMA, Sociedade Protectora dos Animais, para abrir ao público a adopção dos gatos.

O espaço do Macau Jockey Club fechou as portas no final de Março do ano passado e o Governo vai recuperar o terreno em causa no início do próximo mês. O plano do Jockey Club de envio dos gatos foi denunciado nas redes sociais na quinta-feira à tarde por uma voluntária de cuidados dos gatos no Jockey Club, e provocou de imediato uma polémica semelhante ao que aconteceu com os galgos do Canídromo há oito anos na altura do seu encerramento.

De acordo com a publicação da voluntária de protecção de animais e também ex-funcionária do Jockey Club, de apelido Cheang, a empresa planeava levar os gatos para Zhuhai, mas a empresa nunca conseguiu avançar pormenores de estadia dos animais no Continente. “Até o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que ajudou nos procedimentos de saída dos gatos, não recebeu informações sobre o endereço detalhado do abrigo”, indicou a residente, mostrando receio de que os gatos seriam levados para restaurantes no interior da China.

Cheang indicou que ajudava a cuidar dos gatos no Jockey Club, contudo, foi impedida de entrar no espaço desde a semana passada. Os gatos viviam no recinto há anos, tendo sido levados para o hipódromo para apanhar ratos, uma vez que não se podia utilizar veneno para roedores na instalação tendo em conta a segurança dos cavalos. O Jockey Club organizou uma sessão de adopção dos gatos no mês passado, no entanto, segundo Cheang, poucas pessoas conseguiram fazer a marcação para a entrada e apenas quatro gatos foram adoptados.

Para além dos apelos nas redes sociais para impedir o envio, vários residentes pediram ajuda aos deputados e queixaram-se da situação na Rádio Macau em língua chinesa e até na imprensa de Hong Kong. Voluntários e associações de protecção de animais entraram em contactos com o Jockey Club e o IAM para interferir no incidente.

Mary Jean Reimer, advogada e antiga actriz de Hong Kong, criticou o comportamento do Jockey Club e chegou a contactar a ANIMA, Sociedade Protectora dos Animais, com a promessa de acolher todos os gatos. Em declarações ao portal All About Macau na quinta-feira, a ANIMA referiu que não conseguiu falar com os responsáveis dMacau Jockey Club, incluindo Ben To, gestor do espaço, e Angela Leong, directora executiva da empresa, para obter resposta à proposta da jurista da cidade vizinha.

 

REACÇÕES DO GOVERNO

 

O IAM reagiu à polémica no dia seguinte e acabou por emitir uma nota de imprensa na sexta-feira de manhã a garantir ter acompanhado os trabalhos da transferência e alojamento dos animais no campo do Jockey Club, desde Abril do ano passado. O comunicado salientou que a Companhia de Corridas de Cavalos de Macau apresentou ao Governo o plano de enviar os gatos esterilizados e com microchips para Zhuhai, “a fim de prestar-lhes alojamento e cuidados permanentes”.

O organismo disse estar satisfeito com o plano e ter ajudado na inspecção sanitária dos referidos gatos, incluindo a introdução de microchips, vacinação anti-rábica e examinação clínica. Neste caso, o Executivo assumiu ter emitido os documentos sanitários necessários para a passagem fronteiriça dos “gatos exportados” em estrita conformidade com as disposições nacionais, prestando apoio na passagem fronteiriça.

Além disso, o IAM indicou que o Macau Jockey Club “recorreu a vários canais para que alguns gatos fossem adoptados”, enquanto a empresa insistiu, também num comunicado, ter “cumprido a responsabilidade social” a este respeito.

 

AVANÇOS E RECUOS

 

Na sexta-feira à tarde, o Jockey Club referiu ter recuado na sua decisão, e anunciou a organização de uma sessão de adopção de gatos, em colaboração com a ANIMA, realizada neste domingo.

“O Macau Jockey Club reafirma que o bem-estar dos animais é sempre a sua principal preocupação e que cumpre activamente a sua responsabilidade social de assegurar que os gatos são devidamente tratados e realojados”, sublinhou. A empresa informou ter submetido relatório mensal sobre os animais no recinto ao IAM, de modo a garantir a transparência de informações.

O Jockey Club argumentou que contactou os grupos de protecção de animais relativamente aos gatos. “Como alguns gatos têm dificuldade em adaptar-se ao ambiente doméstico, alguns casos de adopção acabaram por não ser bem-sucedidos devido a problemas de saúde ou comportamentais”, referiu a empresa, justificando a razão para optar, anteriormente, pelo plano de envio para Zhuhai.

Reiterando que tinha negociado com o Governo, o Jockey Club reiterou que o referido plano está de acordo com os requisitos das autoridades de Macau e do interior da China, sendo que o abrigo “está em conformidade com as normas de realojamento de animais e foi aprovado pelo IAM”, e “contratou profissionais para cuidar dos gatos e garante o bem-estar dos gatos a longo prazo”.

 

CASAS PARA OS GATOS

 

Realizou-se ontem a sessão de adopção dos gatos no espaço do Jockey Club, das 10h às 18h30, onde estavam 22 gatos à procura de um lar.  O Jockey Club referiu que outros 60 gatos vão ser encaminhados para as organizações de protecção animal locais.

A ANIMA, entidade que colaborou na campanha de adopção, salientou que os candidatos à adopção devem ter pelos 18 anos de idade e deveriam trazer consigo documentos de identidade válidos, devendo ainda mostrar fotos que comprovem que a sua casa está equipada com redes de protecção das janelas. Apelou para os residentes interessados ponderarem cuidadosamente antes de adoptar, e que sejam donos responsáveis.

Após o evento de adopção dos gatos, que contou com a presença de mais de 500 pessoas, o IAM adiantou que foram adoptados os 22 gajos e o organismo ajudou a concluir as respectivas formalidades de transferência de nome nos microchips dos gatos.