Um inquérito sobre a saúde mental revela que os jovens em Macau apresentam um risco “relativamente mais elevado” em comparação com os outros grupos etários de residentes, tendo verificado que 35,9% dos jovens entrevistados são afectados por emoções relacionadas com a depressão do nível moderado a grave. Já a taxa de risco entre os inquiridos em geral atingiu 27% relativamente à depressão, e 19% para os transtornos de ansiedade.
A Associação de Saúde Mental de Hong Kong e Macau e a Faculdade de Medicina da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) realizaram um inquérito sobre o estado da saúde mental em Macau e descobriram que os residentes locais mostram um risco elevado de depressão e ansiedade, com uma taxa de risco destas perturbações até 27% e 19%, respectivamente. Ou seja, um em quatro residentes locais tem tendência de sofrer de depressão, e um em cinco poderá sofrer de transtornos de ansiedade, segundo um inquérito conduzido a 1.500 residentes entre Abril e Julho, citado pelo Jornal Ou Mun.
Os resultados do inquérito deram ainda conta que o risco detectado entre o grupo jovem situa-se num nível mais elevado face aos outros grupos etários. Entre os entrevistados com idade compreendida entre os 18 e os 34 anos, o risco para depressão de grau moderado a grave atingiu 35,9%, sendo que esse valor correspondeu a 19,4% para os residentes que têm idade de 34 anos ou mais.
Foram observados resultados semelhantes para as perturbações de ansiedade, com riscos de 25,2% nos jovens e de 14,9% no grupo etário com mais de 34 anos, o que “reflecte um risco elevado para a saúde mental dos jovens que não deve ser ignorado”, alertou a equipa responsável pelo estudo. “Por conseguinte, os jovens devem ser o principal grupo-alvo da promoção da saúde mental”, acrescentou.
No entanto, a falta de motivos para recorrer a ajuda continua a ser um problema. De acordo com a Associação e a Universidade, mais de metade dos inquiridos não pretendia procurar ajuda profissional quando se sentia deprimido ou ansioso. “As principais razões prendiam-se com o facto de eles pensarem que eram capazes de lidar com a situação, ou de terem uma vida ocupada e sem tempo para ir à consulta, enquanto alguns não queriam solicitar apoio porque pensavam que o custo do serviço era elevado e não queriam suportá-lo”, constataram.
O inquérito indica que os entrevistados preferem procurar ajuda junto de amigos e membros da família, seguindo-se de psicólogos clínicos e agentes de aconselhamento emocional, enquanto os assistentes sociais ficaram em quarto lugar da lista. Além disso, os residentes entrevistados apontaram para o trabalho, os assuntos familiares e a situação financeira como as principais fontes de pressão emocional.
Dessa forma, Ching Chi Kong, director executivo da Associação de Saúde Mental de Hong Kong, defendeu o lançamento de mais serviços de sensibilização sobre a saúde mental destinados aos jovens. O médico instou às autoridades que, no âmbito do Plano de Acção para Macau Saudável, encorajem as escolas a introduzir programas de saúde mental em diferentes escolaridades. Sugeriu ainda que seja lançado um inquérito de cinco em cinco anos para monitorizar o estado de saúde mental dos residentes.
ESCOLAS TERÃO MATERIAIS DIDÁCTICOS PARA A SAÚDE MENTAL
A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude vai lançar, mensalmente, materiais didácticos sobre a saúde mental no ensino não superior, anunciou o Executivo à margem de uma reunião plenária do Conselho de Juventude na passada sexta-feira. Segundo a chefe do Departamento do Ensino Não Superior, Choi Man Chi, os materiais didácticos serão utilizados nas aulas de educação cívica e abrangem oito temas como as emoções, relação de amizade e a educação para a vida, de modo a permitir que os alunos prestem mais atenção, compreendam e lidem com as suas emoções e pressão.











