Macau não atingirá meta para veículos eléctricos, diz ambientalista

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 

O ambientalista Joe Chan afirma que a meta do Governo Central de 45% de vendas de veículos eléctricos em Macau até 2027 é “absolutamente impossível” de ser alcançada. Em 2024, apenas 31,4% dos novos veículos registados eram eléctricos, enquanto combustíveis fósseis ainda dominam a frota automóvel. Apesar das iniciativas do Governo para promover a mobilidade sustentável e criar pontos de carregamento, a falta de um plano claro para eliminar veículos altamente poluentes representa um desafio significativo para um futuro mais verde em Macau, segundo Chan.

 

O ambientalista e presidente da Macau Green Student Union, Joe Chan, declarou à agência Lusa que Macau enfrenta enormes dificuldades em atingir a meta estabelecida pelo Governo Central para a venda de veículos eléctricos. Segundo a nova directriz, 45% das novas vendas de automóveis deverão ser de modelos eléctricos até 2027, uma meta que Chan considera “absolutamente impossível” para Macau.

A revisão da meta para veículos eléctricos foi anunciada pelo Governo Central no início de Janeiro, elevando-a dos anteriores 20% até 2025. Este aumento ocorre num contexto onde, na segunda metade de 2024, os veículos eléctricos já representaram mais da metade das vendas de novos automóveis na China Continental, conforme revelado pela Associação de Automóveis de Passageiros da China. Contudo, em Macau, apenas 31,4% dos novos veículos registados em 2024 eram eléctricos, conforme dados oficiais.

O parque automóvel de Macau, que contabilizava 253.182 veículos no final de Dezembro, ainda é dominado por modelos movidos a combustíveis fósseis, representando 95,2% do total. Joe Chan destacou que, apesar dos esforços do Governo para promover o transporte menos poluente, como a criação de mais pontos de carregamento para veículos elétricos, a transição para uma frota maioritariamente eléctrica continua “muito distante”.

A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) informou que, até ao final de 2023, Macau contava com 2.100 lugares de carregamento para automóveis ligeiros e 500 para motociclos. Além disso, um plano de apoio financeiro ao abate de motociclos obsoletos foi introduzido em 2023, com um valor máximo de 8 mil patacas para a aquisição de novos modelos elétricos. No entanto, os dados da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) indicam que, em 2024, apenas 3,5% dos 128.542 motociclos registados eram eléctricos, revelando um crescimento modesto de 1,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Chan propôs medidas mais rigorosas, sugerindo que as autoridades iniciem esforços para restringir a circulação de veículos pesados, especialmente aqueles utilizados na construção civil, além dos transportes públicos.

Informações adicionais da DSAT indicam que, actualmente, operam na região 929 autocarros de nova energia, que representam mais de 92% da frota, reduzindo a proporção dos autocarros com motorização tradicional para cerca de 3%. Quanto aos táxis, 210 são totalmente eléctricos, cerca de 11,9% do total, enquanto os táxis híbridos compõem aproximadamente 86,2%.

No entanto, Chan lamentou a ausência de um plano claro das autoridades para a eliminação progressiva de veículos altamente poluentes, como camiões e motociclos pesados. “[…] as autoridades ainda não definiram um calendário e um prazo muito claros para a sua eliminação progressiva, pelo que a poluição [que causam] é elevada” concluiu o ambientalista.