China critica venda de armas dos EUA a Taiwan e promete esforços em prol da reunificação

0
51

A China criticou ontem a venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan, enquanto um dos seus principais dirigentes prometeu mais esforços em prol da reunificação, coincidindo com manobras militares de Pequim ao largo da costa sul da ilha.

 

De acordo com o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, a China “defenderá firmemente a sua soberania nacional, segurança e integridade territorial” e estará “vigilante” se a administração de Donald Trump libertar 5,3 mil milhões de dólares (mais de 5 mil milhões de euros) de ajuda externa anteriormente congelada, que incluiria 870 milhões de dólares para Taiwan.

“A ajuda militar fornecida pelos EUA a Taiwan viola gravemente o princípio ‘Uma só China’, os comunicados conjuntos sino-americanos e a soberania e os interesses de segurança da China, enviando um sinal gravemente errado às forças separatistas que defendem a ‘independência de Taiwan’”, afirmou o porta-voz.

A questão de Taiwan é um dos principais pontos de discórdia entre Pequim e Washington, uma vez que os EUA são o principal fornecedor de armas a Taipé e poderiam defender a ilha em caso de conflito com a China continental. “Exortamos os Estados Unidos a deixarem de armar Taiwan e de minarem a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”, disse Lin.

Citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, Wang Huning, o “número 4” na hierarquia do Partido Comunista apelou ontem a que se façam “mais esforços na causa da ‘reunificação’ chinesa”, durante uma reunião de trabalho sobre Taiwan. “A China deve manter firmemente o seu direito de dominar e assumir a liderança nas relações entre as duas margens do Estreito, e impulsionar inabalavelmente a causa da ‘reunificação’ da pátria”, disse Wang aos quadros do Partido.

Acrescentou que a China deve “apoiar firmemente as forças patrióticas e unificadas da ilha” e, ao mesmo tempo, “reprimir os atos provocatórios dos que promovem a ‘independência de Taiwan’”, de modo a “moldar a tendência inevitável da reunificação”. “Devemos promover o intercâmbio e a cooperação entre as duas margens do Estreito, apoiar a vinda de empresários e entidades de Taiwan para a China continental e aprofundar a integração entre as duas partes”, afirmou.

A China deve “opor-se firmemente e travar a interferência externa” e “consolidar a adesão da comunidade internacional ao princípio ‘Uma só China’”, que considera Taiwan como uma parte inalienável do território chinês e Pequim como o único representante legítimo da China no mundo.

 

Taiwan mobiliza exército face a exercícios de fogo chineses ao largo da costa sul

 

Taiwan ordenou ontem a mobilização das forças navais, aéreas e terrestres, depois de a China ter efectuado exercícios militares ao largo da costa sul da ilha, alegadamente com fogo real, sem notificação prévia. “Esta acção não só representa um elevado risco para a segurança da navegação aérea e marítima internacional, como também constitui uma provocação aberta contra a paz e a estabilidade regionais”, declarou a Defesa Nacional de Taiwan, em comunicado.

A partir das 08:42 horas, os militares detectaram um total de 32 aviões chineses, incluindo caças J-11, aviões de alerta precoce KJ-500, veículos aéreos não tripulados (‘drones’) e “outros tipos de aviões de combate principais e auxiliares”, a sobrevoar as proximidades do seu território, de acordo com o comunicado.

Do total de aviões, 22 cruzaram a linha mediana do Estreito de Taiwan e as suas linhas de extensão, entrando na região norte e sudoeste da autoproclamada Zona de Identificação de Defesa Aérea de Taiwan para efectuar uma “patrulha conjunta de prontidão de combate”, a nona comunicada pelas autoridades da ilha até agora este ano.

Durante estes exercícios, os aviões chineses “violaram flagrantemente” as normas internacionais ao delimitarem “sem aviso prévio” uma área de exercício a cerca de 40 milhas náuticas (74 quilómetros) ao largo da costa de Kaohsiung e Pingtung, no sul de Taiwan, alegando que estariam a realizar “treinos de tiro”, afirmou o ministério. “Numa altura em que o mundo inteiro está empenhado na paz, estas acções da China contradizem completamente as suas repetidas declarações de ‘respeito mútuo’ e ‘coexistência pacífica’ com vista à ‘prosperidade partilhada’”, afirmou o ministério, acrescentando que a China “é a maior ameaça à paz e à estabilidade” na região. Lusa