Rovanperä vence no Chile e devolve esperança à Toyota

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Jovem finlandês somou quarta vitória da temporada apesar de estar a cumprir um programa parcial de provas. Dobradinha da Toyota encurta terreno para a Hyundai no mundial de construtores. Thierry Neuville geriu vantagem na corrida pelo campeonato.

 

Kalle Rovanperä venceu o Rali do Chile com uma margem confortável de 23.4 segundos para galês Elfyn Evans, colega de equipa na Toyota. O finlandês, bicampeão do mundo, navegado pelo compatriota Jonne Halttunen, somou o quarto triunfo da temporada nas sete provas que cumpriu este ano.

Rovanperä, que não está na corrida pelo título, ainda trocou de posições com Elfyn Evans e Ott Tanak durante o fim-de-semana, mas depois de agarrar a liderança foi gerindo a vantagem, apesar de ter confessado algum desconforto com as condições no Chile, um rali marcado por alguma chuva, falta de aderência e nevoeiro que condicionaram a visibilidade na estrada e as escolhas de pneus.

“Esta vitória sabe muito bem. Não foi fácil em nenhum momento. Nunca me senti muito confortável, mas fomos avançando sem grandes erros. Foi decisivo para ajudar a equipa a marcar pontos importantes na luta pelo mundial de construtores”, afirmou no final o finlandês.

Quem também voltou a mostrar serviço foi Elfyn Evans, após um par de provas para esquecer. O galês chegou a ameaçar a vitória de Rovanperä, mas teve de contentar-se com o segundo lugar, tendo perdido muito tempo na altura em que o nevoeiro tomou conta das montanhas chilenas. O campeonato é uma miragem (Evans e o navegador Scott Martin ainda não venceram este ano), mas os pontos acabaram por ser decisivos para as aspirações da Toyota, que encurtou a desvantagem no mundial de construtores para a Hyundai. A diferença é agora de apenas 17 pontos.

Ott Tanak completou o pódio com uma performance segura, ainda ameaçou a liderança, mas uma aposta errada de pneus acabou por comprometer as aspirações do estónio. Ainda assim conseguiu ganhar 5 pontos a Thierry Neuville na corrida pelo título, uma vez que o belga optou por uma condução mais defensiva, sabendo à partida que as dificuldades de abrir a estrada davam pouca margem de manobra para um resultado mais promissor. Neuville e o navegador Martijn Wydaeghe terminaram no quarto lugar, somaram 15 pontos, têm agora 207 contra os 178 de Ott Tanak e Martin Jarveoja e os 166 de Sébastien Ogier e Vincent Landais quando faltam apenas duas rondas para o final do campeonato.

“Já sabíamos que ia ser difícil, mas penso que fizemos o melhor possível. Podemos ficar contentes com o resultado”, confessou Neuville, que nunca esteve tão perto do primeiro título de campeão.

Adrien Fourmaux e Alexandre Coria (Ford Puma Rally1) terminaram em quinto, naquela que foi a primeira visita da parelha da M-Sport ao rali sul-americano. Alguns problemas impediram um resultado melhor. Os finlandeses Sami Pajari e Enni Malkonen voltaram a mostrar serviço, após uma nova oportunidade ao volante de um Rally, com uma performance segura e sem erros, o que vai colocar a equipa a pensar duas vezes em relação ao regresso de Takamoto Katsuta. O luxemburguês Gregoire Munster (Ford Puma Rally1), navegado pelo belga Lois Louka, ficou no sétimo lugar. O finlandês Esapekka Lappi (Hyundai i20 N Rally1) e o letão Martins Sesks (Ford Puma Rally1) enfrentaram muitos problemas e terminaram bem longe dos lugares da frente.

 

Toyota faz o pleno de pontos

 

A Toyota chegou ao Chile com o orgulho ferido depois da Hyundai ter conseguido os três primeiros lugares do pódio na Grécia. Foi Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) quem entrou ao ataque logo nas primeiras especiais de sexta-feira (a primeira viria a ser anulada na sequência do mau comportamento dos espectadores), mas um erro de cálculo e um consequente furo comprometeram desde logo as aspirações do francês. No sábado não conseguiu evitar uma pedra e abandonou com a suspensão partida. Só regressaria no ‘Super Domingo’ onde colocou todas as fichas em jogo, amealhando o máximo de pontos disponíveis (12), uma vez que conseguiu também o tempo mais rápido na ‘Power Stage’. Os pontos de Ogier, somados aos de Rovanperä e de Evans significam que a Toyota é a primeira equipa a conseguir somar o máximo de pontos disponíveis num fim-de-semana de rali, 55, um esforço decisivo para manter a equipa na corrida pelo mundial de construtores.

O Rali do Chile ficou também marcado pelos escassos comentários de Sébastien Ogier nas entrevistas rápidas no final das classificativas. Uma forma de protesto por parte do gaulês depois da FIA lhe ter aplicado uma multa de 30 mil euros, com pena suspensa, na sequência de críticas à organização efectuadas numa entrevista durante o Rali da Grécia.

 

WRC2 ao rubro

 

A dobradinha do francês Yohan Rossel e do búlgaro Nikolay Gryazin (Citroën) no Rali do Chile valeu o título de equipas à DG Sport Competition. A vitória de Rossel mantém vivas as esperanças do francês na corrida pelo campeonato WRC2, uma vez que Oliver Solberg (Skoda) não foi além do quarto lugar. O sueco lidera o campeonato, teria garantido o título em caso de vitória, mas já completou o máximo de sete eventos permitidos no WRC2. Sami Pajari e Yohan Rossel ainda estão na corrida. Solberg mostrou-se inconsolável no final do rali. Foi o que venceu mais classificativas, estava na liderança do rali, mas perdeu muito tempo quando teve de mudar um pneu na sequência de um furo.

“Penso que merecíamos a vitória, sem dúvida. E também a vitória no campeonato. É um sabor muito amargo neste momento. Estou um pouco emocionado… queria ganhar, agora é difícil. É tudo o que sonhei (vitória no campeonato)”, desabafou o sueco, enquanto limpava as lágrimas.

Entretanto o paraguaio Diego Dominguez assegurou o título na classe WRC3.

O campeonato do mundo de ralis regressa agora a solo europeu, com o Rali da Europa Central, que vai percorrer as estradas de asfalto de três países vizinhos (Alemanha, República Checa e Áustria), entre 17 e 20 de Outubro.