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      InícioSociedadeUma “fórmula pioneira” de revitalização da zona histórica

      Uma “fórmula pioneira” de revitalização da zona histórica

      Desde a renovação dos contratos de jogo com as concessionárias, em 2022, a arquitecta de Macau, Maria José de Freitas, realça que começou uma nova fase para o território: o envolvimento das operadoras na recuperação do património.

      Com a política de tolerância zero do Governo Central, durante a pandemia de COVID-19, percebeu-se que “depender só do jogo seria pernicioso para a saúde da cidade”, diz Maria de José Freitas. Por isso, ao renegociarem-se os contratos de jogo, houve uma preocupação com “as melhores propostas no âmbito social e cultural”, começando uma nova era para o território: o envolvimento das operadoras na recuperação do património. É esta “fórmula pioneira” que a arquitecta aborda, no trabalho “Novos contratos de jogo e a recuperação do património: corporate social responsibility”, apresentado durante as Conferências da Primavera 2024, promovidas pelo Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, entre 7 e 20 de Março.

      A doutoranda no Programa Património de Influência Portuguesa na Universidade de Coimbra, que apresentou no ano passado uma tese de doutoramento intitulada “Multiculturalidade como fundamento para a reconstrução da cidade de Macau”, parte da análise da história de Macau e da evolução ao longo do tempo para se debruçar sobre este modelo e aponta dois momentos cruciais que condicionaram (e condicionam) o futuro de Macau: a liberalização do jogo, em 2002, e a posterior inscrição do centro histórico na lista de património mundial da UNESCO, em 2005. “Macau foi crescendo” através de novos aterros, de forma a aumentar a sua área, libertando a parte histórica e dando resposta ao afluxo de pessoas de diferentes locais ao território, assim como às necessidades de expansão. “Continua, porém, a ser insuficiente”, afirma a arquitecta. Começou então a olhar-se para Hengqin, na província de Guangdong, enquanto possível área para o desenvolvimento futuro do território.

       

      Um plano a dez anos

       

      Foi durante a pandemia, quando tudo parou no território, que se percebeu que as operadoras tinham “uma maior capacidade de adaptação” do que aquela que se pensava e esta nova possibilidade se abriu: promover um novo tipo de responsabilidade social corporativa, envolvendo as operadoras na dinamização social e cultural da cidade, nomeadamente, na recuperação do património. Por isso, durante a renegociação dos contratos de jogo, em 2022, teve-se em atenção “as melhores propostas no âmbito social e cultural”, por parte das concessionárias.

      Em Setembro de 2023, formalizou-se esta “nova visão para o património de Macau”, com a assinatura de acordos específicos entre o Governo e as concessionárias para proceder à “revitalização de várias zonas culturais” nos bairros antigos.

      São seis zonas a cargo de cada uma das concessionárias de jogo: os estaleiros de Lai Chi Vun (Galaxy Entertainment Group), a área junto ao templo de A-Ma (MGM Macau), os cais 25 e 25 do Porto Interior e a Fortaleza do Monte (Melco Resorts and Entertainment), a Avenida Almeida Ribeiro com foco no Cais 16 e no Cais 14 (SJM), a Rua da Felicidade (Wynn Macau) e a Fábrica de Panchões Iec Long (Sands China). “A Rua da Felicidade, por exemplo, foi protagonizada pelo Wynn Macau — infeliz, por não respeitar a história do sítio”, afirma, contrapondo com um outro exemplo que correu melhor. Em Iec Long, por exemplo, a arquitecta salientou os “percursos pedestres já desenhados em colaboração com a Sands China”.

      Recorde-se que as seis operadoras assumiram o compromisso de investir 108,7 mil milhões de patacas em atividades não ligadas ao jogo, num período de dez anos — o tempo de vigência dos respetivos contratos de concessão. Em resposta a uma interpelação do deputado à Assembleia Legislativa, Ron Lam, o Chefe do Executivo da RAEM, Ho Iat Seng, respondeu, no ano passado: “Nem o Governo nem as concessionárias alguma vez experimentaram estes projectos e, se ninguém os testou antes, é melhor pensarmos num ou dois anos para experimentar… concertos, passeios marítimos, entre outros.”