O estudo “Macau: Reconstrução da Rota Marítima da Seda para os Países Latinos” sugere que a RAEM aposte mais na cooperação económica com os países da América Latina e diz que deve ser estabelecido um Fórum China-América Latina aproveitando as “vantagens linguísticas e culturais” de Macau. Este estudo diz mesmo que a região pode vir a tornar-se a “Miami do Oriente”.
A relação entre a China e os países da América Latina através da plataforma proporcionada por Macau é o tema de um estudo publicado na última edição da Revista de Administração Pública, intitulado “Macau: Reconstrução da Rota Marítima da Seda para os Países Marítimos”, da autoria de Wang Hai, investigador do Instituto de Economia da Academia de Ciências e Sociais da Província de Jiangsu.
O estudo recorda que”, no século XVI, Macau tornou-se uma porta de comércio internacional da China, voltada para os países latinos do mundo, e um centro de comércio mundial, tendo a Rota Marítima da Seda irradiado, de Macau, para os países latinos dos continentes da Ásia, da Europa, da África e da América, abrindo um vasto e sem precedentes mercado internacional para os produtos tradicionais chineses, como a seda, o chá e a porcelana”.
Mesmo mais tarde, “Macau manteve relações económicas e culturais com os países falantes de língua latina, como Portugal, Espanha, França e Itália, e irá obter vantagens tornando-se, novamente, um centro de comércio internacional sempre com condições adequadas”. Actualmente, Macau é visto como uma “importante plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os países lusófonos”, diz o investigador.
Hoje em dia, a China pretende alargar as sua relações económicas e comerciais por todo o mundo através da Rota Marítima da Seda do século XXI. Para tal, “a China necessita de criar uma porta de intercâmbio translinguístico e cultural internacional, altamente desenvolvido, como Miami”, diz o estudo, acrescentando que, “à medida que a China prossegue a sua abertura ao exterior, muitos académicos e empresários do país propuseram fazer de Miami uma porta de entrada para as empresas chinesas no mercado latino-americano”.
“Historicamente, Macau passou a ser uma porta de intercâmbio internacional, donde irradiava a Rota Marítima da Seda para os países latinos, com extensos laços económicos estrangeiros, com um sistema de porto livre, com multiculturalidade profunda e altamente aberta, que tem capacidade para se adaptar às exigências da circulação de pessoas, de mercadorias, de capitais, de tecnologia e de informação bem sucedida num contexto de globalização, como forma de promover a liberdade e a conveniência ao investimento comercial, ultrapassando os obstáculos resultantes das diferenças fronteiriças e dos sistemas económicos, das diferentes línguas e culturas existentes entre cada país, com o fim de reunir os recursos mundiais para o desenvolvimento das economias em offshore e transnacionais”, refere o investigador.
Wang Hai diz mesmo que “Macau tem vantagens singulares no intercâmbio cultural e translinguístico entre a China e a América Latina e dispõe de condições especiais que lhe permitem tornar-se a ‘Miami do Oriente'”, ou seja, uma cidade que funciona como uma “porta de intercâmbio e uma plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os Países Latinos, na reconstrução da Rota Marítima da Seda para estes países”. Em Miami, recorde-se, existem mais de 50 consulados de todo o mundo, mais de 30 câmaras de comércio internacional, mais de 100 bancos estrangeiros e mais de 1000 sedes de empresas transnacionais das regiões latino-americanas.
O investigador diz também que o mecanismo de cooperação económica, comercial e cultural do fórum China-América Latina “poderá ser estabelecido, de forma permanente, em Macau”, através do aproveitamento das “vantagens linguísticas e culturais” da cidade, podendo esta servir como “intermediária na instituição de uma plataforma de cooperação económica e comercial” entre a China e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, promovendo uma cooperação abrangente entre a China e a América Latina.
O estudo reitera que deverão ser aproveitadas as “vantagens de comunicação, de cultura e de variação translinguística que Macau tem, para construir redes destinadas a diversos intercâmbios concernentes à comercialização de mercadorias, ao financiamento financeiro, à introdução de tecnologia, à promoção turística, à comunicação de informação, à cooperação científica e educacional e à divulgação cultural”. “Macau tem como função o papel de ponte de ligação da China com os países latinos”, destaca o estudo.











