Dezenas de milhares participam nas campanhas dos três candidatos eleitorais de Taiwan

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Dezenas de milhares de pessoas participaram no sul de Taiwan nas campanhas dos três candidatos ao governo, durante o último fim de semana antes das eleições marcadas para 13 de Janeiro.

 

As eleições de 13 de Janeiro em Taiwan serão particularmente escrutinadas pela China e pelos Estados Unidos devido à sua importância para o futuro das relações entre a ilha democrática e Pequim.

O favorito e actual vice-líder do governo, Lai Ching-te, do Partido Democrata Progressita (DPP), no poder, classificou a eleição como uma escolha “entre a democracia e a autocracia”, enquanto o seu principal oponente, Hou Yu-ih, alertou que o DPP colocaria Taiwan mais perto “da guerra”.

Hou é o candidato do partido Kuomintang (KMT) da ilha, que defende relações mais estreitas com Pequim. Falando a uma multidão de apoiantes vestidos de vermelho e azul na cidade de Kaohsiung (sul), este antigo agente da polícia apelou aos eleitores para não serem “enganados” pelo DPP. “Eles adoram dizer que Hou Yu-ih é pró-China e que venderá Taiwan… Hou Yu-ih garantirá a paz entre os dois lados do estreito”, disse o candidato de 66 anos, presidente da câmara de Nova Taipei.

Os seus apoiantes empunhavam cartazes que diziam: “Vote no KMT, o Estreito de Taiwan estará livre de guerras”. Uma participante de 56 anos, Ou Pei-li, que trabalha em finanças, disse temer uma guerra com a China: “Não quero que isto se pareça com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia”, disse.

Nos últimos oito anos, Taiwan tem sido liderada por Tsai Ing-wen, uma líder não muito bem vista por Pequim pela sua defesa da soberania da ilha. A China interrompeu todo o diálogo de alto nível com o governo de Taiwan e enviou um número sem precedentes de aviões de combate e navios de guerra em redor de Taiwan, aumentando o receio de conflito.

Dezenas de milhares de apoiantes do DPP, vestidos de verde, a cor do partido, reuniram-se para um comício noturno na mesma cidade de Kaohsiung, aguardando a chegada de Lai.

Finalmente, Ko Wen-je, candidato do pequeno Partido Popular de Taiwan que atrai particularmente os eleitores jovens, presidiu outro comício perto do centro de Kaohsiung.

Taiwan vai a eleições no dia 13 com a economia em terreno positivo, mas com uma crescente desigualdade, alimentada por salários baixos e elevados preços da habitação. A economia da ilha cresceu 2,3% no terceiro trimestre, enquanto a bolsa de valores atingiu em dezembro o nível mais elevado em quase dois anos.

A taxa de desemprego caiu em Novembro para 3,3%, o valor mais baixo desde 2000, e a inflação de 2,9% em termos anuais é “muito baixa comparada com o resto do mundo”, disse Chen Fang-Yu, professor de ciências políticas na Universidade de Soochow, em Taiwan.

Nos últimos oito anos, o governo de Tsai Ing-wen, constitucionalmente impedida de concorrer a um terceiro mandato, “tentou diversificar o investimento” para reduzir a dependência da China, recordou Yen Wei-Ting. A professora de ciências políticas na universidade Franklin and Marshall College, nos Estados Unidos, disse que tanto o investimento estrangeiro na ilha como o investimento taiwanês no exterior “tiveram um desempenho relativamente bom comparado com outros países”. Lusa