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      InícioSociedadeMais de 10% dos jovens sentem-se ansiosos com grande frequência

      Mais de 10% dos jovens sentem-se ansiosos com grande frequência

      Mais de 10% dos estudantes do ensino secundário de Macau revelaram sentir ansiedade na maior parte do tempo ou quase sempre. A conclusão é retirada de um inquérito realizado pela Universidade de São José, encomendado pela Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau. O inquérito mostra também que as raparigas sentem mais ansiedade do que os rapazes.

       

      Um inquérito encomendado pela Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau e realizado pelo Observatório para o Desenvolvimento Social de Macau da Universidade de São José (USJ) revelou que mais de 10% dos estudantes do ensino secundário se sentem ansiosos durante a maior parte do tempo ou quase sempre. Além disso, mostraram os resultados do inquérito, o nível de ansiedade dos estudantes do sexo feminino é superior ao dos estudantes do sexo masculino.

      A população alvo deste inquérito, cujos resultados foram divulgados pelo Jornal Cheng Pou, foram os estudantes do ensino secundário a tempo inteiro de Macau. Foram enviados 2.015 questionários e devolvidos 1.655, o que representa uma taxa de recuperação superior a 80%.

      Em termos de satisfação com a vida, a maioria dos estudantes do ensino secundário registou um nível “médio”; em termos de resiliência, os estudantes de Macau têm nota 3,14 (de 0 a 5) e no que toca à manutenção do interesse em determinada tarefa têm 3,04.

      No que toca à categoria de realização pessoal, o valor médio dos jovens de Macau foi de 4. Isto reflecte que a paixão pela vida, a ligação ao mundo exterior e a pressão na vida dos estudantes se situam “num nível médio ou mesmo superior”. Assim, a Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau sugere às autoridades que se concentrem neste aspecto no futuro, com foco no “sentido de existência dos estudantes nas suas vidas”.

      As entrevistas qualitativas também revelaram que o factor que provoca mais ansiedade aos estudantes é a gestão das relações interpessoais. Os inquiridos indicaram que não queriam ser deixados de fora pelos amigos, “o que pode causar algum stress na gestão das relações entre pares”, indicou a associação. Por outro lado, as amizades também são vistas como um recurso que pode aliviar o seu stress emocional. “Como os estudantes se preocupam em ter relações genuínas e valorizam a compreensão entre as pessoas, uma amizade pode ser uma faca de dois gumes que pode aliviar ou causar stress”, sublinhou a associação.

      Além disso, verificou-se também que a maioria dos inquiridos opta por encontrar um espaço virtual ou criar rituais para lidar com o stress, como escrever um blogue ou escrever os seus desabafos num papel e dobrá-lo em forma de estrela. A maioria das suas respostas imediatas ao stress foi “aguentar e ficar calado” e “ter cuidado e dar cada passo em frente”. “Isto mostra que, quando os estudantes do ensino secundário se deparam com problemas e lidam com eles, tendem a digeri-los pessoalmente em vez de procurarem ajuda no mundo exterior, e a forma de lidar com eles tende a deslocar-se da realidade para o mundo virtual, o que também reflecte que as relações interpessoais da Geração Z pode ser afectada pela adição do mundo virtual”, comenta a associação.

      Com estes resultados, a associação recomenda “que Macau preste mais atenção à saúde mental dos estudantes do ensino secundário, melhore a auto-confiança dos jovens e lhes dê um maior sentido de realização, para que possam partilhar os seus sentimentos de forma mais franca e reduzir o desgaste interno causado pelo medo do fracasso”. Já os pais, professores e educadores “devem acreditar que os jovens são capazes de lutar pela sua própria felicidade e, em vez de se preocuparem com o insucesso dos seus filhos e aumentarem a pressão sobre eles, podem também considerar a possibilidade de os ajudar a enfrentar as dificuldades face ao mundo virtual”.