O antigo fundador do entretanto suspenso Festival Internacional de Cinema de Macau está de volta à cidade, apostando num novo formato centrado em novas produções cinematográficas. A decorrer entre 5 e 11 de Janeiro, este será um “ano zero” para testar a recepção do público local, que contará com 15 ‘masterclasses’ de grandes nomes do cinema contemporâneo como Hamaguchi Ryusuke, Amir Naderi ou Luca Guadagnino, realizador de “Call Me By Your Name”.
Entre os dias 5 e 11 de Janeiro do próximo ano, Macau vai ter um novo festival de cinema: O Festival de Cinema Jovem Euro-Asiático, que conta com o apoio do Governo, da Associação de Promoção do Cinema em Língua Chinesa, e de diversos patrocínios comerciais. Esta é a concretização do último projecto de Marco Mueller, cineasta que já esteve à frente de diversos festivais em Locarno, Roma, Veneza e Pequim.
Numa notícia avançada pela revista Variety, o também cineasta confessou que desde 1994 que tem “o sonho de construir Macau como um paraíso cultural para população cinéfila”. O sonho que começou a ser esboçado em 2016, com a fundação do Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios – Macau, mas entretanto Marco Mueller acabou por se afastar da iniciativa antes do arranque desse festival devido a “diferenças criativas”. Ainda assim, o festival continuou por mais cinco edições, ficando suspenso depois de uma última edição online em Dezembro de 2020.
O que o traz a Macau, portanto, não é uma recuperação do antigo projecto. O novo festival de cinema jovem pretende ser antes de mais um ponto de encontro entre jovens realizadores e agentes da indústria cinematográfica do interior da China, da Ásia, e da Europa. Cerca de 30 companhias europeias e asiáticas vão poder ver amostras de filmes ainda em produção, ou trailer de filmes de novos realizadores, e cerca de 20 distribuidores de filmes do interior da China, de Taiwan, Hong Kong e também delegados de alguns dos principais festivais europeus de cinema terão também acesso a estas novas produções.
Para o público geral, estão previstas 15 ‘masterclasses’ com realizadores conceituados, como Hamaguchi Ryusuke (“Evil Does Not Exist”), Amir Naderi (“Vegas: Based on a True Story”) ou Luca Guadagnino (“Call Me by Your Name”). Luca Guadagnino, um amigo pessoal do curador, é dado como um exemplo de alguém que é considerado um ícone pelo público e indústria cinematográfica chinesa. Sobre a vinda de cerca de 20 realizadores contemporâneos a Macau, Marco Mueller confessou numa entrevista recente ao Macau Daily Times que a estratégia de trazer estas pessoas é para que o festival tenha mais visibilidade. Até agora todos aceitaram o convite, e trazem cá novas “ideias sobre realização, que é uma excelente base para que haja uma troca contínua com o público mais jovem”, confessou.
Referindo-se a esta primeira edição como a edição “zero”, o organizador acha que Macau está a passar por uma fase “excitante” desde há cinco ou seis anos em termos de produção cinematográfica, mas ressalvou que ainda é necessário apurar se o público local é receptivo a este tipo de festival com novos cineastas. “[Macau] é um sítio onde se pode cultivar a cultura cinematográfica, mas será que há público local que queira ir a um festival? Ainda temos de averiguar o apetite do público local e é por isso que precisamos de uma edição zero”.
Marco Mueller continua confiante de que a cidade tem potencial para se tornar num ponto de encontro da indústria cinematográfica entre a China e o resto do mundo, e que, por isso mesmo, é “muito importante focarmo-nos na ligação China-Ásia e Europa”, porque “nos últimos anos não aconteceu muita produção”.
A grande vantagem de Macau, em comparação com outros festivais chineses, como o de Pequim ou o Festival Internacional de Cinema de Pingyao – certame de Xangai que o responsável teve de abandonar para poder agora estar envolvido na produção do evento de Janeiro – é que a região é mais pequena e é mais fácil criar sinergias entre as várias partes envolvidas. “Xangai exibe quase 400 filmes e Pequim mais de 200 filmes. Quando se tem um ambiente mais focado, como é o caso aqui, é possível capitalizar num ambiente concentrado onde as pessoas não serão distraídas por muitos eventos a decorrer simultaneamente”, esclareceu. “Penso que o nascimento de um festival internacional levará a que estes ‘workshops’ e intercâmbios promovidos com a China, a Ásia e a Europa possam ocorrer de forma permanente”.
O programa da 1ª edição do Festival de Cinema Jovem Euro-Asiático de Macau será anunciado no início de Dezembro, indicou ainda o mesmo responsável.












