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      Governo aponta regresso dos visitantes como uma das explicações para o aumento exponencial dos suicídios

      No ano passado, foram registadas, no total, 88 mortes por suicídio em Macau. Este é o valor mais alto da última década, pelo menos. O PONTO FINAL perguntou aos Serviços de Saúde quais os motivos para esta subida exponencial dos suicídios na região, que apontou como uma das justificações o aumento do número de suicídios de não-residentes com o regresso dos visitantes. No entanto, os dados divulgados pelas autoridades ao longo dos últimos anos mostram que a proporção de não-residentes que cometeu suicídio em Macau em 2023 é semelhante à registada na última década.

       

      No ano passado, foram registadas 88 mortes por suicídio. Em comparação com 2022, houve um aumento de 10% e relativamente a 2021 o crescimento foi de 46%. Segundo os dados dos Serviços de Saúde dos últimos anos analisados pelo PONTO FINAL, o número de suicídios verificados no ano passado é o mais alto da última década, pelo menos.

      Tendo isto em conta, o nosso jornal questionou as autoridades sobre esta subida a pique no número de mortes por suicídio na região. Na resposta, os Serviços de Saúde dizem que as causas são “diversificadas e complexas, envolvendo factores socioeconómicos e familiares, bem como a subida contínua do número de visitantes, após a normalização da situação epidémica da Covid-19”, que, defendem os Serviços de Saúde, fizeram com que o número de não-residentes que puseram termo à vida em Macau tenha crescido.

      Em comparação com os últimos dois anos, 2023 teve a maior proporção de suicídios cometidos por não-residentes – 14 em 88, ou seja, 15,9%. Em 2022, dez dos 80 suicídios foram cometidos por não-locais (12,5%) e em 2021 a taxa foi apenas de 10%.

      No entanto, olhando para os números que foram sendo divulgados pelos Serviços de Saúde ao longo da última década, e analisados agora pelo PONTO FINAL, constata-se que a taxa de 15,9% de 2023 não é muito diferente da grande maioria. Entre 2017 e 2019, esta taxa rondou os 24 e 25%, por exemplo. A proporção mais baixa da última década, à excepção dos anos da pandemia, verificou-se em 2014, com 11,2%.

       

      GOVERNO DIZ QUE TEM VINDO A ALARGAR REDE DE APOIO

       

      Na resposta enviada ao nosso jornal, os Serviços de Saúde frisam que o Governo “tem dado grande importância à saúde mental dos residentes”. “Através do mecanismo eficaz de colaboração interdepartamental, os Serviços de Saúde, o Instituto de Acção Social, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e as instituições de serviço social têm mantido uma estreita comunicação e colaboração para implementar e concretizar o mecanismo conjunto de ‘prevenção de quatro níveis, interligados estreitamente aos tetracíclicos’ da Organização Mundial da Saúde, proporcionando serviços relacionados com a saúde mental, aumentando continuamente a acessibilidade dos serviços, alargando a rede de assistência da sociedade e motivando a sociedade por diferentes partes, como da família, escolas, comunidade no tocante à atenção conjunta prestada e transferência de informações por sua iniciativa, permitindo assim uma intervenção súbita dos respectivos Serviços, bem como a eliminação das eventuais crises existentes”.

      As autoridades assinalam ainda que foram estabelecidos cuidados de saúde mental nos oito centros de saúde, sendo que há serviços de aconselhamento psicológico em duas instituições sem fins lucrativos subsidiadas.

      Além disso, assinalam as autoridades, foi criado um mecanismo urgente destinado à comunicação e ao encaminhamento deste tipo de casos, entre o Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário, os centros de saúde e as instituições de serviço social.

      Em situações de emergência, os médicos especialistas em Psiquiatria prestam serviço durante 24 horas no Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Os Serviços de Saúde, através da equipa de serviço psiquiátrico comunitário, prestam serviços extensivos de psiquiatria para pessoas com doença do foro psiquiátrico que tenham riscos potenciais ou ocultos graves, “tendo obtido bons resultados”, notam os Serviços de Saúde.

      No que toca à saúde comunitária, as autoridades de saúde indicam que está a ser feito o reforço da cooperação entre o hospital e os centros de saúde, “atribuindo competências específicas aos centros de saúde para apoiar o acompanhamento das pessoas com perturbações emocionais, tendo sido realizadas consultas médicas e discussão de casos nos três centros de saúde (Centro de Saúde da Areia Preta, Centro de Saúde de Praia do Manduco e Centro de Saúde de Seac Pai Van), em título experimental, estando a ser acelerados os trabalhos de formação dos profissionais de saúde”.

      Por outro lado, as autoridades lembram que os Serviços de Saúde, através da prestação de supervisão clínica e formação de conhecimentos profissionais aos psicólogos das instituições não governamentais, realizam mensalmente as reuniões de discussão sobre os casos com as instituições comunitárias, apoiam as instituições de reabilitação mental na organização de acções de formação sobre os serviços de saúde mental e na acção de formação de pessoal das mesmas instituições comunitárias.

      Por fim, é referido que os Serviços de Saúde têm uma página electrónica sobre informações de saúde mental que tem como objectivo “eliminar os mal-entendidos e preconceitos do público, em relação às doenças mentais, reforçar o conhecimento sobre a saúde mental, aumentar a vontade das pessoas necessitadas, de procurar apoio profissional por iniciativa própria e promover a saúde psicológica dos residentes de Macau”.

      Os serviços de saúde mental estão disponíveis através de marcação prévia nos centros de saúde do Tap Seac, do Fai Chi Kei, da Areia Preta, da Ilha Verde, dos Jardins do Oceano, de Nossa Senhora do Carmo – Lago, da Praia do Manduco e de Seac Pai Van para tal efeito, sem necessidade de carta de transferência. Por outro lado, há associações, como a Caritas, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau e a Associação Geral das Mulheres de Macau, que prestam aconselhamento psicológico. A Linha Aberta “Esperança de Vida da Caritas” está disponível através do número 28525222.