Morreu Diamantino Ferreira, vulto da comunidade macaense

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Morreu na terça-feira Diamantino de Oliveira Ferreira, antigo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCMM) e deputado por Macau na Assembleia Constituinte de 1975. Diamantino Ferreira foi também conservador, notário, advogado e juiz. Ao PONTO FINAL, a comunidade macaense recorda-o como um vulto e uma referência.

 

Morreu na terça-feira Diamantino de Oliveira Ferreira, figura de referência da comunidade macaense. Diamantino Ferreira destacou-se como deputado por Macau na Assembleia Constituinte de 1975 e provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCMM).

Formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Diamantino Ferreira foi advogado, juiz substituto do Tribunal da Comarca de Macau, notário público e privado e também conservador. Na década de 1970, Diamantino Ferreira entrou em funções no cargo de provedor da SCMM, onde ficou durante 15 anos. Depois disso, ainda fez um mandato enquanto presidente da mesa da assembleia-geral da SCMM. António José de Freitas, actual provedor da SCMM, descreveu, em declarações ao PONTO FINAL, Diamantino Ferreira como “uma referência da comunidade macaense” e “uma pessoa muito respeitada por toda a gente”.

Após o 25 de Abril de 1974, Portugal realizou as primeiras eleições por sufrágio universal em 1975. Para a Assembleia Constituinte, foram eleitos 250 deputados. Entre eles, Diamantino Ferreira, deputado eleito por Macau, ligado à Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM), associação política de matriz portuguesa e de cariz conservador fundada em 1974 no território por um grupo de macaenses, entre os quais estavam Delfino José Rodrigues Ribeiro e Carlos Augusto Corrêa Paes d’Assumpção. A lista da ADIM conseguiu um total de 1622 votos (0,03%).

Após a aprovação da Constituição, em 1975, Diamantino Ferreira apresentou uma declaração de voto em que aplaudia as disposições do texto constitucional e destacava as disposições relativas aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e aos direitos e deveres de expressão económica, social e cultural. O deputado de Macau manifestou também a sua “fundada esperança na institucionalização, por via da lei fundamental, da democracia e da liberdade em Portugal”. Na sua declaração de voto, Diamantino Ferreira transmitiu também à Assembleia Constituinte o “regozijo da população de Macau por ver constitucionalmente satisfeitas as suas justas aspirações: a permanência da administração portuguesa e o estatuto de autonomia”.

Em Agosto de 1975, numa sessão da Assembleia Constituinte, aproveitou para congratular o órgão por “desinserir” o “caso de Macau” do “processo português de descolonização”.

Ao PONTO FINAL, José Luís Sales Marques também destacou o facto de Diamantino Ferreira ter representado Macau na Assembleia Constituinte. Na opinião de Sales Marques, o representante de Macau “deu um grande contributo para que a situação peculiar de Macau fosse conhecida na capital e reflectida na nova Constituição da República Portuguesa”.

Miguel de Senna Fernandes também destacou a carreira política. “Foi importantíssimo para Macau, sobretudo depois do 25 de Abril”, comentou o macaense em declarações ao PONTO FINAL, descrevendo-o como “um homem bastante culto” e “um aluno brilhante”.

Foi “um homem de serviço público”, acrescentou Miguel de Senna Fernandes, considerando Diamantino Ferreira “um vulto da comunidade macaense”, juntando-se a nomes como Carlos d’Assumpção e Henrique de Senna Fernandes na “elite da comunidade macaense”.