Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, divulgou ontem os dados estatísticos da criminalidade ao longo do primeiro semestre do ano, segundo os quais se registou na região um aumento de 14,6% no número total de inquéritos criminais, em comparação com o mesmo período do ano passado. Relativamente ao primeiro semestre de 2019, verificou-se um aumento de 3,5%.
Foram apresentados ontem os dados estatísticos da criminalidade em Macau ao longo do primeiro semestre do ano. Os dados, apresentados por Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, mostram que, nos primeiros seis meses do ano, foram instaurados, no total, 7.160 inquéritos criminais, ou seja, mais 14,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. Já em comparação com os primeiros seis meses de 2019, verificou-se um acréscimo de 3,5%.
Na apresentação, o secretário começou por notar que o número de turistas está a aumentar, o que traz “novos desafios para a gestão da segurança pública” de Macau.
No que toca aos crimes contra pessoas, a polícia instaurou 1.191 inquéritos. A grande maioria deles (546) teve a ver com ofensa simples à integridade física, sendo que este número revela um aumento ligeiro de 0,7% face ao primeiro semestre do ano passado e uma diminuição de 17,6% em comparação ao mesmo período de 2019.
Registaram-se também 13 casos de abuso sexual de crianças, menos cinco do que nos primeiros seis meses de 2023, mas mais oito do que no período homólogo de 2019. O número de sequestros aumentou a pique: há um ano tinham sido registados apenas nove casos e este ano foram 29.
VIOLAÇÕES SOBEM 70%
Houve ainda 34 casos de violação, mais 70% face aos 20 do primeiro semestre do ano passado e mais 47,8% em comparação com os 23 da primeira metade de 2019. Wong Sio Chak comentou estes números, notando que mais de 60% das vítimas não eram residentes de Macau. Além disso, afirmou o secretário, “os crimes ocorreram em quartos de hotel, não sendo de afastar a hipótese de que alguns dos casos tenham ocorrido num contexto de relações sexuais consentidas”. “Em relação aos casos que envolveram vítimas locais, alguns deles tiveram lugar após o consumo de bebidas alcoólicas em bares e, noutros casos, as vítimas e os suspeitos conheciam-se”, disse ainda o governante, indicando que as autoridades continuam a reforçar as acções de sensibilização de prevenção deste tipo de crimes.
BURLAS ALAVANCARAM AUMENTO GERAL DA CRIMINALIDADE
Quanto aos crimes contra o património, foram registados 4.418 casos, sendo que a maioria (1.394) foram de burlas. Isto reflecte uma subida de 44% face ao primeiro semestre de 2023 e um crescimento significativo de 134,7% em comparação com o primeiro semestre de 2019. Aliás, Wong Sio Chak explicou que o aumento global da criminalidade neste último semestre se deve maioritariamente ao “aumento contínuo do crime de burla, e em particular, da burla com recurso às telecomunicações e da burla cibernética”. Verificaram-se ainda 1.052 casos de furto, mais 11,8% face ao primeiro semestre, mas menos 22% em comparação com o primeiro semestre de 2019.
CRIMINALIDADE INFORMÁTICA DISPARA
As autoridades deram ainda conta de uma subida significativa nos casos de criminalidade informática. No primeiro semestre do ano, foram verificados 429 crimes deste género, ou seja, mais 66,3% em comparação com o período homólogo do ano passado, e mas 193,8% face aos primeiros seis meses de 2019.
Houve também 24 casos de tráfico e venda de estupefacientes, menos dois do que no ano passado. O número de casos de aliciamento, auxílio, acolhimento e emprego de imigrantes ilegais foi de 215, menos 10% face ao ano passado. Já os casos de simulação de casamento, de adopção ou de contrato de trabalho cresceram 12,3% para 64.
CRIMINALIDADE VIOLENTA TAMBÉM AUMENTOU
Os dados revelados ontem mostram também que, no primeiro semestre deste ano se registaram um total de 149 casos de criminalidade violenta, o que traduz um aumento de 27 casos em comparação com o mesmo período de 2023, mas uma diminuição de 174 casos em comparação com o período homólogo de 2019. No âmbito dos crimes de violência grave, tais como o rapto, homicídio e ofensas corporais graves, “continuamos a manter uma taxa zero ou uma taxa muito baixa”, assinalou o secretário.
No primeiro semestre deste ano, registaram-se 63 casos de delinquência juvenil, o que representa um aumento de sete casos e 28 casos por comparação com os mesmos períodos do ano 2023 e do ano 2019, respectivamente. O número de jovens envolvidos foi de 89, o que, em comparação com os períodos homólogos de 2023 e de 2019, traduz um aumento de 11 jovens e 31 jovens, respectivamente.
As autoridades dizem ainda que, durante as operações policiais e as operações de investigação efectuadas no primeiro semestre deste ano, foram detidos e presentes ao Ministério Público, no total, 2.743 indivíduos, o que reflecte um aumento 40,2% comparando com o mesmo período do ano 2023, mas que, comparativamente com o período homólogo de 2019, representa uma diminuição de 16,1%.
Criminalidade associada ao jogo aumentou face ao ano passado
O secretário para a Segurança detalhou também os dados da criminalidade relacionada com a indústria do jogo. Neste sector, foram contabilizados 683 inquéritos criminais, um aumento de 261 processos em comparação com o período homólogo de 2023, representando uma subida de 61,8%, mas ainda assim, uma redução de 285 casos e de 29,4%, em comparação com o mesmo período do ano 2019. A subida em relação ao ano passado foi explicada por Wong Sio Chak com “o aumento substancial do número de turistas e com a recuperação da indústria do jogo”. Os dados indicam que, de entre os tipos de crime relacionados com o jogo no primeiro semestre deste ano, os casos de burla são os mais comuns, com um total de 159 casos, perfazendo 23,3% da totalidade dos crimes; a seguir, destacaram-se os casos de usura, com 122 casos, perfazendo 17,9%; a apropriação ilegítima atingiu 95 casos, perfazendo 13,9%; os casos de furto foram 80, perfazendo 11,7%; os casos de desobediência (à violação da interdição de entrada nos casinos) totalizaram 54, perfazendo 7,9%; os casos de sequestro e de ofensas à integridade física, cada um deles com 23 casos, perfazendo cerca de 3,4%; quanto aos restantes crimes, estes representaram menos de 3% do total.
Wong Sio Chak disposto a continuar no Governo
Na conferência de imprensa de ontem, Wong Sio Chak foi questionado sobre se irá continuar no próximo Governo. O secretário para a Segurança lembrou que já há 30 anos que presta serviço na Administração. “Mas também acho que tenho de trabalhar mais”, afirmou, acrescentando que o futuro depende do próximo Chefe do Executivo e do Governo Central: “Se eles quiserem que eu continue, eu estou disposto a fazê-lo”. Wong Sio Chak está no cargo de secretário para a Segurança desde 2014, tendo permanecido nestas funções nos governos de Chui Sai On e de Ho Iat Seng. Antes disso, Wong Sio Chak foi director da Polícia Judiciária.











