Casos de distúrbio de vício do jogo bateram novo recorde no ano passado

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

O número de casos de indivíduos afectados por distúrbios de vício do jogo em Macau bateu novo recorde e atingiu 208 no ano passado, um aumento significativo de 23% em relação ao ano anterior. Contudo, a percentagem de residentes que recorreram aos pedidos de ajuda sobre o jogo problemático diminuiu para 58,65%, tal como na percentagem dos croupiers nos casos registados, que caiu para 2,2%. Quase um quarto dos casos apontou dificuldades financeiras como a razão para jogar, mas, segundo os dados do Instituto de Acção Social, 72,12% permanecem com dívidas.

 

Macau registou 208 casos de distúrbio de vício de jogo ao longo do ano passado, actualizando o recorde do ano anterior, tornando-se assim o número mais elevado de sempre desde que há registo por parte das autoridades em 2011. A cifra corresponde a um acréscimo de 23% em comparação com a do ano anterior, de 169 casos. Os casos atingiram o nível mais baixo em 2020 (77) devido ao impacto da pandemia na indústria de jogo.

As estatísticas foram avançadas pelo Instituto de Acção Social (IAS) num relatório do sistema de registo central dos indivíduos afectados pelo distúrbio do vício do jogo. Segundo o relatório, as autoridades receberam um total de 1.871 casos nos últimos 14 anos, sendo que a maioria dos envolvidos continua a ser do sexo masculino (72,63%).

Entre os 208 casos de jogo problemático registados em 2024, 58,65% dos indivíduos eram titulares do Bilhete de Identidade de Residente de Macau, o que traduz uma diminuição de 10,58 pontos percentuais, em termos anuais, na percentagem de residentes nos casos. A referida percentagem verificou também a mais baixa da história, enquanto a média fixou-se em 81,93%.

O IAS revelou que 41,35% dos casos eram de não-residentes: 22,6% eram titulares de autorização de viagem para Hong Kong e Macau para residentes do interior da China, 10,1% titulares de passaporte chinês, enquanto 4,33% eram trabalhadores não-residentes. Os residentes de Hong Kong representaram 1,92% e os titulares de passaporte estrangeiro contribuíram para 1,44% do total dos casos, além dos 0,96% de “outras identidades”.

O grupo etário das pessoas com idade entre 30 e 39 anos ocupou o maior peso entre os casos, com 23,56%, com a excepção de 34% dos indivíduos com idade não identificada. A pessoa mais jovem que solicitou ajuda ao IAS tinha apenas 16 anos.

 

CROUPIERS MENOS ENVOLVIDOS

 

De destacar também a quebra da percentagem dos croupiers e trabalhadores na área de jogo nos casos de distúrbios de vício de jogo. O relatório recém-divulgado indicou que 2,2% dos indivíduos afectados pelo jogo problemático eram croupiers e 4,4% trabalham na indústria de jogo, um decréscimo de 1,13 pontos percentuais e 0,93 pontos percentuais, respectivamente. A maior parte dos casos tinha emprego e 15,87% eram estudantes, domésticas e aposentados. Já 7,69% eram empresários e 1,65% eram funcionários da Administração Pública.

Quase metade dos indivíduos registados no IAS como afectados pelo vício de jogo dedica-se ao jogo de Bacará, 7% apostam no futebol e basquetebol e 4% jogam máquinas de póquer. Cerca de um quinto dos casos disseram que gastam, em média mensal, entre 10 mil e 50 mil patacas no jogo, mas 47% não têm conhecimento de quanto dinheiro gastaram.

 

MAIORIA TEM DÚVIDA

 

O documento deu ainda nota que 23,99% dos casos declararam que o motivo principal do jogo era “resolução de dificuldades financeiras”, seguido por “entretenimento” (19,71%) e “desanuviar” (18,76%). Outras razões que levaram às pessoas a apostar incluem “procura de diversão” (17,34%) e “matar o tempo” (9,5%), e 4,99% consideram o jogo como “actividade social”.

Embora quase um quarto dos casos pretendam “resolver problemas financeiros” através do jogo, os dados do IAS provam que essa abordagem não é eficaz. Segundo o organismo, 72% dos viciados de jogo registados estão a sofrer problemas de dívidas, entre eles, 19,33% têm dívidas em montante entre 100 mil e 250 mil patacas; 10,67% encontram-se com dívidas entre 250 mil e 500 mil patacas e 8,67% com dívidas de 50 mil a 100 mil patacas.

Segundo o IAS, após uma avaliação, 46,62% representam casos de distúrbio do vício do jogo em grau moderado, 34,46% com grau grave e 12,84% com grau ligeiro.