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      Jockey Club nega indemnizações a proprietários que não querem enviar os seus cavalos para fora de Macau

      A Macau Jockey Club descarta a possibilidade de pagar uma indemnização aos proprietários que não querem enviar os seus cavalos para fora de Macau depois do encerramento do espaço em Abril. Em resposta ao pedido de compensação, a Macau Jockey Club disse estar a sofrer de “grandes encargos financeiros” e apontou ainda que os donos de cavalos deviam ter pensado sobre a situação da empresa e feito a sua avaliação de risco antes de adquirir novos animais.

       

      Um grupo de proprietários de cavalos vai optar por não enviar os seus cavalos para fora de Macau depois de o Jockey Club encerrar permanentemente todas as corridas, a 1 de Abril. Este grupo solicitou recentemente à Macau Jockey Club (MJC) uma indemnização de acordo com o valor dos seus cavalos, mas a empresa deu uma resposta definitiva dizendo que não vai pagar essa indemnização.

      A recusa foi adiantada numa carta enviada pela empresa aos donos de cavalos, na passada quarta-feira, duas semanas depois de estes terem feito o pedido por escrito. Segundo noticiou a TDM Canal Macau, a Macau Jockey Club negou o pagamento das indemnizações devido aos “encargos financeiros substanciais” que a empresa tem actualmente, por causa de uma cláusula de rescisão do contrato com o Governo de Macau.

      Na carta, contudo, não foram esclarecidos quais os encargos financeiros e os termos legais que está a enfrentar, já que, de acordo com o que tinha sido anunciado, a empresa não tem de pagar qualquer compensação ao Governo quanto ao término do contrato. Aliás, a Jockey Club pode receber de volta 15 milhões de patacas, valor de uma caução que vai ser devolvida no final do contrato.

      “Desde o lançamento da Macau Jockey Club, a nossa empresa tem sido confrontada com contínuos prejuízos financeiros”, destacou a carta assinada por Ben To, director de operações da empresa. Apontando o dedo aos donos de cavalos, a Jockey Club disse que as “demonstrações financeiras anuais têm sido tornadas públicas”, pelo que “os proprietários devem ter uma indicação clara da situação financeira da empresa e efectuar as suas próprias avaliações de risco antes de decidirem fazer quaisquer compras [de cavalos] ou investimentos”.

      Os proprietários dos cavalos, por sua vez, reiteraram que compraram os novos cavalos para as corridas porque lhes foi garantido que o espaço do Jockey Club iria continuar a operar por mais duas décadas. Alguns donos disseram até que tinham sido “pressionados” pela empresa para adquirirem novos animais, tendo ficado confiantes com a renovação do contrato entre a Jockey Club e o Governo.

      Na mesma linha, notando que os rumores do encerramento do espaço se tornaram virais na comunidade em meados do ano passado, mas foram sempre desmentidos, os donos dos cavalos lembraram ainda que a empresa publicou sempre os relatórios financeiros em forma de sinopse, em vez de detalhar os conteúdos.

       

      PROBLEMA URGENTE

       

      Recorde-se que o Governo anunciou a rescisão do contrato com a Jockey Club no início do ano, sob pedido da empresa. Assim, as actividades de corridas de cavalos em Macau, com uma história de mais de 40 anos, vão passar à história em Abril deste ano. A Macau Jockey Club, nesse sentido, admitiu que oferece um apoio financeiro aos proprietários em relação ao envio dos cavalos para fora de Macau, pagando 200 mil patacas para o envio dos cavalos para o estrangeiro, com excepção da Austrália e da Nova Zelândia; e 30 mil para o envio dos animais para o interior da China.

      A MJC assumiu também um acompanhamento posterior com a disponibilização de “pessoal adequado” para cuidar dos cavalos, até que estes sejam transportados para fora de Macau. “De acordo com as disposições da Lei de Protecção dos Animais de Macau, sendo proprietário legal do seu cavalo, tem a responsabilidade de cuidar dele”, salientou a empresa, exigindo um pagamento de despesas de 8.000 patacas por mês.

      Já os donos dos cavalos criticaram a medida dizendo que ignora o facto de que “a maioria dos proprietários já perdeu interesse e decidiu reformar os cavalos após 31 de Março”. O grupo pediu então avaliação do valor de cavalos com base na idade, habilidade para correr, vitórias e outros elementos, para proceder à respectiva indemnização.

      Numa carta dirigida à empresa, os proprietários criticaram ainda a “decisão chocante” da MJC de fechar as suas actividades sem ter informado de forma prévia os interessados, incluindo os donos de cavalos e os treinadores. Os donos consideram lamentável que não tenham sido ouvidos, nem pela empresa nem pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), sobre o encerramento do hipódromo.

      Os proprietários de cavalos admitem que, se não chegarem a acordo com a Jockey Club, vão procurar outras formas de assistência, nomeadamente junto da DICJ e da Assembleia Legislativa, para encontrar uma solução para a situação.