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      China define meta de 5% de crescimento para 2024 face a dados económicos mistos

      Os esforços da China para repor a confiança na economia estão em destaque na sessão do órgão legislativo chinês, num período de obstáculos suscitados por fricções geopolíticas ou crise imobiliária, mas também com sinais positivos nos setores com valor acrescentado.

       

      Pequim definiu a meta de crescimento económico para 2024 em “cerca de 5%”, na abertura da sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN), que decorre esta semana.

      A taxa é superior às últimas previsões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que apontam para um crescimento este ano entre 4,6% e 4,5%. “O objectivo tem em conta as necessidades e as possibilidades actuais e a longo prazo”, afirmou ontem Zheng Shanjie, o chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão máximo de planeamento económico do país. “Corresponde ao potencial da nossa economia e é realizável através de trabalho árduo”, disse.

      A economia chinesa teve um forte arranque este ano, como evidenciado pela produção de energia durante Janeiro e Fevereiro – um indicador da atividade económica -, que aumentou 11,7%, em termos homólogos.

      O aumento do comércio externo nos meses de janeiro e fevereiro também superou as expectativas, com as exportações e as importações a cresceram 7,1% e 3,5%, em termos homólogos, respectivamente.

      A economia cresceu 5,2% no ano passado, mas isso foi impulsionado pelo efeito de base comparativa, uma vez que em 2022 o PIB da segunda maior economia do mundo cresceu 3%, face às duras restrições e confinamentos impostos durante a pandemia da covid-19. Mas o país depara-se também com uma sequência de dados económicos negativos – deflação, crise imobiliária ou altas taxas de desemprego jovem. Analistas consideram que resultam da determinação do Presidente chinês, Xi Jinping, de abandonar um modelo de crescimento assente no endividamento, que resultou numa transformação do país, mas deixou os governos locais atolados em dívida.

      Guizhou, uma das mais empobrecidas províncias chinesas, por exemplo, construiu algumas das pontes mais altas do mundo, incluindo uma travessia sobre o rio Duge Beipan, com 565 metros de altura, ou a ponte Pingtang, com 332 metros de altura, que atravessa o desfiladeiro do rio Caodu.

      A dívida local é agora também das mais altas do país: 1,2 biliões de yuan (152 mil milhões de euros), ou 137% do PIB da província. “A maioria dos quadros [do Partido Comunista] conseguiu adaptar-se ativamente aos novos requisitos de desenvolvimento, mas alguns não estão a conseguir acompanhar”, advertiu Xi. “Há quem ache que desenvolvimento consiste em lançar projectos, realizar investimentos e expandir em escala”, observou.

      Na visão do líder chinês, a China deve alcançar um crescimento “genuíno” e converter-se numa potência industrial e tecnológica de nível mundial, com uma economia assente na produção de bens com valor acrescentado e alocação eficiente de recursos. Xi pediu que o país se concentre em objetivos de longo prazo, “em vez de visar apenas riqueza material a curto prazo”.

      A primeira vítima foi o imobiliário: em 2021, os reguladores chineses restringiram o acesso do setor ao crédito bancário, suscitando uma crise de liquidez. Uma das maiores construturas do país, a Evergrande, colapsou. Dezenas de outros grupos estão a negociar a restruturação das suas dívidas. Isto acarreta “grandes riscos” para a economia, já que o imobiliário concentra 70% da riqueza das famílias chinesas e 40% das garantias detidas pelos bancos, segundo estimativas do Citigroup. O impacto sobre a riqueza das famílias reduziu o apetite pelo consumo, num segundo golpe para o crescimento.

      Alguns dos planos de Pequim estão a correr de feição: a China ultrapassou, em 2023, o Japão como o maior exportador de automóveis do mundo e a transição energética a nível global depende dos painéis solares, turbinas eólicas e baterias produzidas no país.

      Uma análise divulgada este mês pela consultora Rhodium Group indicou que as empresas chinesas estão agora a competir com os principais grupos alemães em sectores de valor agregado, incluindo maquinaria altamente especializada, automóveis, equipamento elétrico ou indústria química. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau