Um estudo, realizado por investigadores da Comissão da Juventude da Federação dos Funcionários Públicos de Macau, relaciona os valores dos trabalhadores dos serviços públicos com a sua atitude e desempenho no trabalho. “É necessário prestar atenção aos valores no trabalho dos trabalhadores dos serviços públicos, pois isto pode contribuir para a adopção de medidas de motivação adequadas”, lê-se no estudo.
Foi publicado recentemente na Revista de Administração Pública de Macau o “estudo sobre os impactos dos valores no trabalho dos trabalhadores dos serviços públicos de Macau na satisfação no trabalho e no zelo pelo trabalho”, realizado por Ao Io Weng, vice-presidente da direcção da Comissão da Juventude da Federação dos Funcionários Públicos de Macau, e por O Lai Heong, secretária-geral da mesma organização.
O estudo foi feito com base em 1.364 inquéritos por questionário realizados junto de trabalhadores de diferentes cargos da maioria dos serviços públicos da região. Os valores no trabalho – ou seja, as ideias e os critérios que orientam o comportamento no trabalho de um indivíduo ou as suas opções ou a sua apreciação sobre matérias relativas ao trabalho – “podem condicionar a atitude, o dinamismo e o desempenho no trabalho, até o altruísmo da organização, sendo por isso muito importantes para o funcionamento e o desenvolvimento de uma organização”, indica o documento.
O estudo destaca quatro dimensões de valores: harmonia interpessoal, orientação utilitária, desenvolvimento permanente e preferência pela inovação. “De entre estas, a harmonia interpessoal, o desenvolvimento permanente e a preferência pela inovação têm influências significativas sobre a satisfação no trabalho e sobre o zelo pelo trabalho dos trabalhadores”, conclui o estudo, sublinhando que “é necessário prestar atenção aos valores no trabalho dos trabalhadores dos serviços públicos, pois isto pode contribuir para a adopção de medidas de motivação adequadas”.
A publicação também verifica diferenças geracionais: “Embora a ordem da importância de todos os valores dos trabalhadores jovens e dos de meia-idade seja essencialmente idêntica, os trabalhadores jovens prezam mais todos os valores em comparação com os de meia-idade. A maior diferença reside nos valores do desenvolvimento permanente, o que reflecte que os trabalhadores jovens têm maior expectativa quanto à vida profissional longa”.
Além disso, verifica-se que “os valores do desenvolvimento permanente aumentam o zelo pelo trabalho dos trabalhadores jovens, mas diminuem a satisfação no trabalho e o zelo pelo trabalho dos trabalhadores dos serviços públicos de meia-idade”. Isto, supõem os investigadores, “pode ter algo a ver com o actual mecanismo de promoção nas carreiras dos trabalhadores dos serviços públicos em que se verifica uma situação de promoção rápida no início e lenta no final”.
O estudo conclui também que “a congruência dos valores em equipa reforça os efeitos positivos dos valores da harmonia interpessoal e da preferência pela inovação em relação ao zelo pelo trabalho”. Assim, “colocar os trabalhadores detentores destes valores a trabalhar juntos pode aumentar o zelo pelo trabalho, o que serve, de certo modo, de inspiração para a constituição de equipas dinâmicas e proactivas”.
O estudo sugere aos serviços públicos que prestem mais atenção aos valores no trabalho dos funcionários, bem como às diferenças de gerações entre os mesmos, “balançando racionalmente a procura de valores distintos com o arranjo de trabalho, de modo a aumentar os seus sentimentos de realização”. Por outro lado, é sugerida a criação de um “ambiente e clima de trabalho que estimulem a inovação, incluindo a implementação de medidas culturais favoráveis à apresentação de sugestões, de mecanismos para os trabalhadores participarem em negociação e de mecanismos de tolerância a falhas e de correcção”. Outra sugestão apresentada no estudo é a participação conjunta das chefias e dos trabalhadores dos serviços públicos em geral em cursos de formação ou actividades.











