Coutinho pede “justiça” no pendente processo de adesão de Macau ao Comité Olímpico Internacional

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

A participação dos atletas [nas Olimpíadas] com as cores de Macau-China seria um acto de ‘justiça’ para com os cidadãos”. O deputado José Pereira Coutinho levantou questionamentos sobre a adesão de Macau ao (COI) desde a candidatura realizada em 1989. O território enfrenta desafios relacionados ao seu estatuto político e ao reconhecimento internacional, resultando em frustração para os atletas locais, especialmente nas modalidades de Karaté e Taekwondo. Uma interpelação escrita do deputado apresenta algumas das complicações do processo de adesão e suas implicações para o desporto em Macau.

 

Numa interpelação escrita anunciada ontem, o deputado José Pereira Coutinho delineou os principais pontos sobre o esforço de Macau, e seus atletas, na adesão ao Comité Olímpico Internacional (COI), um tema de relevância vital para o desporto local. Desde a sua candidatura em 1989, o processo tem enfrentado obstáculos significativos, reflectindo a complexidade da relação de Macau com instituições internacionais.

Uma das questões centrais levantadas pelo deputado é a razão pela qual a candidatura de Macau permanece pendente. É importante compreender que o estatuto político da RAEM, a sua relação com a República Popular da China, e os requisitos do COI para reconhecimento internacional moldam a situação actual. Embora Macau possua o direito de se juntar a organizações internacionais, a sua integração ao COI é uma questão que envolve negociações delicadas e uma visibilidade que transcende as questões meramente desportivas, segundo Coutinho.

Em 2007, o processo parecia estar prestes a ser concluído. Tanto que em 2008, Victor Chan, ex-director do Gabinete de Comunicação Social, chegou a dizer que “o grande objectivo é competir nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012”. Mas nada foi concluído. Coutinho aponta para a necessidade “essencial” de avaliar quais diligências foram efectivamente realizadas pelas autoridades locais junto do COI durante este período e os anos seguintes.

Em contraste com a Região Administrativa Especial de Hong Kong, que conquistou a sua adesão e subsequente participação nos Jogos Olímpicos, Macau ainda não encontrou um caminho claro para “oficializar” a sua adesão, o que resulta numa frustração contínua para os atletas locais, especialmente para aqueles que se dedicam a modalidades como Karaté e Taekwondo, que têm uma forte tradição e base de praticantes na região, como descrito pelo deputado. “(…), apesar de Macau não ser um Estado independente, o território tem garantido, pela sua Lei Básica, o direito de aderir a organizações internacionais que não estejam restritas apenas aos Estados soberanos”, esclareceu Coutinho.

O deputado questiona também quais estratégias têm sido delineadas pelo Governo de Macau para avançar com este processo. Para Coutinho, uma abordagem estratégica, que contemple a dinâmica de negociação entre Macau e as instâncias do COI, é crucial para justificar a investida de recursos no desenvolvimento do desporto local e no apoio a atletas de alta competição. O potencial de Macau no cenário desportivo não pode ser subestimado, e os investimentos realizados ao longo dos anos clamorosamente exigem a formalização da presença do território no sistema olímpico internacional.

Diante do empenho do Governo em concretizar a adesão ao COI, o deputado deixou claro que é urgente que sejam delineadas acções claras e concretas. Posteriormente à ancoragem institucional, será necessário criar um ambiente que ajude a florescer a ambição desportiva e a promoção de uma cultura que favoreça a competitividade e o talento local. É uma questão de “justiça” para os atletas de Macau que, tal como seus pares de Hong Kong, têm o direito de representar as cores de sua terra em competições mundiais, concluiu Coutinho

O deputado realça ainda a necessidade de um esforço contínuo e estratégico por parte do Governo. As respostas que a administração local proporcionará não só dirão respeito às expectativas dos atletas, mas também à promoção da identidade e do potencial desportivo da RAEM no cenário internacional.