A Polícia Judiciária deteve quatro alunos na sequência de uma denúncia da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau sobre o caso de falsos diplomas. Entre os 24 estudantes envolvidos, todos do interior da China, 20 já tinham saído de Macau antes da investigação policial. Os detidos admitiram ter utilizado certificados falsos de um exame de Hong Kong, fabricados de intermediários do Continente, para “contornar o mecanismo de avaliação das qualificações da universidade”.
As autoridades policiais estão a investigar o caso de falsas habilitações académicas na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês), que envolve 24 estudantes que ingressaram em cursos de licenciatura. Entre estes, quatro alunos foram detidos, mas os restantes 20 já deixaram o território e encontram-se em parte incerta, segundo avançou ontem a Polícia Judiciária (PJ).
A investigação policial do caso mostra que todos os 24 alunos (13 masculinos e 11 femininos) são provenientes da China continental, tendo feito a inscrição com sucesso, na MUST, em cursos de licenciatura do primeiro ano, depois de se terem candidatado na admissão universitária com falsas qualificações académicas do exame Hong Kong Diploma of Secondary Education (DSE), prova de admissão à universidade organizado pela Autoridade de Exames e Avaliação de Hong Kong.
Na conferência de imprensa de ontem, a PJ indicou que a Autoridade de Exames e Avaliação de Hong Kong recebeu uma queixa sobre o presente caso e notificou posteriormente a instituição de ensino superior em causa. Citada pela Rádio Macau em língua chinesa, a Universidade iniciou o processo de verificação do incidente, tendo-o comunicado à polícia no dia 29 do mês passado.
Nessa altura, 20 dos alunos em questão já tinham saído de Macau e a PJ acabou por interceptar quatro na residência de estudantes da MUST. Os quatro alunos, dois masculinos e dois femininos, têm idade entre 18 e 19 anos e são oriundos de Hebei, Zhejiang, Shenzhen e Jiangxi, respectivamente.
Às autoridades policiais, os detidos confessaram que nunca se tinham submetido aos exames de diploma de Hong Kong, alegando que foram os membros das suas famílias que tinham falsificado os certificados e resultados académicos através de intermediários no interior da China. Além disso, segundo o relato dos jovens, antes de realizarem a inscrição na universidade em Agosto, o grupo de intermediários reuniu-se com eles para entregar os certificados falsos e ensinou-os a responder às perguntas do pessoal da universidade.
“Foram distribuídos a quatro estudantes falsos certificados de notas do DSE e falsos certificados de habilitações do ensino secundário do interior da China para efeitos de registo”, confirmou. A PJ acrescentou que a investigação consolidada “revela indícios de um grupo liderado por pessoas do Continente, através de documentos falsos, que organizaram a vinda para Macau de estudantes do interior da China que não satisfaziam as qualificações académicas devidas, contornando o mecanismo de avaliação das qualificações da universidade”.
A PJ garantiu que irá continuar a colaborar com a polícia de Hong Kong e do Continente para encontrar as restantes pessoas envolvidas no caso.
As autoridades lembram que a falsificação de diplomas académicos e de resultados de avaliações constitui o crime de falsificação de documentos previsto no Código Penal, que é punido com pena de prisão até 3 anos.
Neste caso, a PJ apela aos jovens para que respeitem a lei e a sua integridade pessoal, e para que não utilizem documentos falsificados na candidatura aos estudos e na procura de emprego. “O registo criminal terá um impacto negativo grave no desenvolvimento da carreira de uma pessoa”, apontou a polícia, alertando para não correrem riscos e não tentem infringir a lei. “Informe a polícia o mais rapidamente possível se um residente ou uma organização for suspeita de ser vítima de um crime ou uma infracção penal”, frisou.











