Em Dezembro de 2022 e em Janeiro de 2023, a mortalidade em Macau bateu recordes históricos, tendo sido quatro vezes superior ao habitual. Este aumento coincidiu com o fim das restrições pandémicas no território. Há um ano, o Governo dizia que precisava de tempo para analisar a mortalidade excessiva. Agora, em resposta ao PONTO FINAL, os Serviços de Saúde admitem que este aumento no número de mortes “pode ser associado ao agravamento de doenças crónicas preexistentes, após a infecção pelo novo coronavírus”.
Após três anos de fortes restrições no território decretadas pelo Governo, de forma evitar a chegada à região da pandemia de Covid-19, as autoridades levantaram a generalidade das medidas entre o final de Dezembro de 2022 e Janeiro de 2023. O resultado terá sido o mesmo que foi verificado noutros países e regiões do mundo aquando do fim das restrições: aumento exponencial do número de infecções por Covid-19 e consequente aumento da mortalidade. A diferença foi que, em Macau, esse fenómeno aconteceu bastante tempo depois, com três anos de restrições fronteiriças pelo meio.
Recorde-se que, em Dezembro de 2022 e em Janeiro de 2023, a mortalidade em Macau bateu recordes históricos, tendo sido quatro vezes superior ao habitual. Segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, houve 798 óbitos em Janeiro do ano passado, por exemplo, o que contrasta com os 206 óbitos de Janeiro de 2022. Só as mortes provocadas por doenças do aparelho respiratório, em Janeiro, aumentaram quase 1.700% face ao ano anterior. Em Março do ano passado, o gabinete da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura disse ao PONTO FINAL que “as autoridades de Macau precisam de um longo tempo para poder avaliar, objectivamente, a mortalidade excessiva associada à pandemia”.
Agora, também em resposta ao PONTO FINAL, os Serviços de Saúde admitiram que este aumento de mortes de Dezembro de 2022 e Janeiro de 2023 “pode ser associado ao agravamento de doenças crónicas preexistentes, após a infecção pelo novo coronavírus”, dado o facto de “mais residentes terem sido infectados pelo novo coronavírus” após o levantamento das restrições. “A epidemia da Covid-19 acarretou, inevitavelmente, um risco acrescido de morte entre os idosos ou doentes crónicos”, lê-se na resposta das autoridades.
Os Serviços de Saúde apontaram também que, em 2022, a taxa de mortalidade padronizada por idade em Macau foi de cerca de 3%, “o que é semelhante à de Hong Kong no mesmo ano”. O número de mortes em Macau em 2022 foi de 3.004, e 2.320 em 2021. “As várias causas de morte, incluindo pneumonia e outras doenças crónicas não transmissíveis, como hipertensão, doenças cardíacas, doenças cerebrovasculares, diabetes, etc., aumentaram em diferentes amplitudes”, salientaram as autoridades.
O Governo fez questão de salientar na resposta que não foi só em Macau que o número de mortes aumentou: “De acordo com estatísticas relativas à mortalidade em todo o mundo, registou-se um aumento do número de mortes nos primeiros dois anos, após a ocorrência da epidemia da Covid-19. Entre as principais razões, incluem-se as mortes causadas directamente por pneumonia e complicações após ter sido infectado pelo novo coronavírus”.











