Os líderes chinês e timorense afirmaram ontem, numa declaração conjunta, que a relação entre os seus países tem um “significado estratégico maior do que nunca”, face à “aceleração da modernização da China” e “mudanças históricas no mundo”.
“Numa fase crítica de aceleração da modernização e de realização do rejuvenescimento [da China], ao mesmo tempo que ocorrem mudanças históricas no mundo, as relações entre China e Timor-Leste têm um significado estratégico maior do que nunca”, lê-se no documento assinado pelo Presidente timorense, José Ramos-Horta, e o homólogo chinês, Xi Jinping.
China e Timor-Leste elevaram, no ano passado, as relações bilaterais para uma “parceria estratégica abrangente”, o segundo nível mais alto no protocolo da diplomacia chinesa. “As discussões que tiveram lugar esta semana são uma continuação das conversações realizadas em 2023 sobre o estabelecimento de uma Parceria Estratégica Abrangente que abriu um novo capítulo nas relações bilaterais”, afirmou, num despacho, a agência noticiosa oficial Xinhua.
Na declaração conjunta, após uma visita de três dias de Ramos-Horta a Pequim, Timor-Leste louvou os “resultados impressionantes alcançados pela China na primeira década da Nova Era”, após a ascensão de Xi Jinping ao poder, e disse acreditar que “a modernização chinesa apresenta um novo paradigma, que alarga os caminhos e as opções para os países em desenvolvimento alcançarem a modernização”, numa altura em que Pequim oferece o seu modelo de governação como alternativa à democracia liberal.
Segundo o comunicado, “Timor-Leste acredita que o Partido Comunista da China vai liderar todo o povo chinês, de todos os grupos étnicos, num esforço concertado para concretizar o objetivo (…) de construir um grande país socialista moderno em todos os aspetos, e promover o rejuvenescimento da nação chinesa (…) através do caminho chinês para a modernização”.
As duas nações concordaram ainda em “melhorar a comunicação entre os governos [a nível central e local], os órgãos legislativos, os partidos políticos e promover a partilha de experiências de governação, de modo a solidificar a amizade e a confiança mútua política”.
Os dois líderes enfatizaram o apoio mútuo em questões relativas aos respetivos interesses centrais dois países, numa “demonstração do significado estratégico das relações”. “Timor-Leste reiterou a sua firme e inequívoca adesão ao princípio ‘uma só China’, reconheceu que existe apenas uma China no mundo e que o Governo da República Popular da China é o único Governo legítimo que representa toda a China e que Taiwan é parte inalienável do território chinês”, lê-se no documento.
Dili comprometeu-se a não estabelecer “qualquer forma de relação diplomática” ou conduzir “qualquer forma de contactos oficiais” com Taiwan e frisou o seu apoio a “todos os esforços do Governo chinês para realizar a reunificação nacional”.
Timor-Leste disse ainda respeitar “firmemente a posição da China relativamente a questões relacionadas com Xinjiang e ‘Xizang’”, numa referência às duas regiōes da China mais afectadas pelo separatamismo que utiliza o termo recentemente adoptado pelo Governo chinês para se referir ao Tibete. Dili disse ainda “apreciar muito a visão de uma comunidade com um futuro partilhado para a humanidade (…) e a Iniciativa de Segurança Global”.
As iniciativas propostas por Xi Jinping visam contrariar a arquitetura de segurança erguida pelo Ocidente depois da Segunda Guerra Mundial. Pequim acusa a doutrina ocidental de estimular o confronto entre blocos e minar a estabilidade em diferentes partes do mundo. “As duas nações envidarão esforços conjuntos para promover um mundo multipolar igualitário e ordenado e uma globalização económica universalmente benéfica e inclusiva”, lê-se no documento assinado por Ramos-Horta e Xi.
Situado entre o sudeste asiático e o Pacífico Sul, a leste da Indonésia e a cerca de 550 quilómetros da Austrália, Timor-Leste surge no centro de uma região que ocupa crescente importância geopolítica, face à crescente influência da China e aos esforços dos Estados Unidos e Austrália para contê-la.
Em particular, um pacto de segurança celebrado entre a China e as Ilhas Salomão, em 2022, suscitou receios entre os países ocidentais sobre a possibilidade de abertura de uma base militar chinesa no território. Lusa













