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      Peça de teatro da Associação Teatral Hio Kok explora tensões entre mãe e filha  

       

      “Hide and Seek”, ou “Jogo de Escondidas”, é a mais recente criação de Lawrence Lei, dramaturgo veterano de Macau que vai levar este thriller em cantonense ao Festival de Teatro da China, Japão e Coreia do Sul, que está a decorrer em Shenzhen. Depois da actuação no dia 28 na cidade vizinha, a peça vem a Macau a 9 e 10 de Dezembro, subindo três vezes ao palco do Pequeno Auditório do CCM.

       

      Uma casa canadiana, uma cozinha. Neste espaço, mãe e filha procuram recuperar o tempo perdido, e encurtar a distância de 25 anos e 12.567 quilómetros que separam Macau e Toronto. A mãe, reformada e divorciada do pai, pega nas suas poupanças e muda-se para a casa da filha no Canadá, mas a filha, entretanto, tornou-se numa desconhecida, e a mãe vê-se presa numa situação de choque cultural e de desconfiança em relação à filha, que está falida.

      “Toda a história está ligada a esta ideia de se estar escondido e não revelar as intenções, e se procurar descobrir a verdade”, explicou ao PONTO FINAL o criador da peça de teatro “Hide and Seek” pela Associação Teatral Hio Kok. “A relação entre a mãe e a filha é como um jogo de escondidas”.  Lawrence Lei partilhou que sobretudo a sua peça procura explorar as diferenças culturais, “da relação com o dinheiro, da demonstração de afecto entre familiares, e até estéticos” que ocorrem entre esta mãe que sempre viveu em Macau, e esta filha que cresceu sozinha no Canadá. “Quando a mãe viaja para o Canadá, a filha tem 36 anos. Isso quer dizer que durante 25 anos viveu sozinha no Canadá”. Esta distância é sentida na pele da mãe quando esta vai tentar viver com a filha, e não se consegue habituar às diferenças culturais, acrescentou.

      Acabado de voltar de Hong Kong, onde, no dia 20, o grupo de teatro fez uma actuação de leitura de guião, a Associação Teatral Hio Kok agora prepara-se para a primeira actuação da peça “Hide and Seek” em Shenzhen, no dia 28. “Vamos participar num festival de teatro, o Festival de Teatro da China, Japão e Coreia do Sul, que está a decorrer em Shenzhen. Mais tarde, voltamos a Macau a 9 e 10 de Dezembro para três actuações no Centro Cultural de Macau”, partilhou Lawrence Lei.

      Desta vez, a Associação Teatral Hio Kok vai poder apresentar a peça no palco do pequeno auditório, mas até há bem pouco tempo o grupo dramaturgo não tinha muitos espaços onde apresentar as suas peças. “Na verdade, não há muitas salas de teatro aqui. Apenas temos o teatro formal, que é o Centro Cultural. Além disso, não temos nada”. Agora, com a abertura recente de dois espaços de actuação no novo Teatro-Estúdio do Instituto Cultural (IC), “a situação melhorou muito”, constatou o responsável.

      Ao nosso jornal, Lawrence Lei descreveu o estado actual da produção teatral do território. “Aqui existem imensos grupos de teatro, cerca de 20, e apenas um Centro Cultural, o que não chega”. Desde a abertura em Julho das novas salas ‘black box’, que “são uma boa ajuda”, este tem constatado que aos fins de semana existem muitas actuações destes grupos. “Todos os fins de semanas estão cheios, muitas vezes até com duas ou três actuações na mesma noite. Só temos um problema: temos tantas actuações, mas muito pouco público”, admitiu.

      Para Lawrence Lei, a questão prende-se sobretudo com a inexistência de “uma plataforma para promover e anunciar às pessoas as nossas peças”, já que os grupos apenas podem contar com as redes sociais, que é insuficiente, porque “nem toda a gente as usa”. Fica a vontade de pedir mais apoio ao Centro Cultural na promoção das peças de teatro, “talvez com folhetos informativos, assim quem tem interesse no teatro pode ir buscar esse programa e ficar a saber”, sugeriu.

       

      Monólogo para 29 de Fevereiro

       

      Quisemos saber se estes grupos locais criam textos originais ou preferem reinterpretar clássicos do teatro. O representante diz que “metade da actuações de teatro em Macau recorrem aos guiões típicos do ocidente, as peças de teatro mais famosas, e a outra metade recorre a criações inteiramente originais”, já que é “mais prático” e mais “fácil de vender bilhetes e promover, porque as pessoas conhecem e já ouviram falar do conteúdo”, algo que não acontece quando a criação é original, e “inspira menos confiança”. Por outro lado, quando são criações novas, o grupo dramático também tem de passar mais tempo a produzir tudo desde raiz, “daí a maior parte destes grupos preferirem recorrer a guiões famosos do ocidente”.

      E quanto ao conteúdo das criações originais, será que em Macau os grupos locais são totalmente livres de criar? Lawrence Lei garante que sim. A única forma de “controlo”, diz, é a classificação por faixa etária. “Se uma peça tem classificação C, o público com menos de 13 anos não pode assistir à peça. É um sistema. Mas sim, até agora sinto que temos liberdade para criar o que quisermos”.

      Planos futuros da sua Associação, que já conta com 42 anos de actividade, são de levar a peça “29 de Fevereiro” ao palco do CCM no dia 29 de Fevereiro de 2024, uma data singular para um monólogo que foi muito bem recebido na China, partilhou. Apresentada em Wuhan e Shenzhen nos dias 2 e 3 de Novembro, a peça esteve ainda no Festival de Arte de Zhuhai no passado dia 28 de Outubro. “Todas as nossas peças são em cantonense e têm legendas em mandarim. Na China têm de contar com as legendas para perceber a actuação”, esclareceu o dramaturgo.

      O monólogo de 60 minutos, com apenas uma actriz em palco, conta história de uma senhora idosa que celebra 80 anos naquele dia. “Ela nasceu no dia 29 de Fevereiro, e esperava que os filhos e filhas viessem celebrar o seu aniversário, mas eles não aparecem. Embora ela tivesse 8 filhos e filhas, eles esqueceram-se todos dos anos dela”, contou.