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      InícioOpiniãoCerimónia a assinalar os 77 anos do bombardeamento nuclear de Nagasáqui

      Cerimónia a assinalar os 77 anos do bombardeamento nuclear de Nagasáqui

      Dois anos passaram desde que assumi a posição de Embaixador de Portugal no Japão, um período intenso e enriquecedor que me permitiu mergulhar nas profundezas de uma relação bilateral com 480 anos de história.

      Esta jornada já me levou a lugares tão emblemáticos como Tanegashima, onde os portugueses introduziram a espingarda no século XVI, a cidades (entre outras) como Quioto, Nagasáqui e Tokushima, ao topo do majestoso Monte Fuji e às remotas ilhas de Okinawa. Cada um destes destinos revelou camadas da profunda conexão entre os nossos países.

      A missão de um diplomata é sempre desafiadora, mas no Japão, a tarefa assume uma dimensão única devido ao legado histórico e ao contínuo potencial de crescimento das relações.

      O maior marco foi, sem dúvida, a mudança das instalações da Embaixada, um movimento estratégico para fortalecer a presença e influência de Portugal, refletindo a nossa defesa intransigente dos interesses nacionais num cenário global complexo. Desde há sensivelmente um ano, temos um espaço multiusos no nosso rés-do-chão em utilização intensiva, com um VHILS em exibição permanente, que já albergou várias exposições de pintura, instalações, conferências, concertos e até, pasme-se, as Aprilia oficiais do Miguel Oliveira. Os meus colegas costumam dizer que tudo o que é “fora da caixa”, eu “compro”. Talvez seja verdade numa tentativa minha de afirmação permanente do Portugal moderno e competitivo naquela que é a quarta economia mundial.

      Ao refletir sobre o que foi alcançado, percebo o quão vital foi reacender os laços históricos que por vezes pareciam adormecidos. Através de intercâmbios culturais, económicos, desportivos e académicos, trabalhamos não só para celebrar um passado compartilhado, mas também para moldar um futuro promissor. A resposta nipónica ao reforço destas relações tem sido extremamente positiva, demonstrando um respeito mútuo que continua a ser a espinha dorsal deste vínculo.

      No entanto, caros leitores, a jornada está longe de terminar. O caminho à frente está repleto de oportunidades para aprofundar ainda mais a nossa cooperação em áreas como tecnologia, educação e turismo. Portugal e Japão partilham muitos valores, mas é através da inovação e do diálogo constante que podemos explorar novas avenidas para uma parceria mais robusta.

      Dois anos podem parecer breves, mas os momentos vividos e as lições aprendidas são imensuráveis. Depois de 3 primaveras repletas de Sakuras, continuo comprometido em não apenas preservar, mas também enriquecer este relacionamento. Assim, avançamos, cientes do muito que foi feito e motivados pelo muito que ainda há a fazer. Esta é uma amizade que, embora antiga, ainda tem muito espaço para crescer.

       

      Vítor Sereno

      Diplomata

      Texto originalmente publicado no Diário As Beiras