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      Coutinho pede protecção dos golfinhos brancos

      José Pereira Coutinho faz parte do coro de críticas que pede ao Governo uma localização alternativa para a ilha ecológica. Numa interpelação escrita, o deputado renova os pedidos para que se protejam os animais que habitam a zona onde está prevista a construção da infraestrutura.

       

      O deputado José Pereira Coutinho voltou a lançar críticas ao Governo devido ao plano de construção da ilha ecológica nas águas junto a Hac-Sá, uma vez que nessa zona costumam ser vistos golfinhos brancos. Coutinho pede maior protecção aos animais.

      Esta ilha ecológica, recorde-se, servirá para lá serem colocados resíduos de materiais de construção, uma vez que o aterro já existente está muito saturado. O projecto está a ser pensado por peritos do interior da China e tem levantado um coro de críticas uma vez que a zona em causa é frequentada habitualmente por golfinhos brancos.

      Estes golfinhos brancos são uma espécie protegida pelo país. No total, segundo a Administração da Reserva de Golfinhos Brancos do Estuário do Rio das Pérolas, há 2.381 golfinhos brancos no estuário do Rio das Pérolas, ou seja, metade da população total existente na China. Em todo o mundo, estima-se que existam apenas cerca de 6.000 exemplares.

      Na interpelação, Coutinho alertou: “O número desses golfinhos tem diminuído drasticamente devido à escassez de alimentos, ao aumento do tráfego de embarcações de alta velocidade, à construção de aterros, às mudanças ambientais, aos ruídos e à poluição dos mares”.

      Assinalando a importância da construção da ilha ecológica, Coutinho diz também que é “fundamental a adopção e implementação de medidas de protecção para garantir a sobrevivência dos golfinhos brancos chineses, que abordem políticas e medidas de conservação para as principais ameaças que eles enfrentam, como a degradação do seu habitat e a pesca excessiva”. Por isso, é “fundamental que o processo de selecção do local para a construção da ilha ecológica seja conduzido de forma transparente e participativa, envolvendo consultas públicas e considerando as opiniões e preocupações da comunidade local, bem como a dos especialistas em meio ambiente e conservação”.

      Assim, o deputado eleito pela via directa questionou se as autoridades ouviram a Administração da Reserva de Golfinhos Brancos do Estuário do Rio das Pérolas sobre a escolha do local para a construção desta ilha ecológica, “especialmente em relação aos possíveis danos irreversíveis que poderão afectar a futura sobrevivência destes animais marinhos”. “Quais os estudos ambientais que foram realizados anteriormente para avaliar os impactos negativos das obras de aterro no meio ambiente marinho?”, acrescentou.

      Além disso, Coutinho interrogou o Executivo sobre que medidas foram propostas e implementadas para reduzir a poluição marinha, proteger a biodiversidade, melhorar o habitat e diminuir o número de mortes dos golfinhos brancos chineses.

      Por fim, o deputado concede que “a construção de uma ilha ecológica pode ser uma estratégia importante para a gestão adequada dos resíduos de construção em Macau”, mas “desde que seja implementada de acordo com os princípios da sustentabilidade e com a devida consideração aos impactos ambientais”.

      “Irá o Governo de Macau procurar encontrar localizações alternativas para a colocação dos depósitos de construção civil, e outros resíduos, que tenham um impacto ambiental mínimo e não constituam um perigo à sobrevivência dos golfinhos brancos chineses?”, questionou.

      Na última reunião plenária da Assembleia Legislativa, vários deputados criticaram o projecto da ilha artificial. Na altura, Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, lembrou os parlamentares de que o projecto está a ser pensado por peritos do interior da China e acrescentou que, se os resultados dos seus estudos indicarem que a ilha ecológica não deve ser construída naquele local, então o projecto não irá avançar. “Não somos nós que decidimos”, afirmou no hemiciclo.