UM desenvolve nova tecnologia de rastreio de medicamentos para a medicina de precisão

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Uma equipa de investigação da Universidade de Macau desenvolveu um sistema microfluídico para o rastreio de medicamentos utilizando células tumorais primárias. A tecnologia pode oferecer a cada doente de cancro um plano de tratamento individualizado que apresente “os melhores resultados terapêuticos”, acreditam os investigadores.

 

Uma equipa de investigação liderada por Jia Yanwei, professor assistente no Instituto de Microelectrónica da Universidade de Macau (UM), desenvolveu um sistema microfluídico para o rastreio de medicamentos utilizando células tumorais primárias. De acordo com os investigadores, esta tecnologia pode oferecer um plano de tratamento individualizado que apresente “os melhores resultados terapêuticos a doentes de cancro”, pode ler-se num comunicado da instituição. Os resultados da investigação foram publicados na revista de renome internacional Nature Communications.

Nos últimos anos, a medicina de precisão surgiu como um tema de relevo no domínio da medicina. Representa um modelo de cuidados de saúde individualizados que adapta o plano de tratamento e a decisão clínica a cada doente com base na informação biológica intrínseca do doente ou nos sinais e sintomas clínicos. Até à data, a maioria das abordagens da medicina de precisão tem-se baseado nas anomalias genéticas de cada doente. Alguns medicamentos são prescritos a doentes com determinadas mutações genéticas com o objectivo de obter uma resposta positiva, enquanto outros doentes com mutações específicas não recebem esses medicamentos devido à previsão de uma capacidade de resposta reduzida ou a um risco elevado de efeitos adversos.

No entanto, os dados clínicos indicaram que um número crescente de genes está envolvido na resposta do cancro a um determinado medicamento, tornando insatisfatório o efeito terapêutico baseado na medicina de precisão genética. Uma abordagem alternativa consiste em efectuar o rastreio de medicamentos em células tumorais primárias derivadas de biópsias de doentes ou de amostras de ressecção de tumores. Este método fornece informações directas sobre a susceptibilidade do tumor específico aos medicamentos. No entanto, as amostras de biópsia contêm apenas um número limitado de células, dizem os investigadores, o que torna difícil o rastreio de fármacos com as microplacas tradicionais. Embora várias biópsias possam fornecer um número suficiente de células tumorais, isso também acarreta um risco acrescido de metástases do cancro e faz com que o doente sinta mais dores.

A equipa de investigação da UM desenvolveu, por isso, um novo dispositivo de rastreio de medicamentos de fácil utilização clínica que permite a recolha imediata de células cancerosas altamente activas e o rastreio de medicamentos no local. Trata-se de um dispositivo microfluídico digital (DMF) portátil com baixo consumo de energia que integra todos os controlos numa caixa de mão com painéis de controlo de fácil utilização, permitindo o manuseamento de amostras minúsculas. Uma única biopsia de uma pequena quantidade de amostras de células é suficiente para produzir resultados de despistagem de fármacos com o chip DMF, evitando assim os riscos e o desconforto associados a biópsias repetidas para os doentes.

O dispositivo foi aplicado a amostras clínicas de cancro do fígado para o rastreio de medicamentos específicos e os resultados obtidos são consistentes com os derivados da sequenciação genética e fornecem um reflexo mais directo da resposta individual do doente ao medicamento.

De acordo com a equipa de investigação, a tecnologia DMF pode fornecer aos médicos e aos doentes uma orientação fiável da medicação e um baixo custo do equipamento em comparação com a sequenciação de genes. A tecnologia deverá permitir a produção em massa e a concretização da medicina de precisão para todos. Também proporciona aos investigadores uma plataforma para o rastreio de medicamentos de elevado rendimento e poupanças significativas em amostras e reagentes, o que pode ajudar a explorar novas estratégias terapêuticas e a desenvolver novos medicamentos para melhorar ainda mais a eficácia do tratamento.

Para além disso, a tecnologia DMF foi comercializada, resultando na criação de uma organização de serviços de alta tecnologia denominada Promedicine Technology, que se especializa na investigação, desenvolvimento, produção e venda a retalho de equipamento médico de precisão, contribuindo para a inovação tecnológica na área da Grande Baía.