O número de transacções suspeitas registadas nos casinos de Macau atingiu um novo recorde em 2024 devido à recuperação da economia e do turismo, disseram as autoridades do território.
De acordo com dados divulgados pelo Gabinete de Informação Financeira (GIF), as seis operadoras de casinos em Macau submeteram, no total, 3.837 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo em 2024, mais 11,8% do que no ano anterior. “Este aumento deveu-se principalmente à recuperação económica e ao aumento significativo do número de chegadas de visitantes em 2024”, disse o GIF, numa resposta a questões da Lusa.
O gabinete mencionou ainda o “investimento contínuo de recursos por parte das entidades denunciantes na deteção de transações suspeitas”.
Em 2024, o sector do jogo em Macau arrecadou um total de 226,8 mil milhões de patacas em receitas, mais 23,9% do que no ano anterior. O território recebeu no ano passado 34,9 milhões de visitantes, mais 23,8% do que em 2023.
As transacções denunciadas pelos casinos envolveram questões como “a conversão de fichas sem ou com actividades mínimas de jogo, a conversão de fichas em nome de terceiros [ou] a troca de moeda/conversão de dinheiro”, acrescentou o GIF.
Em Junho, a China anunciou ter desmantelado três bancos clandestinos ligados ao câmbio ilegal de dinheiro em Macau, que teriam conseguido lucros anuais de cerca de 1,5 mil milhões de dólares de Hong Kong.
Em 2024, o GIF recebeu um total de 5.245 participações, sendo que 73,2% vieram das concessionárias de casinos, enquanto 20,9% vieram de bancos e seguradoras e 5,9% de outras instituições e entidades. Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas.
Do total de 5.245 participações, o GIF remeteu no ano passado 142 transações suspeitas ao Ministério Público para investigação, mais 26 do que em 2023.
Questionada pela Lusa sobre as razões que levaram a descartar a esmagadora maioria das transacções suspeitas, o GIF não fez qualquer comentário.
Em Março de 2022, um relatório anual do Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial.
Segundo o relatório anual do GIF, Macau era o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro, do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa.
O GIF assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Atividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde. Lusa











