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      Estado do ambiente em 2023: Mais resíduos, mais gases com efeito de estufa e mais poluentes atmosféricos

      Foi divulgado ontem – Dia Mundial do Ambiente – o relatório do Estado do Ambiente de Macau 2023. No documento, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) indica que o regresso à normalidade após a pandemia fez com que alguns indicadores ambientais piorassem. A quantidade de resíduos sólidos descartados, a emissão de poluentes atmosféricos e a emissão de gases com efeito de estufa registaram aumentos ao longo do ano passado, em comparação com 2022.

       

      Ontem assinalou-se o Dia Mundial do Ambiente e a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) aproveitou para publicar o relatório do Estado do Ambiente de Macau relativo ao ano passado. O documento mostra um agravamento em alguns indicadores, como a quantidade de resíduos sólidos descartados, a emissão de poluentes atmosféricos e a emissão de gases com efeito de estufa, que registaram aumentos ao longo do ano passado, em comparação com 2022.

      Os dados de 2023, diz a DSPA, reflectem a normalização das actividades económicas após o levantamento das restrições fronteiriças que o Governo impunha até ao final de 2022.

       

      QUANTIDADE DE RESÍDUOS SÓLIDOS DESCARTADOS AUMENTOU 14%

       

      No relatório, verifica-se que, em 2023, a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados, bem como a quantidade de resíduos sólidos descartados per capita, aumentaram 14,8% e 14,1%, respectivamente. Estes valores estão agora mais perto dos níveis pré-pandémicos.

      No ano passado, foram descartados, no total, 501.512 toneladas de resíduos sólidos, enquanto no ano anterior tinham sido descartados 436.828 toneladas. Analisando per capita, no ano passado cada pessoa descartou 2,02 quilos de resíduos sólidos por dia. Em 2022, este valor era de apenas 1,77 quilos por dia.

      No âmbito dos resíduos sólidos descartados, o relatório da DSPA diz que a quantidade de resíduos de materiais de construção teve uma queda de 31,8% face a 2022. Em 2023, verificou-se uma queda de 34,6% na quantidade de resíduos especiais e perigosos, comparando com 2022. No ano passado também se verificou uma subida de 11,7% no número total de veículos abatidos.

       

      TAXA DE RECOLHA DE RESÍDUOS SÓLIDOS DESCEU LIGEIRAMENTE

       

      Apesar do aumento da quantidade de resíduos sólidos descartados, registou-se, no ano passado, uma diminuição da sua recolha, ainda que o decréscimo tenha sido ligeiro.

      Segundo o relatório, a taxa de recolha de resíduos recicláveis foi de 22% em 2023, tendo sido mais baixa do que a de 2022 (22,5%), “devido principalmente ao aumento substancial do número total de resíduos sólidos urbanos descartados”. Como resultado disso, a quantidade total de resíduos recicláveis recolhidos aumentou, enquanto diminuiu ligeiramente a taxa de recolha de resíduos recicláveis.

      O documento detalha que a quantidade de resíduos recicláveis (excepto lâmpadas fluorescentes e lâmpadas) recolhidos pela DSPA e pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), em 2023, registou uma subida face a 2022. De entre eles, o papel, o plástico, o vidro, os resíduos alimentares, as pilhas e baterias usadas e os equipamentos eléctricos e electrónicos tiveram um aumento de mais de 30%.

       

      EMISSÕES DE GASES COM EFEITO DE ESTUFA SUBIRAM 20%

       

      A DSPA também fez as contas às emissões de gases com efeito de estufa e concluiu que, no ano passado, esse indicador aumentou cerca de 20% em comparação com 2022. O organismo diz que esse aumento foi impulsionado principalmente pelo aumento das emissões nos sectores dos transportes, incineração de resíduos e produção de energia eléctrica local.

      Em 2023, as principais fontes de emissão de gases com efeito de estufa e CO2 foram os transportes terrestres, a produção de energia eléctrica local, a incineração de resíduos e o comércio, o consumo doméstico e os serviços. As principais fontes de emissão de CH4 foram os resíduos depositados em aterros e o tratamento de águas residuais, enquanto este foi a principal fonte de emissão de N2O. O relatório mostra que o pico das emissões de gases com efeito de estufa aconteceu em 2017. A partir daí, as emissões anuais caíram até 2020, e agora subiram em 2023.

       

      EMISSÕES DE POLUENTES ATMOSFÉRICOS TAMBÉM AUMENTARAM

       

      Houve também um aumento das emissões de poluentes atmosféricos gerais, mostra o relatório. No ano passado, o valor estimado das emissões de poluentes atmosféricos gerais cresceu, com a excepção do valor das emissões de chumbo, que diminuiu. “As emissões provenientes dos transportes marítimos e aéreos aumentaram visivelmente com a retoma das actividades turísticas”, justifica o relatório.

