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      Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia redirecciona foco para as empresas

      Os resultados dos apoios financeiros concedidos em 2023 ao desenvolvimento das indústrias tecnológicas e científicas “1+4” da RAEM foi apresentado ontem. Para o ano em curso, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia ambiciona reforçar ainda mais o papel das empresas como agentes de inovação científica e tecnológica.

       

      Com um orçamento semelhante ao do ano passado, de cerca de 450 milhões patacas, mas uma mudança de estratégia mais centrada no apoio a empresas tecnológicas, e deixando de lado a prioridade da aposta da investigação académica, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) apresentou ontem o seu relatório anual de 2023. Divulgando ainda os planos para o ano em curso, o FDCT pretende ainda que haja um aumento de 40% nos resultados obtidos em relação ao ano passado.

      O presidente do Conselho de Administração, Che Weng Keong, acompanhado dos membros do mesmo Conselho, Cheang Kun Wai e Ip Kuai Lam, indicou em conferência de imprensa que relativamente ao orçamento destes programas de financiamento à transformação tecnológica das indústrias do território, os 450 milhões de patacas investidos no ano passado vão ser mantidos no ano em vigor, com ajustes aos projectos que serão apoiados, dando-se uma maior prevalência às “empresas como actores principais em inovação científica e tecnológica”.

      Enquadrando a situação, Che Weng Keong recordou que em 2023 a grande maioria dos investimentos foram para a investigação científica, a cooperação indústria-universidade-investigação e desenvolvimento do ensino superior. Dos 256 novos projectos pelo FDCT em 2023, 90% destes tinham como foco a investigação aplicada, centrando-se principalmente na tecnologia de informação (31,6%), seguida da ‘big health’ (23%), engenharia e materiais (23%), ciências da natureza (20,7%), e outras áreas (1,6%).

      Agora, quanto a 2024, o mesmo organismo, para além de continuar a investir na estabilização da investigação científica, prepara-se para apostar em quatro estratégias-chave. Duas delas são continuar a reforçar o apoio às empresas tecnológicas, especialmente as que sejam certificadas, e incentivar a cooperação entre as instituições de investigação científica de Macau e as empresas de Henggin para que se transforme os resultados da investigação científica em projectos concretos em Hengqin.

      Paralelamente, pretende-se ainda continuar a contribuir para o desenvolvimento da indústria-universidade-investigação e concluir a reorganização dos Laboratórios de Referência do Estado, eliminando e ajustando as investigações científicas que já não sejam necessárias e reconvertendo estes actuais laboratórios nos novos institutos “I&D” criados. A ideia é que a cooperação com Guangdong nestes laboratórios passe agora para Hengqin, esclareceu ainda o presidente do Conselho de Administração da FDCT.

       

      FEITOS TECNOLÓGICOS DE 2023

       

      O mesmo responsável lembrou as inovações e resultados recentes levados a cabo no sector, destacando feitos como o lançamento da primeira satélite de Macau, a publicação de artigos científicos em periódicos “Nature” ou “Cell” de renome, conquistas que colmataram com Macau mantendo-se líder mundial no número de artigos submetidos no domínio dos circuitos integrados na Conferência Internacional de Circuitos de Estado Sólido.

      A tecnologia de ponta aplicada ao desenvolvimento da saúde é outra área que obteve avanços significativos, defendeu o porta-voz do FDCT, referindo-se a avanços na investigação de tratamento para doenças oculares, diabetes, cancros altamente prevalentes, ou doenças degenerativas do cérebro, com um medicamento inovador, os comprimidos de leonurina, a entrar na fase II do ensaio clínico.

      Quanto à alta tecnologia, em 2023, Macau também conseguiu aplicar o reconhecimento inteligente de voz aos hotéis do território, e a tecnologia de betão de nano espuma foi utilizada de forma inovadora na construção da quarta ponte entre Taipa e Macau. Na mesma apresentação, também se referiu a título de exemplo que uma empresa ‘startup’ angariou quase 100 milhões de yuan na rodada de financiamento da Série A+ com base nos resultados das suas investigações.

      Comparando a evolução da performance das empresas apoiadas pelo FDCT nos últimos dois anos, houve um aumento de 18 em 2022 para 26 projectos no ano passado, com 4.600 empresas a terem sido orientadas em 2023 para investigação e desenvolvimento (I&D) através dos apoios financeiros do FDCT, um valor que triplicou em um ano, e contrasta com as apenas 817 empresas que beneficiaram dos mesmos apoios em 2022.