A dimensão da zona pedonal da Rua da Felicidade deverá ser reduzida em breve com a reabertura ao trânsito de algumas ruas adjacentes, e vai continuar a ficar exclusiva aos peões uma parte da própria Rua da Felicidade. O Instituto Cultural recuou no plano de revitalização da zona após uma reunião realizada ontem com os responsáveis de lojas da área e o deputado Ron Lam, mas ainda não há data para a reabertura. Os comerciantes queixam-se de quebras no negócio após a inauguração da zona pedonal, sendo o impacto causado pelas restrições de trânsito e diminuição do fluxo de turistas.
Um ano após o lançamento do Plano de revitalização da zona pedonal da Rua da Felicidade, algumas artérias da zona deverão ser reabertas ao trânsito e, assim, apenas um troço da própria Rua da Felicidade continuará a ficar reservado para os peões. Foi este ajuste preliminar que o Instituto Cultural (IC) adiantou ontem aos comerciantes da zona e ao deputado Ron Lam, depois de uma reunião de mais uma hora para abordar as actuais dificuldades de negócio e preocupações dos comerciantes.
“A intenção original do plano da zona pedonal é boa, mas na prática o encerramento do tráfego pode resultar na perda de clientes. O Governo deu agora uma reacção positiva, disse que vai estudar e dar uma proposta, sugerindo que a zona pedonal se limitasse numa parte da Rua da Felicidade, pelo que as outras vias serão reabertas”, revelou Ron Lam, citando o IC, em declarações aos jornalistas à margem da reunião.
Segundo o deputado, o Executivo garante que irá ponderar e analisar seriamente a questão e vai responder “em breve”, mas até ao momento não há um plano definitivo para o ajustamento. Leong Wai Man, presidente do IC, esteve na Rua da Felicidade ontem de manhã, mas deixou o local depois da reunião com os moradores.
A referida zona pedonal é actualmente compreendida entre a Rua da Felicidade, a Travessa do Mastro, a Travessa do Aterro Novo, a Rua do Matapau e a Travessa de Hó Lo Quai. O plano, em colaboração entre o Governo e a concessionária Wynn Resorts (Macau) S.A., está em funcionamento desde o dia 29 de Setembro do ano passado, estando encerrada ao trânsito rodoviário das 11h às 01h todos os dias, excepto veículos autorizados.
A concepção do plano tem como objectivo criar “uma experiência de turismo cultural e de lazer com a ligação da Rua da Felicidade às principais zonas turísticas”, visando criar condições para o público visitar e proporcionar “uma plataforma para as indústrias culturais e criativas e espectáculos artísticos”, bem como “melhorar o ambiente comercial”. Por um lado, as autoridades salientaram, há alguns meses, que o plano de revitalização “está a mostrar as caraterísticas culturais de Macau e teve resultados positivos em atrair pessoas para o bairro antigo” e, por outro lado, os comerciantes da zona mostraram preocupações sobre a quebra de negócio e dificuldade de transporte de mercadorias com as restrições de trânsito.
PEDIDOS DOS CIDADÃOS
O deputado Ron Lam afirmou ter recebido pedidos de ajuda dos comerciantes, que esperam cancelar o plano da zona pedonal. O legislador entregou ontem uma carta ao Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, e ao único candidato a Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, apelando para se retomar o mais rápido possível a passagem de veículos nas imediações.
“Muitos lojistas indicaram que o seu negócio foi pior do que antes da implementação da zona pedonal, com alguns a dizerem que o seu volume de negócios caiu pelo menos 20%, em média”, apontou Ron Lam, acrescentando que a maioria dos comerciantes disse que a restrição do tráfego levou a uma redução do número de clientes e o negócio diminuiu em vez de aumentar. “Um problema mais grave é o facto de o Governo ter afirmado muitas vezes publicamente que a zona pedonal é eficaz, o fluxo de pessoas está a aumentar e há uma série de novas lojas a instalarem-se. Essa afirmação tornou-se uma razão para os senhorios procurarem aumentar as rendas, havendo mesmo algumas lojas que decidiram encerrar devido ao aumento das rendas”, lamentou.
Na carta, foi proposta também a melhoria do ambiente das ruas e na restauração das fachadas das construções da Rua da Felicidade, reduzindo o número de instalações decorativas de grande escala, de modo a preservar as suas características arquitectónicas históricas originais.
Ron Lam frisou ainda que o horário de encerramento da zona ao trânsito, que se prolonga até às 01h, é demasiado longo, uma vez que “já não há fluxo de pessoas por volta das 21h.
OPINIÕES DIVIDEM-SE
O recuo das autoridades na execução do plano foi um passo positivo para os comerciantes na zona da Rua da Felicidade. A proprietária de um restaurante, de apelido Tong, confessou “estar surpreendida” por o IC ter concedido a reabertura de algumas ruas e disse “ficar grata pela compreensão” do Executivo. A residente considera viável reduzir o tempo de execução da zona pedonal uma vez que as actividades organizadas pela operadora de jogo só se realizam nos fins-de-semanas.
Já o senhor Ip, responsável de um restaurante, referiu que o início do projecto da zona pedonal teve bons resultados, mas depois a situação piorou. “Devido à promoção de ‘influencers’ e visitas de turistas, o fluxo de pessoas era como fogo de artifício, que explodiu durante algum tempo, mas mais tarde, com o mau ambiente económico, a deterioração dos negócios durou cerca de nove meses”, apontou.
Por sua vez, o senhor Chan, que pretende instalar em breve um negócio de retalho na Rua da Felicidade, manifestou o apoio à política da zona pedonal, tendo receio de que o seu negócio venha a ser afectado pelo futuro ajuste na dimensão da zona pedonal. O potencial investidor espera que o Governo equilibre as necessidades de diferentes comerciantes e apela à criação de zonas de tomada e largada de passageiros nas imediações.











