À medida que mais pessoas recorrem à Internet para realizar as tarefas do dia a dia, os riscos de ciberfraude aumentam. É agora fundamental que os residentes sejam cautelosos e tomem medidas para se protegerem de potenciais armadilhas nas transacções online, a fim de evitar quaisquer problemas, dizem os órgãos de segurança pública. A polícia analisou os casos recentes de burlas informáticas para compreender os métodos utilizados pelos burlões e para ajudar o público a manter-se alerta e a evitar ser vítima.
A Polícia Judiciária (PJ) alertou o público a estar especialmente atento, uma vez que o quarto trimestre do ano, a típica época de compras e de viagens, é uma altura privilegiada para as burlas informáticas. Com o início de um novo ano lectivo, as actividades online dos jovens e a sua presença nas redes sociais também aumentaram, tornando-os ainda mais susceptíveis a burlas informáticas.
Os ataques de “phishing” estão cada vez mais agravados, com os autores de fraudes a utilizarem várias tácticas para induzir as pessoas a introduzir as suas informações pessoais em páginas ‘web’ falsas. “Phishing” é um crime cibernético. Num esquema de “phishing”, o alvo é contactado por correio electrónico, telefone ou mensagem de texto por alguém que se faz passar por um contacto pessoal próximo ou em nome de uma instituição legítima. O objectivo é fazer com que as vítimas revelem dados sensíveis, como os números da conta bancária, a morada, os dados do cartão de crédito, nomes de utilizador e palavras-passe ou outras informações pessoais. A informação é depois utilizada para aceder a contas importantes e pode resultar em roubo de identidade e perdas financeiras. Comumente, estes atacantes enviam mensagens aleatórias com links perigosos, mas manipular os resultados dos motores de busca para garantir que os websites de “phishing” aparecem no topo é também uma táctica comum para enganar o público. Estes websites são concebidos para parecerem extremamente semelhantes aos verdadeiros, fazendo com que as pessoas desinformadas ou distraídas caiam na armadilha. Nos primeiros oito meses deste ano, a PJ registou um aumento de 72% nos casos de utilização ilícita de cartões de crédito e de 25 casos de fraude informática associados a contas de plataformas de pagamento.
As fraudes na compra de bilhetes online têm-se tornado também cada vez mais frequentes, com os burlões a criarem páginas falsas e anúncios em plataformas sociais para enganar as pessoas e levá-las a comprar bilhetes sob o pretexto de serem mais baratos ou até mesmo raros. De acordo com a PJ, nos primeiros oito meses deste ano, registou-se um aumento de 19% nos casos de burlas em compras online relacionadas com a compra de bilhetes, sendo que quase 70% dos casos envolvem bilhetes online. Os jovens são particularmente vulneráveis a estas fraudes, uma vez que, por estarem entusiasmados para assistir a espectáculos de celebridades que admiram, compram frequentemente bilhetes através de canais não oficiais a preços elevados. Os burlões utilizam várias tácticas, tais como a falsificação de bilhetes, o roubo de informações do cartão de crédito e o engano das vítimas com falsas “falhas na transacção”.
A PJ alerta ainda para as burlas de anúncios de emprego falsos nas plataformas das redes sociais. Estes “empregos” consistem na indução das vítimas a registar encomendas falsas e a completar tarefas. As vítimas são posteriormente indicadas a pagar as encomendas com o seu próprio dinheiro, com a promessa de que este será reembolsado juntamente com uma comissão pelo “empregador”. No entanto, as vítimas nunca conseguirão recuperar o seu dinheiro. Nos primeiros oito meses deste ano, registou-se um aumento de 48% nos casos de fraude relacionados com o registo de encomendas.
Além das fraudes acima descritas, existem outras fraudes cibernéticas comuns, como amigos fictícios, pedidos de grupos de investimento, conselhos de celebridades e pedidos de amizade de estranhos e propostas de actividades de cariz sexual. As burlas telefónicas, nas quais os autores do crime se fazem passar por funcionários do Governo, também ocorrem com a mesma frequência. A PJ está agora a implementar estratégias de prevenção, recuperação e combate a estas fraudes informáticas, incluindo um programa anti-fraude em instituições de ensino superior e a colaboração com o sector financeiro, no sentido de melhorar as medidas contra os pagamentos online e presenciais.
Entre 2020 e 2023, com excepção de 2022, o número de processos de burla informática abertos no 4.º trimestre deste ano foi superior ao dos restantes trimestres. A participação e a cooperação do público são cruciais na luta contra as burlas e as pessoas devem ter o máximo de cuidado com as informações que recebem na Internet. Para verificar a autenticidade de uma situação ou determinar se se trata de uma burla, os residentes podem utilizar o miniprograma antiburla ou ligar para a linha telefónica directa da PJ.











