Ambientalistas defendem alternativa que pode evitar aterro para ilha ecológica

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Criticando a postura do Governo de insistir com o aterro para resíduos de construção urbana, activistas ambientais de Macau, Hong Kong e Taiwan voltaram a questionar se há realmente uma necessidade urgente de construir uma “ilha ecológica” em Macau, apontando para uma alternativa mais eficaz e ecológica de construir uma “Instalação de Triagem de Resíduos da Construção de Macau”, projecto que o Governo já tinha ponderado, mas que acabou por deixar para trás.

“A solução imediata para o problema dos resíduos em Macau não é uma ilha ecológica, mas sim uma instalação de triagem de resíduos de construção”, alertou Viena Mak, vice-presidente da Sociedade de Conservação dos Golfinhos de Hong Kong, que falava numa mesa-redonda sobre a protecção ambiental e conservação de golfinhos organizada em Macau no domingo.

Segundo o All About Macau, a ambientalista considera que em Hong Kong também há uma instalação semelhante que rastreia os resíduos de construção inertes, ou para posterior reutilização ou para descarga no interior da China. Tendo como referência instalações semelhantes nas diversas cidades no Continente, Viena Mak estima que a instalação necessária terá menos de um décimo da dimensão de uma ilha ecológica.

Segundo o plano previsto do Governo, a ilha ecológica ocupará uma área de cerca de 2,45 quilómetros quadrados, maior do que uma área correspondente a dois campus da Universidade de Macau em Hengqin. “Desta forma, o habitat dos golfinhos cor-de-rosa não será destruído e é também uma solução sustentável para tratar os resíduos”, assinalou.

O Governo já tinha iniciado o projecto de reutilização inter-regional de materiais inertes resultantes da demolição e construção, tendo adjudicado, em 2015, a empreitada de “Concepção e Construção da Primeira Fase da Linha de Produção da Instalação de Triagem de Resíduos da Construção de Macau” à Agência Comercial e Industrial Nam Yue, por um valor de 362 milhões de patacas. Todavia, decidiu suspender o projecto visto que “o Aterro já se encontra saturado” e precisa de rever a sua configuração para dar um espaço maior para a construção.

Joe Chan, presidente da Macau Green Students Union, lamentou que o Governo esteja a “polarizar” a questão e dar apenas duas opções ao público, a ilha ecológica ou a “cidade fechada em lixo”, em vez de pensar em desenvolver a indústria de reciclagem e reutilização dos resíduos. Na palestra que contou com dezenas participantes, o ambientalista local Ken Kwan e outros representantes de associações de protecção ambiental e marítima de Taiwan também criticaram o eventual impacto aos golfinhos e restante vida marinha devido às futuras obras do aterro para o projecto da ilha ecológica.