Instantes da cidade e momentos fugazes dos trajectos das pessoas que atravessam o território vão ser apresentados a cores e preto e branco na Galeria da Fundação Rui Cunha. As 30 fotografias pertencentes a vários membros e amigos da Associação Halftone fazem parte da primeira exposição anual colectiva.
A associação Halftone apresenta, no próximo dia 4 de Dezembro, pelas 18h30, na galeria da Fundação Rui Cunha, a sua exposição anual colectiva com trabalhos fotográficos da autoria de alguns dos seus membros. A mostra, que conta com o apoio da Fundação Rui Cunha e do Banco Nacional Ultramarino, revelará um total de 30 trabalhos – profissionais e amadores – que vão desde a fotografia documental até à expressão artística, passando pela fotografia de arquitectura, de moda, de rua, a cores ou a preto e branco, poderão ser vistos nas paredes da galeria da Fundação Rui Cunha.
Ao PONTO FINAL, uma das figuras de destaque da associação, Gonçalo Lobo Pinheiro, esclareceu que não houve um critério de selecção específico para a escolha das 30 fotografias, e que foi o acaso que ditou que esta mostra fosse composta maioritariamente por imagens de Macau. “Acabou por ser uma coincidência. A ‘Open Call’ que a associação abriu aos seus associados era de tema totalmente livre, sem critério de admissão. As pessoas acabaram por, de certa maneira, optar por participar com fotografias captadas em Macau”.
Esperançoso de que esta mostra colectiva seja a primeira de muitas, o fotógrafo avançou que para 2024 estão previstas algumas actividades e também “surpresas” que, para já, “ficarão no segredo dos deuses”. A associação prossegue com a publicação de três em três meses da sua revista, cuja última edição foi lançada durante o último Festival Literário de Macau, em Outubro passado, e também faz tenção de voltar a organizar daqui um ano a segunda edição da mostra colectiva. “Outras coisas estão na calha que, em tempo oportuno, iremos anunciar. Contudo, posso afirmar que serão momentos de grande sinergia, não só com a comunidade, mas também com parceiros locais e internacionais, que possam querer juntar-se a nós”, confessou.
Em resultado na ‘Open Call’ aberta pela associação, vão poder ser visualizados na galeria da Avenida da Praia Grande trabalhos conhecidos e também inéditos de, por ordem alfabética: André Ritchie, António Mil-Homens, António Sotero, Bessa Almeida, Catarina Cortesão Terra, Cecília Ho, David Lopo, Elói Scarva, Francisco Ricarte, Gonçalo Lobo Pinheiro, Hugo Teixeira, Joana Freitas, João Daniel, João M. Rato, João Miguel Barros, João Nuno Ribeirinha, João Palla Martins, José das Neves, José Sales Marques, Lurdes de Sousa, Maria José de Freitas, Mide Plácido, Nélson MS Silva, Nuno Veloso, Pascal Pun, Ricardo Meireles, Rusty Fox, Sara Augusto, Sara Marçal e Stefan Nunes.
A Halftone é uma associação cultural sem fins lucrativos que tem por objectivo a promoção da fotografia contemporânea em todas as suas vertentes. Trata-se de uma associação inclusiva e abrangente, e está aberta a todos aqueles que tenham interesse na fotografia como expressão artística e/ou documental, independentemente da sua experiência ou da sua prática, partilhou a mesma em comunicado. Por isso, propõe-se a promover o trabalho fotográfico dos seus associados, bem como organizar exposições, publicar uma revista, livros e monografias, organizar debates e desenvolver projecto pedagógicos e educativos.
Quisemos perguntar ao responsável quais os requisitos para se ser membro da associação. “É muito fácil. Acima de tudo é preciso que cada um goste de fotografia, seja porque é fotógrafo – amador ou profissional – ou porque, simplesmente, gosta da arte fotográfica, seja em que faceta for”. Depois, basta pagar uma joia de inscrição de 500 patacas, e a anuidade de outras 500 patacas como membro. De resto, estes “têm descontos nas nossas actividades, workshops, livros, palestras, conferências, merchandising e outros benefícios”, adiantou o responsável. “Para os estudantes, aplica-se uma taxa única de 500 patacas. E, claro, todos estão habilitados a participar na nossa revista que se publica a cada três meses”, acrescentou.
Gonçalo Lobo Pinheiro fez ainda o balanço da fotografia analógica em oposição à digital, acreditando que a vertente tradicional já ultrapassou as dificuldades vividas durante o surgimento da fotografia digital. Actualmente, “ambas vivem pacificamente, lado a lado”, mas, mesmo assim, na sua óptica, “a fotografia analógica é um nicho no meio disto tudo que é o advento tecnológico e a massificação da fotografia digital”, admitiu. E a fotografia como forma de arte, está em pé de igualdade com outras ferramentas mais tradicionais como a pintura ou a escultura, tem legitimidade para o ser? “Claramente. Por que não haveria de ser? É uma forma de expressão artística (e não artística) que merece total destaque. Não tenho dúvida alguma”.
A Exposição Anual Colectiva da Associação Halftone está patente na Galeria da Fundação Rui Cunha até dia 8 de Dezembro.












