Edição do dia

Domingo, 21 de Abril, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
chuva moderada
25.9 ° C
26.9 °
25.9 °
94 %
5.7kmh
40 %
Dom
25 °
Seg
25 °
Ter
25 °
Qua
25 °
Qui
29 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioSociedadeNúmero de idosos que vivem isolados é 4,8 vezes superior aos dados...

      Número de idosos que vivem isolados é 4,8 vezes superior aos dados que o IAS conhece

      Depois de duas idosas terem sido encontradas mortas há quase um ano pelo senhorio do apartamento onde residiam, Ron Lam alerta para a urgência destas situações de idosos que vivem sozinhos. O deputado avisa que o actual banco de dados não corresponde à realidade, e que os mecanismos dos serviços sociais deviam ser revistos, já que este é um problema social crescente, com o superenvelhecimento da população local.

       

      Referindo-se a vários casos recentes de idosos que vivem sem familiares mais novos e que têm falecido em casa, sendo apenas encontrados meses depois do sucedido, o deputado Ron Lam mostrou-se preocupado por esta situação que classifica como “urgente”. O deputado, numa interpelação, falou sobre a necessidade de ser rever a forma como os idosos “escondidos” são acompanhados pelas entidades sociais competentes. Referindo-se ao caso recente na Calçada do Cemitério do falecimento de duas idosas que apenas foram encontradas um ano depois pelo senhorio, que estranhava as rendas não serem pagas, Ron Lam deu ainda como exemplo outro caso. Este ocorreu em Setembro de 2022, quando dois irmãos com cerca de 70 anos foram encontrados um mês após terem falecido, sendo que um deles tinha dificuldades de mobilidade.

      O Instituto para os Assuntos Sociais (IAS) tinha na altura esclarecido aos meios de comunicação social que estes dois idosos não tinham solicitado subsídios ao IAS, nem o “certificado de subsídio de incapacidade ou os serviços prestados pelas instalações não governamentais de serviços para idosos”, e, como tal, não figuravam na base de dados de idosos do IAS. Ron Lam mencionou que, na altura, interpelou as autoridades sobre a questão, solicitando que se aumentassem as formas de recolha de informações sobre idosos, e que se interviesse “de forma proactiva para evitar a repetição de tragédias”.

      Em resposta, foi-lhe dito que desde 2018 foi criada a referida “Base de dados sobre os utilizadores dos serviços para idosos solteiros e famílias com idosos”, que até 2020 contabilizou 6.200 idosos solteiros e casais de idosos, e que outros meios de recolha de dados seriam introduzidos conforme as “necessidades reais no futuro”.  As autoridades sustentaram ainda que durante a pandemia encontraram-se cerca de 250 idosos solteiros ou casais de idosos que nunca tinham recebido qualquer serviço, e os agentes dos serviços sociais ajudaram-nos a candidatar-se aos serviços relevantes.

      Estes factos, argumentou o deputado, são prova de que, para além dos idosos que se candidatam aos serviços por sua própria iniciativa ou dos casos identificados pelas autoridades, “não existe, de facto, nenhum mecanismo regular específico para as autoridades identificarem os idosos isolados e os agregados familiares de idosos escondidos”, alertou. Pegando nos dados do Recenseamento Geral da População de 2021, Ron Lam diz que existem 9.430 agregados familiares com idosos e 10.290 casais idosos (20.580 pessoas), o que equivale ao todo a cerca de 20 mil agregados familiares com idosos.

      Estes dados, denuncia, são 4,8 vezes superiores ao número de pessoas listadas na base de dados do IAS. Estes números, acrescenta, ainda estão em maior discrepância já que “não incluíram outros tipos de agregados familiares compostos apenas por pessoas idosas”, de idosos que não são casados, como foi o caso dos dois irmãos ou das duas senhoras que faleceram. Tendo em conta que no futuro será cada vez mais frequente haverem idosos sozinhos, ou a viveram juntos com outros idosos, “é necessário que as autoridades melhorem os serviços auxiliares relevantes e formulem políticas, identifiquem proactivamente os idosos escondidos, recolham e analisem informações sobre os idosos que necessitam de cuidados e acompanhem os casos numa base contínua”, recomendou.

      Ron Lam acusa, aliás, o Governo de não ser transparente, com os serviços competentes a divulgarem “menos informação do que anteriormente”, e esquivando-se a responder a perguntas sobre os casos em questão, um comportamento que, a seu ver, dificulta “a compreensão das razões da ocorrência das tragédias e a identificação das deficiências das políticas”. Nesse sentido, o deputado pede que, à excepção dos dados pessoais, se tornem públicas estas situações, de modo a que, por um lado, se desperte “a preocupação da comunidade em relação aos idosos do bairro” e, por outro, se permita que “a comunidade reflicta conjuntamente sobre medidas de melhoria para minimizar e evitar, na medida do possível, a repetição de tragédias semelhantes”.

      Para o deputado, é urgente encontrar novas estratégias para encontrar mais “casos ocultos” através da cooperação interdepartamental, entre instituições de saúde, ou através de cuidados comunitários de proximidade, por exemplo. Pergunta ainda se na sequência dos últimos incidentes, algum estudo “aprofundado e sério” foi levado a cabo pelas autoridades, querendo ainda saber que medidas concretas estão em vigor para evitar a recorrência deste tipo de situações.

      A questão, reitera, é urgente, já que, por um lado, a base de dados está desactualizada, e, por outro, Macau está a caminhar a passos largos para uma sociedade superenvelhecida. Recordando que população idosa local em Macau era de 14,1% em 2020 e deverá ultrapassar os 21% em 2029, o deputado quer saber quais são as medidas concretas para fazer face à situação actual, e daqui a cinco anos. Fica também por esclarecer que medidas específicas estão em vigor para apoiar e cuidar da subsistência dos idosos que vivem sozinhos e das famílias com dois idosos, depois do Governo defender como directriz o conceito de que se deve “envelhecer no local”.