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Segunda-feira, 26 de Fevereiro, 2024
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      LEITORES EM CONSTRUÇÃO

      TINTIN E O REGRESSO DE CASTAFIORE

      Hergé
      As Jóias de Castafiore
      Asa
      Tradução de Maria José Maglahães Pereira e Paula Caetano

      Em 1960, a revista Paris Match dedica a primeira página de uma das suas edições de Maio ao roubo de uma série de jóias pertencentes a Sophia Loren, que filmava The Millionairess, de Anthony Asquith, na Noruega. À procura de inspiração para mais uma aventura de Tintin, Hergé inspira-se nesta reportagem para criar o enredo de As Jóias de Castafiore. Em vez de Loren, será a cantora lírica Bianca Castafiore a vítima de um roubo, cuja trama se complica com a acusação infundada de um grupo de ciganos que acampava perto de casa da cantora, equívoco que Tintin acabará por solucionar.
      Percursor em muitas coisas, também na questão das faixas etárias atribuídas às leituras Tintin teve um papel importante, assumindo sempre que entre o seu público haveria leitores de todas as idades. Apesar dessa abrangência, é inegável que as aventuras do jovem repórter com mais queda para desvendar mistérios do que para fazer jornalismo são uma óptima porta de entrada no mundo da leitura. No caso desta nova edição de As Jóias de Castafiore, o apelo está na narrativa e no modo sempre inventivo como Hergé a desenvolve, nessa dança entre palavras e imagens que dominou como ninguém. Além disso, é provável que leitores mais velhos, ainda lembrados da revista Tintin, vejam nesta edição a atracção coleccionadora, uma vez que se trata da primeira versão desta história, tal como foi publicada nessa revista mítica, num trabalho editorial que recuperou as pranchas originais e as restaurou.

       

      Isabel Minhós Martins e Bernardo P. Carvalho
      O Ponto em que Estamos
      Planeta Tagerina

      Num exemplar exercício de contenção verbal, aliado a uma construção visual rica em pormenores e jogos semânticos, este álbum faz-nos olhar para o mundo e reflectir sobre o que andamos a fazer – a ele e a nós. Consumo desenfreado, construção desmedida, esgotamento dos recursos, tudo isso passa por estas páginas sem se transformar em discurso apocalíptico ou panfleto ambiental. E não é que não haja motivos que justificassem essa transformação discursiva, mas o que aqui se cria é de outra ordem e nem por isso apela menos à reflexão. Das «planícies de asfalto a perder de vista» aos «arquipélagos de roupa fora de moda», as palavras de Isabel Minhós Martins e as imagens de Bernardo P. Carvalho traçam um ponto da situação do planeta e do nosso papel na sua destruição paulatina, lembrando que o consumo barato tem um preço astronómico, mas também que não se trata exactamente de uma escolha individual (ao contrário do que se tenta fazer passar). O ponto, no entanto, não é apenas da situação, é sobretudo a nossa irrelevância universal, o pequeno pontinho que representamos no universo. E que estranho é conseguirmos reunir tanta destruição num espaço tão pequeno, no único que temos para viver.


      Carlos Drummond de Andrade e Ziraldo
      História de Dois Amores
      Tinta da China

       

      Jimmy Liao
      Debaixo da Mesma Lua
      Kalandraka
      Tradução de Ana M. Noronha

       

      Toni Morrison e Slade Morrison (ilustr. Pascal Lemaître)
      O Livro das Pessoas Mazinhas
      Nuvem de Letras

       

      Deok Kyu Choi
      As Mãos do Meu Pai
      Orfeu Negro
      Tradução de Na Young Jung