Despesas mensais dos agregados familiares subiram 1,7% em seis anos. Receitas cresceram 0,4%

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

Ao passo que a despesa média dos agregados familiares subiu 1,7% em seis anos, no mesmo espaço de tempo a receita média dos agregados familiares aumentou apenas 0,4%. Segundo os resultados do Inquérito às Despesas e Receitas Familiares, actualmente a receita média mensal por agregado familiar é de 58.835 patacas.

 

O ritmo de crescimento das receitas dos agregados familiares não tem acompanhado o das despesas. A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) divulgou na sexta-feira os resultados do Inquérito às Despesas e Receitas Familiares, que mostram que, nos últimos seis anos, as despesas aumentaram 1,7%, enquanto as receitas cresceram apenas 0,4%.

Os resultados indicam que, entre Março de 2023 e Março deste ano, a receita média mensal por agregado familiar, incluindo os rendimentos do emprego, os rendimentos de propriedade, as transferências monetárias e as transferências não monetárias, cifrou-se em 58.835 patacas, registando um acréscimo ligeiro de 0,4%, face a 2017/2018. Segundo a DSEC, isto deveu-se principalmente à redução da dimensão do agregado. Neste inquérito, verificou-se uma diminuição do número de membros dos agregados familiares, de 3,04 para 2,83.

A receita mensal ‘per capita’ – receita média mensal do agregado familiar dividida pelo número médio de membros por agregado -, que se situou em 20.815 patacas, aumentou 7,8%, em termos reais, devido à redução do número médio de membros por agregado familiar, explica a DSEC. Os rendimentos do emprego continuaram a ser a principal fonte de receita dos agregados familiares, representando 67% do total. Seguiram-se os rendimentos provenientes das transferências monetárias que equivaliam a 19,4% do total, indicam os resultados do inquérito, que acrescenta que a média mensal dos subsídios e apoios atribuídos pelo Governo aos agregados familiares aumentou, nesse período, 42,1%.

Actualmente, a despesa média mensal em consumo por agregado familiar cifrou-se em 38.115 patacas, ou seja, um acréscimo real de 1,7%, face a 2017/2018. Por seu turno, a despesa mensal em consumo ‘per capita’ situou-se em 13.484 patacas, registando um aumento de 9,2%, “notavelmente acima do acréscimo da despesa média mensal em consumo por agregado, visto que a redução do número médio de membros por agregado implicou maiores despesas correntes, tais como as rendas e as despesas com electricidade, as quais são partilhadas pelos membros”, explica a DSEC.

O consumo foi dominado pela secção da habitação e combustíveis, que representou 25% do total da despesa em consumo, apesar da descida de 1,9 pontos percentuais face a 2017/2018. Seguiu-se a secção de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, equivalendo a 24,7% do total e subindo 2,7 pontos percentuais.

A DSEC fez as contas ao Índice de Gini, que é um indicador do grau de igualdade da distribuição de receitas, utilizado frequentemente a nível internacional. O valor do índice varia entre 0 e 1, aproximando-se de 0 quando a distribuição é mais igual e, ao contrário, acercando-se de 1 quando a distribuição é mais desigual. Em 2023/2024 o Índice de Gini ‘per capita’ de Macau registou o valor 0,324, superando ligeiramente 0,009 face a 0,315 em 2017/2018. Quando se excluem do cálculo os subsídios e apoios do Governo, é obtido um Índice de Gini per capita de 0,396.