      As principais fontes de emissões das diversas partículas em suspensão foram o sector da construção civil, os transportes terrestres e marítimos e a produção local de energia eléctrica, representando, no total, mais de 80%. Os transportes terrestres e marítimos e a incineração de resíduos tornaram-se responsáveis pela origem principal de emissão de óxidos de azoto, representando cada um deles mais de 20%. Olhando para os últimos anos, a DSPA diz que a tendência das emissões de poluentes atmosféricos tem sido decrescente.

       

      2023 FOI O TERCEIRO ANO MAIS QUENTE DESDE 1952

       

      O ano passado foi o terceiro mais quente desde 1952, com uma temperatura média de 23,4ºC. Este valor é 0,6ºC superior ao valor médio climático, ou seja, a média de 30 anos entre 1991 e 2020.

      Em 2023, o número de dias muito quentes foi de 32, o que é semelhante ao valor médio climático. Já os dias com noites quentes foram 15, representando um aumento de 3,5 dias em relação ao valor médio climático. Por outro lado, houve 26 dias muito frios, ou seja, menos 13,1 dias do que o valor médio climático.

      Em 2023, Macau foi afectada por um total de cinco tempestades tropicais, das quais três obrigaram à emissão do sinal n.º 8 ou superior. Além disso, a passagem do super tufão Saola fez com que se emitisse o sinal n.º 10 pela quarta vez, desde 2017.

      De acordo com a análise dos dados da estação de medição de marés, no período compreendido entre 1970 e 2023, a média do aumento anual do nível do mar em Macau foi de aproximadamente 3,5 milímetros. Em comparação com 2022, o nível do mar manteve-se praticamente inalterado, assinala a DSPA.

       

      MENOS DIAS EM QUE A QUALIDADE DO AR FOI INSALUBRE

       

      O indicador da qualidade do ar melhorou face a 2022. Segundo o relatório, em 2023, o número de dias com qualidade do ar classificada de “bom” e “moderado” registado nas seis estações de monitorização da qualidade do ar de Macau chegou aos 91%.

      Em 2023, foram registados entre sete e 32 dias classificados de “insalubre” em todas as estações de monitorização da qualidade do ar de Macau, enquanto o número de dias classificados de “muito insalubre” desceu para um dia. Os poluentes detectados nas estações de monitorização da qualidade do ar foram principalmente partículas finas em suspensão e ozono. Na Estação Ambiental (Taipa), foi registado o índice mais alto detectado no ano inteiro, que foi de 209 e classificado de “muito insalubre”, sendo O3 o poluente principal. Em 2023, o mês com melhor qualidade do ar em Macau foi Junho e o mês com pior qualidade foi Novembro.

       

      CONSUMO DE ÁGUA FACTURADO AUMENTOU 7,1%

       

      No ano passado, o consumo de água facturado aumentou 7,1% face a 2022, e o volume de água consumida por cada 10 mil patacas de PIB diminuiu significativamente em comparação com 2022, tendo o volume de água consumida per capita no sector doméstico também diminuído, diz a DSPA.

      Em 2022, o volume de água consumida per capita no sector doméstico era de 160,7 litros por dia; no ano passado, esse valor baixou para 151,1 litros por dia, ou seja, menos 6%. No que toca ao volume de água facturada per capita, houve um aumento de 5,4%, de 339 litros por dia para 357,3 litros por dia.

      A DSPA diz também que, no ano passado, se registou uma diminuição de 0,9% na taxa de fugas e rupturas nas redes de distribuição em relação a 2022. Por outro lado, “com a retoma gradual das actividades sociais e económicas, deu-se uma inversão na tendência descendente do volume de água consumida registada nos últimos anos, voltando o consumo a subir”, pode ler-se no relatório.

       

      VOLUME DE ÁGUAS RESIDUAIS TRATADAS AUMENTOU 3%

       

      Segundo o relatório, no ano passado o volume total de tratamento das águas residuais aumentou 3% em comparação com o ano anterior, tendo a amplitude de aumento do volume de tratamento das águas residuais das Ilhas sido maior.

      “Para melhorar a situação da poluição do meio hídrico na zona costeira e tratar as águas residuais descarregadas directamente através das saídas de descarga de águas pluviais devido a transbordamento e a ligações incorrectas, entre outras razões, a DSPA coordenou com os serviços competentes, no sentido de continuar a promover o trabalho de controlo da poluição costeira”, diz o organismo no relatório, destacando as instalações provisórias de tratamento de águas residuais junto ao Terminal Marítimo do Porto Exterior, que entraram em funcionamento em Dezembro de 2021, o lançamento, em 2023, da empreitada de concepção e construção das instalações provisórias de tratamento de águas residuais junto à saída de drenagem da box culvert de águas pluviais da Avenida Marginal do Lam Mau e a realização do concurso público das instalações provisórias de tratamento de águas residuais a Sul do Porto Interior.

