Piloto gaulês somou o décimo triunfo no icónico rali dos Alpes franceses e dedicou vitória ao falecido tio. Toyota esteve irrepreensível na prova inaugural do WRC. Campeão do Mundo Thierry Neuville teve prova azarada.
Sébastien Ogier ampliou, no último fim-de-semana, a lenda em Monte-Carlo e anotou mais um recorde nos livros de história do desporto motorizado. O piloto francês da Toyota venceu a prova pela décima vez depois de dominar o evento praticamente do princípio ao fim.
Navegado pelo compatriota Vincent Landais, Ogier, ao volante de um Toyota GR Yaris Rally1 assegurou a vitória com uma margem de 18,5 segundos para o colega de equipa Elfyn Evans.
“Penso que tive uma estrela da sorte a acompanhar-me este fim-de-semana. Deve ter sido o meu tio, que faleceu há um ano. Tenho a certeza que deu-me tudo. Esta é para ele. Não sei se foi o meu último (Monte-Carlo). Mas é uma boa altura para parar”, revelou, emocionado, no final da prova. Sébastien Ogier referia-se ao tio falecido no ano passado, pouco antes do Rali de Monte-Carlo. Um familiar que o ajudou a descobrir a paixão pelos ralis.
O triunfo nas estradas sinuosas dos Alpes franceses é histórico porque passa a ser o evento onde somou o maior número de vitórias. Tem nove nos ralis da Alemanha e da Catalunha.
O gaulês, oito vezes campeão do mundo, entrou com o pé direito no mundial, somou 33 pontos – incluindo os 5 da ‘Wolf Power Stage’ – embora o plano continue a ser fazer uma temporada em ‘part-time’, com a participação em cerca de metade dos eventos da época. A estratégia era a mesma no ano passado, mas após terem surgido hipóteses de lutar por um nono título mundial, Ogier levou o esforço até ao fim. Erros nas últimas etapas deitaram o objectivo por terra. O futuro o dirá desta vez.
O último dia de prova, no Domingo, foi um verdadeiro espectáculo. A chuva que caiu durante a noite acrescentou um factor surpresa. As baixas temperaturas transformaram parte das estradas de asfalto em armadilhas de gelo. Que o digam Takamoto Katsuta (Toyota) e Sami Pajari (Toyota), ambos sairam de estrada na especial 17 e tiveram de abandonar. O mesmo aconteceu com Grégoire Munster (Ford) no troço seguinte.
Na fase decisiva do rali, Sébastien Ogier tinha Elfyn Evans e Adrien Fourmaux à perna. Venceu a primeira especial do dia, mas na segunda perdeu 23,4 segundos para Adrien Fourmaux, o novo ‘menino-bonito’ da Hyundai. Parte da diferença estava nos pneus, houve lotaria nas escolhas que variaram entre os macios e os que tinham os picos para o gelo. As decisões ficaram guardadas para a ‘Wolf Power Stage’ no mítico Col de Turini, com Ogier a superar Evans por apenas 0,3 segundos.
Elfyn Evans assegurou o segundo lugar e a dobradinha para a Toyota. O galês, navegado por Scott Martin, somou 26 pontos. Terminou com uma vantagem de 7,5 segundos para a dupla Adrien Fourmaux / Alexandre Coria (20 pontos), que se estrearam ao volante do Hyundai i20 N Rally1. Um pódio que demonstra o potencial daquele que é considerado um novo talento do WRC, depois de no ano passado ter dado nas vistas aos comandos de um Ford Puma da M-Sport.
O finlandês Kalle Rovanperä (Toyota) terminou em quarto, tendo ultrapassado o estónio Ott Tänak (Hyundai) na última classificativa. Esperava-se mais de ambos, até porque são ex-campeões do mundo.
Thierry Neuville azarado
Quem teve uma prova muito azarada foi o actual detentor do título, Thierry Neuville. O belga, ao lado do co-piloto Martijn Wydaeghe, saiu de estrada logo no início do segundo dia quando liderava o rali. Ficou com a roda traseira muito mal tratada e a partir daí sucederam-se várias episódios que o levaram a perder muito tempo. Só minimizou os estragos depois de recuperar até ao sexto lugar da classificação geral, beneficiando dos acidentes de Takamoto Katsuta e de Sami Pajari. Soube a pouco para quem chegou a Monte-Carlo para defender o triunfo alcançado no ano passado.
Destaque ainda para a prova de Joshua Mcerlean. O piloto irlandêndes, que se estreou nos Rally1 com um Ford Puma, mostrou andamento em algumas especiais, cumpriu o objectivo de chegar intacto à meta e terminou logo atrás de Thierry Neuville.
Yohan Rossel vence no WRC2
Yohan Rossel, ao volante de um Citroën C3 Rally2, não deu grande hipótese à concorrência na categoria do WRC2. O francês liderou do princípio ao fim e terminou com uma vantagem superior a dois minutos para o Hyundai i20 do compatriota Eric Camilli. Foi de resto um evento memorável para a família Rossel com o irmão de Yohan, Léo Rossel, a terminar no terceiro lugar.
Empresa de Macau continua no WRC
De referir ainda que os Hyundai N Rally1 do construtor sul-coreano mantém um patrocínio ligado a Macau. Uma parceria com a IXO Modelcars, fabricante de miniaturas automóveis, com grande destaque para modelos do WRC. Segundo apurou o Ponto Final o contrato mantém-se para a temporada 2025 com os Hyundai a exibirem o logo da empresa nos espelhos retrovisores dos carros.











