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      InícioCultura“Percepção e Sensibilidade” da pintura japonesa na Humarish Club  

      “Percepção e Sensibilidade” da pintura japonesa na Humarish Club  

      Inaugurou na terça-feira na galeria do Lisboeta Macau uma mostra colectiva de pintura japonesa moderna. Numa estreia dos cinco artistas contemporâneos em Macau, a mostra, que pode ser visitada até 12 de Janeiro, foi produzida em colaboração com a Galeria Mizuma Art, de Tóquio, que desde 1994 tem parcerias com outras galerias conceituadas em Singapura, Nova Iorque e Indonésia.  

       

      Numa fusão entre elementos vibrantes e subtis, em que “texturas e tons contrastam de forma harmoniosa”, as pinturas de cinco artistas contemporâneos do Japão estão expostas na galeria Humarish Club, no Lisboeta Macau. Os responsáveis em nota indicaram que a selecção é uma oportunidade de ficar a conhecer de forma mais profunda a “delicadeza excepcional” da pintura que se produz actualmente no Japão.

      A parceria com a Galeria Mizuma Art conta com obras de cinco artistas que expõem pela primeira vez em Macau: Ayane Eguchi, Rina Ogino, Shintaro Ohata, Sanemasa Namonaki e Rina Mizuno. A galeria da capital nipónica é conhecida por representar artistas asiáticos de renome mundial como Ai Weiwei, Du Kun, Jun Nguyen-Hatsushiba, Ken + Julia

      Yonetani, e Zhao Zhao. Em actividade desde 1994, a Mizuma Art também estabelece parcerias com a Gillman Barracks em Singapura, e criou um espaço de residências artísticas na Indonésia, o Rumah Kihang Mizuma, em Yogyakarta. Entre 2018 e 2023, a galeria japonesa também trabalhou com a Galeria Kips em Nova Iorque, em a “Mizuma & Kips”.

      Na inauguração da mostra na Humarish Club, na terça-feira, estiveram presentes os dois representantes das respectivas galerias – Sueo Mizuma, fundador e director da galeria japonesa, e Yuzhou Hua, da galeria de Macau. A abertura contou ainda com a presença de Angela Leong, presidente da Fundação Dr. Stanley Ho e deputada à Assembleia Legislativa, e Susanna Un, directora actual do Museu de Arte de Macau.

      Explicando as suas criações, estiveram também na inauguração duas das pintoras japonesas.

      Ayane Eguchi, referiu a galeria, é uma jovem artista muito popular entre a nova geração do Japão, e conhecida pela sua paleta com tons oníricos e suaves. Com o seu pincel, pretende “representar a dualidade que existe no mundo”. Ayane Eguchi prefere criar “paisagens de sonho”, escolhendo frequentemente imagens naturais como cenários para as suas pinturas, desde mares, a montanhas e praias. “O seu esquema de cores pastel caraterístico dá uma impressão geral aparentemente pura e inofensiva a estas cenas”, partilhou a organização; “no entanto, após uma observação mais atenta, é possível encontrar narrativas inquietantes nestas cenas”, o que nos sugere que “nem tudo vai bem”, e que “o mundo natural está repleto de ameaças e elementos sinistros”. Outra das características particulares desta artista japonesa é a escolha de colocar diferentes cores de tinta na tela, e de depois remover algumas partes da tinta, empilhando outras tintas antes de a tinta anterior secar por completo, uma técnica que cria uma textura de superfície com várias camadas que dá literalmente forma à sua singular expressão artística.

      Já Yuna Ogino, a segunda pintora que também deu as boas-vindas aos presentes na inauguração da exposição, cria principalmente pinturas semi-abstractas em que se podem ver figuras de pessoas ou flores. Nos seus quadros mais recentes, retrata objectos com uma perspectiva feminina e pinceladas suaves, procurando referir-se nas suas criações “à energia inerente à vida, às emoções e à transitoriedade”. Sensibilidade, composição e o equilíbrio das cores, são para si os vectores mais importantes, partilhou em nota a galeria do Cotai. Para além de transmitir as imagens que surgem na sua mente, Yuna Ogino pretende também que a sua arte “toque no coração de mais pessoas”, ajudando-as através das suas pinturas a compreender melhor os seus pensamentos e sentimentos.

      Também expostas na galeria estão as pinturas de Shintaro Ohata, um pintor conhecido por criar obras de arte que retratam pequenas coisas do quotidiano, como se fossem cenas de um filme. O artista também é conhecido pela forma como combina o 2D com o 3D, colocando esculturas em frente a quadros. “Ao fazê-lo, acredito que os espectadores podem sentir a atmosfera das minhas obras de forma mais viva e dinâmica. Estava à procura de uma forma de dar um toque mais realista à minha obra sem alterar o meu estilo de pintura, e depois inspirei-me na pintura dos cenários do cinema e do teatro. Foi então que me ocorreu a ideia de fazer esculturas a partir de pinturas”, partilhou.

      Explorando tecnologias como os ecrãs ou as plataformas de redes sociais, Sanemasa Namonaki explora personagens de ‘anime’, transmitindo nas suas pinturas um sentido estético influenciado pela ciência. A maioria dos materiais que utiliza são recolhidos na internet e o artista combina estas imagens, produzindo obras de arte que muitas vezes assumem um formato de pinturas de paisagens, apesar das referências urbanas e tecnológicas.

      A quinta artista a expor na Humarish Club é Rina Mizuno. A japonesa recorre a pinceladas arrojadas, cores ricas, e padrões detalhados, contrapondo-os a elementos monocromáticos, e fundindo as influências ocidentais e orientais. Deixando intencionalmente algumas partes da tela intocadas, Rina Mizuno cria assim a impressão de que a sua “pintura e não é bem uma pintura”, partilhou a organização. As suas linhas improvisadas e robustas entrelaçam-se ainda com vários padrões de plantas. O objectivo da artista é criar uma pintura que seja “irreconhecível” num certo sentido, evocando uma sensação de intriga e mistério.

      “Percepção e Sensibilidade” pode ser visitado até 12 de Janeiro de 2024. A Humarish Club está aberta todos os dias das 12h às 20h e localiza-se na loja R82-83 do centro comercial H853 Fun Factory do resort Lisboeta Macau.