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      Deputado preocupado com impacto da inteligência artificial no emprego

      A inteligência artificial, capacidade que uma máquina tem para reproduzir competências semelhantes às humanas, está a preocupar Lei Chan U pelo seu eventual impacto no emprego dos cidadãos. O deputado realçou que a evolução dessa nova tecnologia poderá afectar determinadas profissões, sobretudo os trabalhos administrativos, solicitando assim ao Governo que esteja atento às mudanças no emprego e introduza medidas para ajudar os residentes a fazer face ao novo ambiente de trabalho.

       

      O deputado Lei Chan U manifestou a sua preocupação com o impacto do desenvolvimento da inteligência artificial no mercado de trabalho, instando as autoridades a acompanharem as mudanças de determinadas indústrias ou profissões para lançar medidas para estabilizar a situação do emprego, bem como reforçar a formação dos trabalhadores em inteligência artificial.

      O desenvolvimento da inteligência artificial já levou vários países e regiões a proceder à avaliação do seu impacto no ambiente de emprego, indicou Lei Chan U, na esperança do lançamento de uma monitorização dos dados de emprego sobre a inteligência artificial em Macau. Numa interpelação escrita apresentada à Assembleia Legislativa, o legislador sublinhou que, nos últimos anos, a inteligência artificial tem vindo a mudar a vida e o trabalho das pessoas a um ritmo acelerado e de formas sem precedentes. “Embora a inteligência artificial facilite o trabalho e a vida das pessoas, suscita também preocupações quanto a um potencial de desemprego no futuro”, apontou.

      De acordo com Lei Chan U, um estudo da Organização Internacional do Trabalho sugere que a maioria dos empregos estará parcialmente exposta à automatização e, por seguinte, é mais provável ser complementada e não substituída totalmente pela inteligência artificial generativa. Assim, o maior impacto desta tecnologia pode não ser a destruição de postos de trabalho, mas sim potenciais alterações na qualidade do trabalho, especialmente em termos de intensidade e autonomia.

      O relatório publicado no ano passado concluiu ainda que as profissões que se focam no trabalho de escritório são as mais afectadas pela inteligência artificial, com cerca de um quarto dos empregos “muito afectados” e mais de metade “moderadamente afectados” no mundo. Já o potencial impacto da inteligência artificial generativa pode ser muito diferente em termos de género. “É provável que mais do dobro da percentagem de mulheres sejam potencialmente afectadas pela automatização no seu emprego, em comparação com os homens. Isto deve-se ao facto de as mulheres estarem desproporcionadamente representadas em empregos de escritório, especialmente nos países de rendimento médio e elevado”, pode ler-se no estudo.

      Nesse sentido, o deputado destacou que o relatório considera crucial ouvir os trabalhadores, garantir a sua segurança social e reforçar a formação de competências como sendo factores-chave para lidar com o impacto da inteligência artificial. Defendeu que, além de promover a aprendizagem da nova tecnologia no ensino não-superior, o Governo deve também intensificar a formação profissional para os trabalhadores locais.

      Lei Chan U referiu ainda estar atento ao aumento do desemprego friccional em Macau à medida que a inteligência artificial se desenvolve, conceito que está associado à rotação do trabalho, que acontece quando há mobilidade da mão de obra quando surgem novas oportunidades de emprego e há empregos que deixam de existir, fazendo com que os trabalhadores mudem de emprego. Citando o exemplo de Singapura, Lei Chan U disse que as autoridades de Singapura, a fim de responder aos desafios trazidos pela inteligência artificial, lançaram um programa de formação para pessoas com idade de 40 anos ou mais para ingressarem no ensino superior e aprenderem com os jovens sobre as novas tecnologias. O deputado pediu ao Executivo que tome o exemplo como referência para aumentar a competência dos trabalhadores residentes.