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      Mestria nas paisagens tradicionais chinesas de Tsang Tseng Tseng na Fundação Rui Cunha

      A exposição “Ritmos da Tinta Chinesa na Igreja de São Paulo em Macau”, da artista Tsang Tseng Tseng, será inaugurada hoje pelas 18h30, na galeria da Fundação Rui Cunha. Esta mostra, organizada em parceria com a Sociedade de Artistas de Macau e a Associação de Arte Juvenil de Macau, reúne obras que reflectem a evolução da artista na pintura de paisagens chinesas a tinta da China, num segundo capítulo da sua mais recente colecção que une tradição e modernidade. A exposição estará disponível até 18 de Janeiro.

       

      Hoje, pelas 18h30, a galeria da Fundação Rui Cunha vai inaugurar a exposição individual “Ritmos da Tinta Chinesa na Igreja de São Paulo em Macau”, da artista Tsang Tseng Tseng. Esta iniciativa é resultado de uma parceria entre a Fundação Rui Cunha, a Sociedade de Artistas de Macau e a Associação de Arte Juvenil de Macau, que propõem promover e celebrar a cultura artística contemporânea na região.

      A nova exposição dá continuidade à série “San-pa Chi”, um novo marco significativo na evolução do corpo de trabalhos da artista. Neste segundo capítulo, por entre 40 peças de grande e média escala que estarão disponíveis ao público, Tsang Tseng Tseng estabelece uma fusão harmoniosa entre a delicadeza da pintura da região de Jiangnan e o encanto singular das paisagens de Macau. Este diálogo artístico não apenas enriquece a interpretação da pintura tradicional chinesa, mas também abre novos horizontes criativos que exploram a intersecção entre tradição e modernidade, através da inclusão de elementos contemporâneos bem reconhecidos, como a Torre de Macau, numa atmosfera típica das antigas paisagens chinesas.

      Segundo o presidente da Macau Artists Society, Lok Hei, as obras “baseiam-se na tradição, ao mesmo tempo que incorporam elementos de inovação, integrando a elegância clássica com um toque contemporâneo. Ao enfatizar o pincel e a tinta, ela procura expressar a paz e a liberdade no meio do caos do mundo moderno”.

      Tsang Tseng Tseng já se estabeleceu como uma proeminente artista contemporânea que se destaca na pintura de paisagens chinesas. Com um arranque promissor em 2008, foi a vencedora do Prémio Novos Talentos na 24ª Exposição Colectiva de Artistas de Macau, atribuído pelo Instituto para os Assuntos Municipais de Macau, onde expôs pela primeira vez no Clube Militar de Macau.

      A sua obra é caracterizada pela capacidade de transmitir emoções singelas e criar histórias “ainda mais profundas que a realidade”, através da sua sensibilidade artística e do seu rigor técnico. “Quando observo a realidade, principalmente nos meus passeios pelas montanhas em Jiangnan, que serviram de inspiração, não retiro apenas o que vejo a minha frente. A verdade é que as minhas pinturas incluem muitos mais detalhes do que pode ser encontrado de imediato. Portanto, aplico uma escala aos objectos muito mais detalhada e realista, com mais informação. Uma “colecção” de tudo que vi. Daí poder ter a liberdade de também incluir o que acho mais pertinente, como elementos mais modernos, na paisagem” esclareceu Tsang Tseng Tseng em entrevista ao PONTO FINAL.

      A artista faz uso do pincel e da tinta da China para criar composições que não apenas reflectem a sua vivência pessoal, mas que também dialogam com a rica e milenar tradição cultural da China. A formação académica de Tsang, nomeadamente os seus estudos de doutoramento na Academia Chinesa de Arte, permitiu-lhe desenvolver um profundo conhecimento das técnicas artísticas que marcaram as dinastias Song e Yuan, cujas influências são evidentes nas suas obras. “Enquanto explorava as pinturas clássicas das dinastias Song e Yuan, deparei-me com as obras de Wu Li, que visitou Macau durante o início da dinastia Qing. Esteve a residir na então Igreja de São Paulo, na altura das suas visitas. Foi então que imaginei o que teria sido a sua experiência durante essa altura, enquanto observava a paisagem de Macau” expressou a artista.

      Neste contexto, a artista está actualmente a investigar a figura de Wu Li, notável pintor das dinastias Ming e Qing, cuja ligação à cultura de Macau é de grande relevância após entrar em contacto com a região. A pesquisa é um reflexo do empenho de Tsang em integrar e reinventar influências históricas que impulsionam a sua própria linguagem artística, resultando numa produção que é simultaneamente inovadora e enraizada nas tradições.

      As obras que compõem esta exposição são testemunhas do elevado domínio técnico da artista, que possui um profundo entendimento das nuances da tinta e do traço, num percurso de quase duas décadas. Cada pintura é uma reflexão do seu apurado conhecimento da cultura chinesa, ao mesmo tempo que revela a sua capacidade de inovação e adaptação às exigências contemporâneas. Ao longo da visita, o público terá a oportunidade de observar a forma como Tsang capta a essência da tradição através de uma lente pessoal e contemporânea, contando histórias que atravessam as telas, “quase como um filme”, relembrou Tsang. A mostra estará acessível ao público até ao dia 18 de Janeiro.