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      Pedidos de ajuda relativos a suicídio subiram 35% na linha aberta da Caritas

      Paul Pun, secretário-geral da Caritas Macau, revelou que a Linha Esperança de Vida da Caritas recebeu 541 pedidos de ajuda no âmbito da prevenção do suicídio no ano passado, mais 35% face ao ano anterior. Ao PONTO FINAL, o responsável sublinhou que o grupo etário dos 10 aos 20 anos registou o maior número entre quem solicitou ajuda relativa a suicídio. Entre as chamadas em geral, com mais de dez mil em 2023, o número de pedidos por parte dos jovens triplicou.

       

      As chamadas mantiveram-se frequentes na Linha Esperança de Vida da Caritas Macau no ano passado, à semelhança do ano anterior, mas houve mais pessoas que recorreram à ajuda para a prevenção do suicídio, apesar do fim da pandemia e do regresso à normalidade da cidade. Paul Pun, secretário-geral da Caritas Macau, em declarações ao PONTO FINAL, disse que um total de 10.403 chamadas foram recebidas pela linha de apoio da Caritas no ano passado, das quais 541 eram relacionadas com o suicídio, o que representa um aumento de 35% em comparação com o ano anterior.

      Segundo os dados registados na Caritas, a organização de serviços comunitários recebeu 401 chamadas sobre suicídio no ano anterior, e 300 em 2021. O volume de 541 chamadas traduz uma média mensal de 45 chamadas, mais 12 chamadas por mês face a 2022.

      “As referidas 541 chamadas eram relacionadas com o suicídio, envolvendo pessoas com ideias ou planeamentos para cometer suicídio, ou já com comportamentos de se ferirem a si mesmos”, disse. O responsável da Caritas apontou que a faixa etária dos 10 aos 20 anos foi o grupo dominante entre quem procurou ajuda no âmbito do suicídio, seguido pelas pessoas com idades compreendidas entre 20 e 30 anos, e pelo grupo dos 30 aos 40 anos de idade.

      Paul Pun explicou que os motivos de recorrer à linha de apoio para prevenção de suicídio foram principalmente perturbações emocionais, saúde mental, bem como problemas familiares. Para além dessas razões, “outros sofrem de depressão ou transtorno de ansiedade, sendo afectados por essas duas perturbações psicológicas, e assim tinham ideias de cometer suicídio”, indicou.

      Ao destacar o acréscimo dos pedidos de apoio sobre suicídio, Paul Pun frisou que o número total de chamadas registou uma diminuição muito ligeira. As chamadas em geral passaram de 11.330 do ano anterior para 10.403 do ano passado, sendo que a Caritas recebeu até 12.000 chamadas de ajuda em 2021, e quase 8.000 em 2020.

       

      TRÊS VEZES MAIS PEDIDOS DOS JOVENS

       

      O responsável da Caritas também notou que muito mais jovens andaram à procura de ajuda e aconselhamento psicológico no ano passado, o que não tinha sido um fenómeno frequente no passado. “De acordo com os dados do nosso serviço da Linha Esperança de Vida, os pedidos de ajuda apresentados pelos jovens e adolescentes dispararam 361%, em relação ao ano anterior”, avançou Paul Pun, afirmando que não se verificaram muitos pedidos telefónicos por parte de jovens ao longo dos anos.

      As solicitações de ajuda na plataforma online da Caritas viram, entretanto, um crescimento de 14,3% no ano passado. Na opinião de Paul Pun, o aumento de pedidos online é normal, uma vez que os jovens utilizam sempre a internet e habituam-se a falar com outros através de meios online.

      “Recentemente existiram mais jovens que se mostraram dispostos a usar o telefonema [para pedir ajuda]. Provavelmente porque o Governo prestou mais atenção à saúde mental dos jovens e fizeram-se muitos trabalhos de sensibilização, por exemplo, infografia, para incentivar a um pensamento positivo e também para sensibilizar sobre os meios de pedidos de ajuda. Portanto, os jovens sabem para onde podem telefonar para falar sobre os seus problemas”, salientou.

      Paul Pun disse ainda a este jornal que a Linha Esperança de Vida em língua inglesa “não recebeu muitas chamadas” no ano passado, dado que a maioria das pessoas necessitadas de apoio, que não são falantes da língua chinesa, sente-se com mais vontade de pedir ajuda presencialmente junto aos pontos de serviços da Caritas.