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      Restaurantes históricos em dificuldades durante onda de encerramento

       

      A onda de encerramento de pequenas e médias empresas (PME) no território não tem final à vista, e são vários os restaurantes com história na comunidade que têm fechado portas. A sociedade está atenta ao fenómeno e têm sido criadas algumas páginas nas redes sociais para acompanhar de perto o surgimento de cada vez mais lojas vazias. O vogal do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais, Chan Pou Sam, acredita que o sector da restauração local irá sofrer ainda mais num futuro próximo.

       

      Vários restaurantes com história de dezenas de anos em Macau não estão imunes à recente onda de encerramento de lojas na cidade, apesar de terem conseguido sobreviver à pandemia. Da Zona Norte à Zona Central, os estabelecimentos de comida fecharam ou mudaram de proprietário devido a diversos factores, incluindo o aumento das rendas das lojas, a falta de mão de obra, bem como a diminuição do consumo interno provocada pela facilidade de deslocação transfronteiriça.

      O restaurante “Centro de Comida de Nova Cidade”, que abriu na Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, em Toi San, antes do estabelecimento da RAEM, e onde se juntavam sempre moradores desse bairro, fechou no início do ano devido à subida das rendas. O espaço comercial, até ao momento, ainda está vazio e está para arrendamento. Um outro restaurante tradicional, o “Golden Court”, local de ‘yum cha’ no Bairro do Iao Hon, na Areia Preta, também tem o negócio fechado há mais de um mês.

      Outros casos incluem o “Heong Tou Café”, na Rua de Manuel de Arriaga, perto da Rotunda de Carlos da Maia, que operava há mais de 40 anos, e o “Café Lin Seng”, na Estrada de Coelho do Amaral. Já o “Café Chong Tin”, na Rua Central, espaço de gastronomia macaense e chinesa com história ainda mais longa que a RAEM, segundo informação a circular nas redes sociais, vai passar a ser gerido por um outro proprietário devido ao valor das rendas.

      A dificuldade de operação das pequenas e médias empresas (PME) nas zonas residenciais de Macau agravou depois da pandemia, que conseguiu uma recuperação económica nas zonas turísticas com o regresso de visitantes. O território conta cada vez mais com lojas vazias com anúncios de arrendamento nas suas portas. Nas redes sociais, foram criadas algumas páginas de “grupos de atenção” sobre notícias de encerramento de lojas em Macau, onde a comunidade acompanha a evolução do ambiente do negócio local.

      O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, admitiu este mês na Assembleia Legislativa que muitas lojas sofreram pressões extra com o aumento das rendas após a recuperação da economia. O líder da RAEM apelou nessa altura aos cidadãos que fiquem a consumir em Macau e para os proprietários não aumentarem “drasticamente” as rendas de lojas.

       

      RECESSÃO CONTÍNUA

       

      Em declarações ao Jornal Exmoo, Chan Pou Sam, membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), alertou que o desaparecimento dos restaurantes históricos dos bairros não só constitui um grande impacto para a economia da comunidade, como também “põe em perigo a designação de Macau como cidade de gastronomia”.

      Chan Pou Sam sublinhou que o lançamento da política de circulação de veículos de Macau em Guangdong afectou muito a exploração de negócios dos restaurantes das zonas residenciais, nomeadamente quando o nível de consumo de comes e bebes no interior da China “tem a vantagem” de ser mais barato em comparação a Macau.

      Segundo o responsável, os dados do IAM mostram que o número anual de emissão de novas licenças de restauração tem vindo a diminuir, tendo reduzido de 159, em 2021, para 118, em 2022, e 110 no ano passado.

      Lamentando que todos estes factores tenham tornado ainda mais difícil a manutenção no mercado dos pequenos e médios restaurantes que já se encontram numa “situação de fragilidade”, Chan Pou Sam admitiu que, caso não existam novas políticas de resolução, todo o sector da restauração irá sofrer ainda mais num futuro próximo.