      A DSPA diz que, em termos do cumprimento dos padrões de qualidade das águas, a qualidade das águas tratadas nas ETARs da Taipa, de Coloane e do Parque Industrial Transfronteiriço de Macau e nas instalações provisórias de tratamento de águas residuais, junto ao Terminal Marítimo do Porto Exterior “satisfez os padrões projectados e as disposições regulamentares”. O relatório diz ainda que “alguns indicadores da qualidade das águas tratadas na ETAR da Península de Macau excederam o limite, devido ao excesso da carga poluidora nos afluentes à ETAR”.

       

      AVISTADOS 52 COLHEREIROS NO ANO PASSADO

       

      No relatório, a DSPA também indicou que, no ano passado, foram avistados 52 colhereiros-de-cara-preta nas Zonas Ecológicas do Cotai, descritas como “uma das zonas húmidas mais preciosas de Macau, que oferecem habitats para numerosas espécies de zooplâncton, organismos bentónicos, peixes, insectos e aves”.

      A DSPA diz também que, uma vez que as zonas verdes rodoviárias do campus da Universidade de Macau na Ilha de Hengqin estão sob a jurisdição do IAM desde 2023, embora haja uma redução da área de zonas verdes em algumas zonas, a área de zonas verdes sob a jurisdição do IAM em 2023 ainda registou um aumento em relação a 2022. A área dos espaços verdes per capita diminui com o  crescimento da população. Nos últimos anos, o número de árvores nas bermas das rodovias de Macau tem apresentado uma tendência ascendente, mas manteve-se inalterado em relação ao número de espécies de árvores. Actualmente, há um total de 7.843.158 metros quadrados de espaços verdes sob a gestão do IAM.

       

      NÍVEIS DE RUÍDO TAMBÉM SUBIRAM

       

      No que toca à poluição sonora, a DSPA diz que, “com o regresso gradual das actividades sociais e económicas à normalidade”, no ano passado os níveis de ruído aumentaram face a 2022. Os níveis de ruído registados na Estação da Rua Cidade de Braga aumentaram significativamente devido às obras em curso nas suas imediações, enquanto nas restantes estações esses níveis foram semelhantes aos de 2022. Em 2023, a Estação da Avenida de Horta e Costa, localizada na principal e mais movimentada artéria da cidade, continuou a registar os mais altos níveis de ruído de entre todas as estações de monitorização do ruído ambiental, “o que mostra que o volume de tráfego tem um impacto evidente no ambiente sonoro”, salienta o relatório.

      Em termos globais, diz a DSPA, os níveis de ruído registados na Estação da Avenida de Horta e Costa têm vindo a diminuir nos últimos anos, enquanto na Estação de Seac Pai Van e na Estação da Areia Preta se mantiveram relativamente estáveis; os níveis de ruído registados na Estação da Rua Correia da Silva, na Estação da Rua Cidade de Braga e na Estação das Zonas Ecológicas mudaram devido a factores como as actividades socioeconómicas antes e depois da epidemia, as actividades de obras nas zonas vizinhas e o  desenvolvimento circundante.

       

      DESPESAS COM A PROTECÇÃO AMBIENTAL CRESCERAM 17,3%

       

      O relatório fez, por fim, as contas às despesas públicas do Governo da RAEM relativas à protecção ambiental. Segundo a DSPA, o Governo gastou, no ano passado, perto de dois mil milhões de patacas, representando 2,3% do total das despesas públicas e um acréscimo de 17,3% relativamente a 2022). As despesas destinaram-se, principalmente, às obras de construção e modernização das instalações de reciclagem e tratamento de águas residuais e de resíduos sólidos, às obras de construção das instalações de tratamento de materiais recicláveis, à operação e manutenção das actuais infra-estruturas ambientais e ao lançamento de estudos e projectos relativos à protecção ambiental, entre outros.

      O relatório fala também da cooperação regional no âmbito do ambiente e diz que “a reabertura total das fronteiras de Macau contribuiu para intensificar o intercâmbio e cooperação regional na área de protecção ambiental”. “À medida que a construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong Macau acelera, o intercâmbio e a cooperação ambiental entre Macau e a região continuam a ser aprofundados, criando-se, em conjunto, uma bela baía com condições ideais de vida e sustentável”, lê-se no relatório.