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      Aliança “bate à porta errada” ao considerar China um desafio, diz analista chinês

      A NATO está a “bater à porta errada” ao classificar a China como desafio sistémico, disse um conhecido analista chinês, sugerindo que os aliados aprendam com Pequim sobre como lidar com Moscovo.

      Gao Zhikai, que é actualmente um dos mais conhecidos comentadores da televisão chinesa, considerou que a Aliança Atlântica está a “violar a região geográfica” que se comprometeu a defender – o Atlântico Norte -, aquando da sua fundação, ao incluir a China no seu novo Conceito Estratégico. “Como é que a China constitui uma ameaça para a NATO ou qualquer um dos seus membros?”, questionou. “É óbvio que esta decisão foi promovida pelos Estados Unidos, como parte da sua estratégia de conter o desenvolvimento da China”. Para Gao Zhikai, que serviu como intérprete do antigo líder chinês Deng Xiaoping, a retórica “hostil” da Aliança é “contra os interesses” dos restantes países membros.

      O mais recente acordo feito pela China para comprar quase 300 aviões à fabricante europeia Airbus, num negócio avaliado em cerca de 36 mil milhões de euros, é “outro exemplo de porque os principais estados-membros da NATO, que também são membros muito importantes da União Europeia, devem aceitar a China como a maior potência económica do mundo em desenvolvimento, e não uma ameaça à qual se devem opor”, descreveu o analista.

      Na semana passada, a NATO classificou a Rússia como uma “ameaça” e a China como um “desafio sistémico” aos seus “interesses, segurança e valores”. “A China está a aumentar substancialmente a sua capacidade militar, incluindo armamento nuclear, e a intimidar os países vizinhos e a ameaçar Taiwan”, destacaram os aliados no seu novo Conceito Estratégico.

      Durante a cimeira da Aliança, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, acusou a China de “procurar minar a ordem internacional baseada em regras”. Gao Zhikai recusou, no entanto, que China e Rússia sejam aliadas. “A China não quer ser aliada de ninguém neste mundo”, realçou.

      Em entrevista à agência Lusa, o analista lembrou que, apesar de partilharem uma fronteira com mais de 4.000 quilómetros de distância, China e Rússia mantêm uma relação “pacífica” e de “benefício mútuo”. “A NATO quer culpar a China pelas hostilidades na Ucrânia. É um completo absurdo”, disse. “Penso que, se a NATO tivesse lidado com a Rússia, desde 1991, com o mesmo respeito que a China demonstrou, provavelmente não teríamos esta guerra na Ucrânia”, vincou.

      Semanas antes de a Rússia invadir a Ucrânia, em 4 de fevereiro, o Presidente chinês, Xi Jinping, recebeu o homólogo russo, Vladimir Putin. Os dois líderes anunciaram então uma parceria “sem limites”.

      O país asiático recusou condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia e criticou a imposição de sanções contra Moscovo. Pequim considera a parceria com o país vizinho fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, liderada pelos Estados Unidos.

       

      EUA PEDEM À CHINA QUE CONDENE RÚSSIA PELA INVASÃO

      Os Estados Unidos manifestaram à China preocupação pelo seu alinhamento com a Rússia e pediram a Pequim que condene Moscovo pela invasão da Ucrânia, anunciou o chefe da diplomacia norte-americana, Anthony Blinken. “Pequim diz que é neutra, mas eu digo-lhes que é muito difícil permanecer neutro perante tal agressão”, disse Blinken na ilha indonésia de Bali após uma reunião com o seu homólogo chinês, Wang Yi, segundo a agência espanhola EFE. Blinken e Wang estiveram reunidos durante cinco horas, um dia após o fim da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G20 sobre a guerra na Ucrânia e os seus efeitos na economia a nível global.

      Blinken disse que a China “continua a proteger” a Rússia “nas organizações internacionais e a fazer eco da sua propaganda”. “Este é realmente o momento em que todos precisamos de nos levantar, como fez um país do G20 após outro, para condenar a agressão e exigir, entre outras coisas, que a Rússia permita o acesso a alimentos bloqueados na Ucrânia”, disse Blinken, citado pela agência francesa AFP.

      A Rússia esteve representada na reunião de Bali pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov. A reunião de dois dias do G20 terminou sem uma declaração conjunta sobre o fim da guerra ou a forma de lidar com o seu impacto na segurança alimentar e energética. No entanto, Blinken disse acreditar que a Rússia saiu de Bali isolada e sozinha, referindo que a maioria dos participantes expressou oposição à guerra na Ucrânia. “Houve um forte consenso e a Rússia ficou isolada”, disse Blinken, segundo a agência norte-americana AP.

      Na quinta-feira, os ministros do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) boicotaram o jantar de boas-vindas, em protesto contra a participação de Lavrov na reunião em Bali.

      A reunião realizou-se em Nusa Dua, Bali, por a Indonésia exercer atualmente a presidência do grupo das 20 economias mais desenvolvidas ou em desenvolvimento. Blinken disse que não viu em Bali qualquer sinal de cooperação por parte da Rússia e observou que Lavrov saiu mais cedo da reunião, possivelmente porque não gostava do que ouvia dos seus homólogos. “Era muito importante que ele [Lavrov] ouvisse alto e claro de todo o mundo a condenação da agressão da Rússia”, comentou.

      No longo encontro com Wang, Blinken disse ainda que transmitiu a “profunda preocupação” de Washington com a pressão militar de Pequim sobre Taiwan, a ilha com um governo próprio que Pequim considera parte do seu território. “Manifestei a profunda preocupação dos Estados Unidos com a retórica e atividades cada vez mais provocatórias de Pequim em relação a Taiwan e a importância vital de manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”, disse Blinken. Apesar das divergências Blinken mostrou-se satisfeito com as conversações com Wang. “Posso dizer com alguma confiança que as nossas delegações consideraram as discussões de hoje úteis, francas e construtivas”, acrescentou.

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      Redacção do Ponto Final Macau